Levantamento da Polícia Militar aponta o registro de 83 ocorrências entre janeiro e março deste ano, relacionadas a furto, roubo e tentativas de furto e roubo. Também há registros na Polícia Civil.
Moradores de Campos Novos estão preocupados com a quantidade de furtos a residência que vem acontecendo nas últimas semanas no município. Segundo levantamento feito pela Polícia Militar, no primeiro trimestre de 2016, a maioria dos furtos foi registrada no Centro da cidade e Bairro Nossa Senhora Aparecida. Em alguns casos, os criminosos entram na residência à luz do dia e até máquina de lavar já foi furtada, além de eletrônicos e dinheiro.
Entre janeiro e março de 2016, foram 83 ocorrências registradas pela Polícia Militar, informou Sub Tenente Roseli Sutil de Oliveira, responsável pela divulgação de ocorrências da 3ª Companhia da Polícia Militar de Campos Novos. Há uma redução de 8% em relação ao ano passado, quando foram registrados no mesmo período 87 ocorrências.
O levantamento da Polícia Militar aponta que a maioria dos suspeitos dos furtos tem idade entre 19 e 30 anos (55,56%), menores de 18 anos (24,07%) e acima de 30 anos (20,37%). Das 83 ocorrências registradas, nove foram por tentativa de furto, doze por roubo, cinco por furto qualificado e 57 furtos sucedidos. Apenas em 27 houve o flagrante e os suspeitos foram conduzidos ao Departamento de Polícia Civil para procedimentos cabíveis.
Os bairros mais procurados para a prática do crime foram Nossa Senhora Aparecida com 22,99%, Centro 24%, Santo Antônio 14,94%, São Sebastião 9,20%, Boa Vista – Cohab 6,9% e Senhor Bom Jesus 5,75%. Os ladrões também agiram em fazendas com 4,6% dos registros e Distrito Industrial 2,3%.
De acordo com o Sub Tenente Oliveira, 80% dos autores dos furtos vendem os produtos para abastecer o tráfico de drogas no município. O policial reforça que os receptadores também podem responder criminalmente por adquirirem produtos de origem de furto ou roubo. Ele acrescenta que as câmeras de videomonitoramento têm contribuído na identificação dos suspeitos.

“Nós da Polícia Militar, estamos 24 horas patrulhando a cidade com nossas guarnições nas ruas e nos bairros mais afetados pela prática. As câmeras de videomonitoramento vêm ajudando a identificar os culpados e isso facilita nosso trabalho. Informamos que a Polícia Militar está 24 horas de plantão para atender a população camponovense e o número de emergência está à disposição por meio do telefone 190. Estamos trabalhando, a fim de diminuir esse tipo de crime”, disse Oliveira.
O papel da Polícia Civil
A função da Polícia Civil é investigativa, ou seja, investigar um fato definido como crime, apurando as suas circunstâncias, motivos, levantando provas, a identidade do provável autor, e ao final, responsabilizando-o criminalmente, com o devido indiciamento em um inquérito policial, o qual, em seguida, é encaminhado ao Poder Judiciário.
O Delegado de Comarca da 26ª Delegacia de Polícia de Campos Novos, Adriano Almeida, informou que pelos registros da Polícia Civil, entre janeiro e março de 2016 ocorreram 23 furtos, contra 26 furtos em residência no mesmo trimestre de 2015, ou seja, queda de 11,54%, neste ano.
Conforme o levantamento feito pela Polícia Civil, no primeiro trimestre de 2016, foram concluídos e encaminhados ao Poder Judiciário, 123 inquéritos policiais, pelos mais diversos crimes investigados no Município. O inquérito policial é o que materializa a investigação, quando houve a prática do crime, a Polícia Civil instaura o inquérito policial com objetivo de investigar, ouvem-se todas as testemunhas, vítimas, policiais envolvidos na investigação, requisitam-se perícias, e ao final, interroga-se o investigado (suspeito).
“A função da Polícia Civil é investigar crimes. Entramos em cena quando o crime já aconteceu. É nesse momento que passamos a coletar informações visando identificar o autor do crime, analisamos imagens de sistemas de monitoramento, câmeras de vigilância, conversamos com pessoas que presenciaram os fatos, com vizinhos, com as vítimas, com colaboradores da Polícia Civil, para que ao final, tenhamos provas suficientes que possibilitem o indiciamento do autor do crime, isso é um trabalho investigativo. A função da Policia Civil é essa, investigar os crimes que foram praticados”, comentou.

De acordo com Delegado Adriano, após uma prisão feita por um Policial Militar, Policial Civil ou da Policial de qualquer outra instituição, o detido deve ser imediatamente encaminhado à presença de um Delegado de Polícia, para que ele analise a legalidade da prisão, se preenche os requisitos elencados na legislação vigente, bem como se as provas colhidas são robustas o suficiente para sustentar a lavratura de um auto de prisão em flagrante, e por consequência, o encaminhamento do detido ao presídio local.
Segundo Adriano, em algumas prisões, faltam provas que possibilitem a prisão da pessoa detida, bem como em determinadas ocasiões a prisão não preenche os requisitos legais, no que tange ao estado de flagrância, o que faz com que o Delegado de Polícia, como primeiro profissional da área do Direito a atuar no sistema de justiça criminal, tenha que decidir pela soltura da pessoa detida.
“Quando uma pessoa é presa, ela é conduzida à presença do Delegado, que houve todos os envolvidos, entretanto, em determinadas situações, a prisão não atende alguns requisitos previstos em lei. Muitas vezes não existe o chamado “estado de flagrância”, em razão de o crime ter sido praticado alguns dias atrás, ou então, aquela testemunha não tem bem a certeza se a pessoa presa realmente foi o autor do delito, aí a autoridade policial (Delegado de Polícia), é obrigada a soltar o detido. Mas isso não quer dizer que o investigado fique impune, pois mesmo assim é instaurado um inquérito policial para investigar o caso, e ao final, se há a confirmação a respeito da autoria, o autor do crime é indiciado, e o inquérito policial encaminhado ao Poder Judiciário, onde o criminoso irá responder pelos seus atos”, esclareceu.
Sobre os autores não identificados
Delegado Adriano informa que muitas pessoas que se deslocam à Polícia Civil para registrar um fato criminoso não possuem muitas informações sobre ele, o que dificulta a apuração. Além disso, em crimes de furto, por exemplo, a falta de câmeras de monitoramento dificulta o trabalho investigativo. “Nós procuramos conversar com as vítimas, com testemunhas, e buscamos a existência de câmeras de monitoramento e sistemas de vigilância que tenham flagrado a prática desse crime. Tentamos de toda maneira colher indícios que possam auxiliar na elucidação da autoria, mas é lógico que isso nem sempre é possível. Às vezes a prática dos furtos em residência ocorre de madrugada, sem que alguém tenha presenciado, e nessa hipótese o trabalho da Polícia Civil também é mais dificultoso”, comentou.
Prevenção
O cuidado é fundamental para que a residência não seja alvo do crime de furto, orientou ainda Delegado Adriano. “Aquela frase, ‘a ocasião faz o ladrão’, tem muito de verdade, às vezes um usuário de drogas esta passando em frente à uma residência e vê uma bicicleta sem cadeado, ou vê uma janela aberta, com um notebook exposto em cima de uma mesa, em razão da facilidade, acaba subtraindo esse bem para vender, e depois comprar drogas. Então é sempre importante que as pessoas procurem evitar que os bens de grande valor fiquem à mostra, como no caso citado acima, evitando, assim, que sejam subtraídos. Também é bom sempre verificar a sua residência antes de sair, se as portas e janelas estão trancadas, bem como se existe alguém suspeito vigiando sua moradia, e caso positivo, acione imediatamente a Polícia”, orientou.
Embora tenha havido redução na prática de furto e roubo tanto nas estatísticas da Polícia Militar, quanto da Polícia Civil de Campos Novos no primeiro trimestre de 2016, os crimes se repetem. Delegado Adriano avaliou as motivações.
“Ninguém nasce criminoso! Em relação aos furtos, acredito que a grande maioria dos autores desse tipo de crime são criminosos ocasionais (acabam caindo em tentação devido a alguma circunstância facilitadora), ou então, são criminosos habituais, os chamados profissionais do crime, normalmente iniciam no crime durante a adolescência e, progressivamente, adquirem habilidades mais sofisticadas, acabam tendo como meio de vida a prática reiterada de furtos para viver”, analisou.
O delegado de comarca acrescentou ainda que nesse contexto, o que pode afirmar é que a Polícia Civil, mesmo com o grave problema de efetivo continuará atuando firmemente no propósito de elucidar não só os crimes de furto que prejudicam a comunidade local, mas também, toda e qualquer ação delitiva que venha ocorrer em Campos Novos.
Reforçou que o Disque Denúncia da Polícia Civil é o número 181 (de forma anônima).
*Reportagem de Capa publicada no Jornal “O Celeiro”, Edição 1323 de 07 de Abril de 2016.







