Diretora da AMA, Vera Ottoneli Durli, também comenta como é a realidade dos autistas na esfera local.
O dia 02 de abril é a data estabelecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) para designar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data tem como intuito chamar atenção das autoridades e da população de uma forma geral para a importância e complexidade do Autismo. Em Santa Catarina a FEAMAS, Federação das AMAs, realiza juntamente com todas as instituições credenciadas e que trabalham com Autismo, uma extensa programação durante todo o mês de abril. Em Campos Novos, a AMA (Associação dos Pais e Amigos dos Autistas) já tem uma programação definida.
Conforme a Diretora da AMA Campos Novos, Vera Ottoneli Durli, no dia 02/04, já ouve no município uma caminhada com o lema “Mais empatia, menos ruído”, a qual teve o prédio da AMA como ponto de partida e seguiu com destino à Praça Lauro Müller.
“Estivemos com a nossa equipe técnica pedagógica à disposição para orientar as pessoas que tinham interesse em entender mais sobre o autismo, tirar dúvidas sobre características, bem como em relação aos encaminhamentos. A equipe da Secretaria de Saúde também esteve junto conosco, dando todo o suporte neste dia”, informou.
Campos Novos possui a Lei Municipal 4.664, de 14 de dezembro de 2020, cuja qual determina que a comunidade tenha cuidado com os fogos de artifício, principalmente aqueles que causam um ruído muito forte.
“Estaremos levando uma faixa neste dia, para que o Prefeito dê mais atenção a esta lei, pois os nossos autistas sofrem muito com estas explosões, o que pode desencadear em crise e comprometer todo o comportamento deles. Nem só o autista sofre com isso, mas os idosos, os acamados, as crianças, os animais, e por isso pedimos a conscientização das nossas autoridades e da comunidade de forma geral”, comentou.
No dia 08/04, sábado, a equipe da AMA estará realizando um pedágio nas principais ruas da cidade e terá como objetivo levar as informações ao maior número de pessoas. Serão distribuídos flayers explicativos sobre todos os assuntos que envolvem o TEA (Transtorno Do Espectro Autista), como características e encaminhamentos.
Na tarde do dia 15/04, a equipe de trabalho da associação estará realizando o Dia da Família na Escola, promovendo a confraternização dos familiares dos usuários no Centro de Equoterapia, com várias atividades, brinquedos para as crianças e lanches especiais.
Na noite do dia 21 de abril, em parceria com o CMDCA, ocorrerá o Seminário sobre o Autismo, no Auditório da UNOESC, com a Palestra com o Dr. Egon Frantz, médico Neurologista e Neuropediatra. “É um médico de referência na área do Autismo, que estuda muito sobre esse tema e sempre traz para nós muitas atualizações, inclusive, ele atende uma porcentagem bem grande de paciente com TEA, moradores de Campos Novos, e esta palestra será muito importante para profissionais da área da saúde, bem como para toda a comunidade”, afirma Vera.
Dia 22 de abril, a partir das 20h, acontece o Show Bingo Azul da AMA, no Salão Paroquial. Os Kits com cartelas do bingo já estão sendo comercializados, a Premiação da rodada principal será de R$ 8 mil.
Ainda dentre as atividades em alusão ao mês de Conscientização do Autismo, no dia 04 de abril, a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina estará realizando o lançamento da frente parlamentar em defesa das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Neste dia, todas as AMAS de Santa Catarina estarão lá na ALESC para participar desse lançamento e da Palestra com o tema “O que sabemos?”, proferida pelo Dr. Jaime Lins.
Para a primeira semana de abril também está sendo preparado um workshop em Neurociência com o Instituto Avivar de Minas Gerais, para estar trabalhando vários assuntos relacionados ao Autismo com as famílias camponovenses.
Como é a realidade de um Autista em nosso município?

Em relação à realidade local do município, Vera afirma que ainda é preocupante a situação de inclusão, o convívio em sociedade.
“Temos casos, quase que diariamente, de pessoas que desconhecem o Autismo, que têm preconceito, além da dificuldade na questão de inclusão em alguns órgãos. Hoje temos 165 crianças que frequentam o ensino regular, a maioria com segundo professor, mas ainda temos muita dificuldade também de conhecimento, de como trabalhar a inclusão escolar, num curso de natação, por exemplo, e até mesmo no mercado de trabalho”, comentou.
Atualmente, o quadro de usuários autistas legíveis para a AMA totaliza 209, mas por falta conhecimento e de avaliação, muitos outros casos de autismo poderiam ser identificados no município.
“Costumamos frisar que a pessoa busca mais conhecimento quando o Autismo está presente na família. A gente sempre busca orientar as pessoas que busquem esse conhecimento, não apenas porque tem um filho ou parente com TEA, mas sim porque você pode encontrar na sociedade alguém que tenha essas características, e consequentemente você saberá a maneira correta de se comportar diante de um Autista”, salientou Vera.
O autista não tem uma característica física que o diferencie das outras pessoas, por isso boa parte da população não considera que elas possuam deficiência, enquanto na realidade, existe sim um transtorno neurológico que lhe assegura um tratamento especial.
Para as famílias que desejam se dirigir até a AMA com suspeita de autismo, com características visíveis no filho, por exemplo, a Psicóloga Paola Barbosa explica como procede o atendimento.
“Inicialmente as famílias buscam a instituição com encaminhamento médico ou da escola solicitando a avaliação diagnóstica ou validação do diagnóstico. Após é realizado um agendamento para realização da avaliação, onde se constatado o Autismo é realizado o encaminhamento para os programas educacionais oferecidos pela instituição”, complementa a psicóloga.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição: 1772 de 30 de março de 2023.









