Com a presença da Secretária de Estado de Saúde, Campos Novos sedia Conferência Macrorregional

Mais de 70 municípios do Meio Oeste e Serra Catarinense enviaram representantes a fim de debater a saúde como política pública.

Campos Novos sediou nesta semana a Conferência Macrorregional de Saúde do Meio Oeste e Serra Catarinense. O evento ocorreu ao longo da terça e quarta-feira (04/04 e 05/04) no Auditório da Unoesc e recebeu representantes de aproximadamente 70 municípios, além de autoridades locais, regionais e estaduais. A Secretária de Estado da Saúde de Santa Catarina, Carmen Zanotto, esteve ministrando a palestra de abertura da Conferência. Esta etapa foi a primeira das sete macrorregionais, que acontecerão durante os meses de abril e maio do corrente ano em todo o Estado.

Convocadas pelo Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde, as Conferências têm como tema central “Garantir Direitos e Defender o SUS, a Vida e a Democracia — Amanhã Vai Ser Outro Dia”, sendo subdividido em 04 (quatro) eixos: O Brasil que temos, O Brasil que queremos; O papel do controle social e dos movimentos sociais para salvar vidas; Garantir direitos e defender o SUS, a vida e a democracia; e Amanhã vai ser outro dia para todas as pessoas.

Secretária de Estado da Saúde, Carmen Zanotto

A etapa municipal havia ocorrido no início de março, encontro este, organizado pelo Conselho Municipal de Saúde. De acordo com o Presidente do Conselho Municipal e Coordenador Geral da Conferência Estadual de SC, Gilberto Scussiato, estas reuniões têm como objetivo avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis municipais, estaduais e federal.

“Agradeço a todos os municípios que enviaram os seus representantes para a etapa Macrorregional e também a todas as autoridades que se fizeram presentes neste evento que representa a democracia. Temos que fortalecer a democracia e fortalecer o SUS, pois sem o SUS não existe saúde no Brasil”, ressaltou Gilberto.

O prefeito de Campos Novos, Gilmar Marco Pereira, também enalteceu a oportunidade de sediar um evento desta magnitude e reafirmou a necessidade de o município contar com um espaço público que possa receber encontros desta natureza.

“Sediar eventos em Campos Novos, em todos os aspectos são importantes, temos a possibilidade de mostrar quantas coisas boas existem em nosso município, e estamos trabalhando juntamente com a Câmara de Vereadores a fim de construir um espaço, um anfiteatro que possa dar uma boa condição para conferências como essa, além de outras atividades. O município é carente destes espaços e é por isso que estamos focados com o Legislativo para que este projeto possa acontecer”, afirmou.

Ainda conforme o Prefeito, a presença da Secretária Carmen Zanotto, reforça o pedido do município para que os recursos públicos da saúde sejam devidamente repassados, e não só na questão financeira, mas que também as ações locais possam ser desenvolvidas em parceria com o Governo do Estado.

“Ela é um braço do governador, de uma área muito importante, isso aproxima e abre o debate sobre as políticas públicas, e assim iremos apresentar, juntamente com a Secretaria Municipal de Saúde e a Fundação Hospitalar Dr. José Athanázio, as nossas principais demandas e prioridades”, comentou.

Em entrevista concedida ao Jornal O Celeiro, Carmen Zanotto falou sobre as questões de repasse ao município, bem como abordou outros temas, como você confere a seguir:

  • O que representa este encontro realizado em Campos Novos para o futuro do SUS?

Este é o grande momento de avaliação do Sistema Único de Saúde e estou muito feliz que Campos Novos esteve recebendo 71 municípios da Macrorregião para este debate e para esta construção. O momento de conferência é o momento de fazer avaliação do Sistema Único de Saúde (SUS), desde a sua constituição de 1988 na Lei 8.142, que define o controle social, ouvindo os usuários, os trabalhadores, bem como os prestadores de serviços do SUS. O SUS já tem 35 anos, vem se consolidando, tem avançado muito, mas ainda temos os gargalos deste sistema que são as cirurgias e exames represados e, lamentavelmente, nos últimos anos, a baixa abertura vacinal, inclusive, para a Poliomielite. São momentos como esse que a gente aproveita para deliberar e, a partir desta etapa regional, nós vamos ter a conferência estadual e posteriormente iremos levar as demandas através dos delegados escolhidos para a conferência nacional de Saúde.

  • Quais são as prioridades da saúde do Estado?

Nós estamos com várias prioridades e com certeza a recuperação dos hospitais próprios da Grande Florianópolis é emergencial. Nós precisamos fazer revisão de cobertura (telhado), parte elétrica e hidráulica, os banheiros, tanto das enfermarias que recebem os pacientes, quanto da parte ambulatorial e das emergências, todos precisam ser remodelados, além do piso dos corredores, a manta vinílica, enfim, é uma reforma ampla que nós precisamos fazer nestes seis hospitais da grande Florianópolis.

Paralelo a isso, nós não podemos parar os processos de cirurgias eletivas, estamos tendo avanços com mais hospitais se habilitando para fazer a alta complexidade na ortopedia, que dos 105.340 pacientes que estavam na fila no dia 30 de janeiro, nós temos seis meses para zerar, conforme determinação do nosso Governador Jorginho. Estamos entrando no mês de abril, precisamos fazer mais do que fizemos nos últimos dois meses para darmos conta, sempre cuidando, inclusive, de separar os pacientes que estavam na fila da cirurgia eletiva.

Estamos cuidando detalhadamente dos pacientes com câncer, porque quem tem câncer não pode esperar e não podemos considerar uma cirurgia de câncer como cirurgia eletiva. A gente tem esse desafio e nenhum paciente de câncer poderá ficar na fila de espera por mais de 60 dias. Não conseguimos trazer todos os serviços de câncer do estado para este período de no máximo 60 dias, mas juntos com as regionais de saúde, secretários municipais e diretores de hospitais, nós vamos conseguir, pois estamos falando de vidas, não estamos falando de números.

  • Para agilizar o processo das cirurgias, como serão os encaminhamentos para os hospitais?

A gente conta muito com os hospitais, inclusive, com o hospital de Campos Novos, que agora conta com a UTI, e a gente precisa dar volume para esta unidade. Quais pacientes vão internar nesta UTI? Que procedimentos esse hospital vai fazer de alta complexidade, que possa estar abraçando dentro da sua nova estrutura?

Quanto aos repasses, eles se dão através da política hospitalar, da contratualização e todas as cirurgias os hospitais vão passar a receber pelo volume cirúrgico. Além de toda a modalidade que já existia, todas as cirurgias serão pagas pós executado, ou seja, no mês seguinte já recebem. É importante garantir o pagamento independente do volume contratado do hospital para que os médicos não parem de realizar os procedimentos.

  • Quanto aos recursos e equipamentos que a FHJA aguarda o envio do Governo do estado, qual a previsão para esta liberação?

Nós recebemos uma secretaria com proposta de convênios superior a R$ 890 milhões, na vida a gente precisa ter prioridade, não tem como a gente trocar uma situação grave dos hospitais, assegurar os recursos para as cirurgias eletivas e garantir todos estes convênios que foram prometidos e não foram empenhados.

A gente analisou todos, não significa que não vão sair, mas precisamos garantir o convênio, a funcionabilidade, o procedimento pelo SUS, portanto, estamos trabalhando com tudo isso e tenho certeza, conheço o hospital de Campos Novos, já destinei várias emendas para ele, a UTI é de qualidade, mas precisamos dar mais volume para esta UTI.

Evidente, que para fazermos cirurgias de alta complexidade, se os equipamentos ainda forem necessários, nós vamos assegurar, agora estes recursos de convênios serão vinculados à resolutividade dos serviços, caso contrário, acontece de aumentarmos os equipamentos e não termos a garantia do serviço para o Sistema Único de Saúde.

*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1773 de 06 de abril de 2023.

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