Esta geração que está vindo aí é cheia de valores invertidos. É muito vitimismo, filho que manda nos pais, tudo não pode, enfim, estamos criando cidadãos frágeis e sem atitude. Pode observar, as crianças de hoje, com raras exceções, nem de perto lembram os pequenos das antigas gerações, que apesar de todas as dificuldades, aproveitavam de forma intensa e feliz cada período das suas infâncias.
Entre os adultos também, hoje em dia a realidade mudou muito, tudo é motivo para lacração, opinião virou crime, bandido virou herói e assim por diante… Contudo, existem condutas que são inegociáveis e nunca devem deteriorar ao tempo, como por exemplo, o racismo.
Um tema que muitas vezes é velado e está longe de ser extinguido. Atitude racista acontece todos os dias, entretanto, só ganha notoriedade quando se torna público, por meio de casos noticiados pela imprensa, seja envolvendo anônimos e principalmente personalidades públicas.
Dois dos casos mais emblemáticos dos últimos anos, que ganharam repercussão mundial, envolveram o universo do futebol. Em 2014, o alvo foi o goleiro Aranha, que na época defendia o Santos. O arqueiro, que teve uma grande atuação diante do Grêmio e garantiu a vitória de sua equipe por 2 a 0, foi insultado no final da partida por torcedores na Arena, em Porto Alegre. Câmeras flagraram uma torcedora claramente chamando Aranha de macaco e o resto do grupo fazendo sons que lembravam o animal.
Em entrevista, o ex-goleiro lembra do episódio e não tem dúvida em afirmar que a reação ao racismo naquele dia antecipou o final de sua trajetória no futebol. “Por mais que eu estivesse concentrado no jogo, aquilo não saiu da minha mente. Então, eu decidi tomar aquela decisão e não me arrependo. Paguei com a minha carreira? Paguei. Me arrependo? Não.”
O mais recente episódio deplorável envolvendo racismo no futebol, teve como vítima o atacante brasileiro Vinícius Júnior, que defende o Real Madrid-ESP. Não foi a primeira vez que torcedores rivais agrediram o jogador com insultos racistas. A última delas, ocorreu no último domingo, na partida diante do Valencia pela Liga Espanhola. Neste jogo, inclusive, abalado emocionalmente, Vini se envolveu numa briga e acabou sendo expulso de campo.
“Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas. Uma nação linda, que me acolheu e que amo, mas que aceitou exportar a imagem para o mundo de um país racista. Lamento pelos espanhóis que não concordam, mas hoje, no Brasil, a Espanha é conhecida como um país de racistas. E, infelizmente, por tudo o que acontece a cada semana, não tenho como defender. Eu concordo. Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui”, se manifestou Vini Jr pelas redes sociais.
Diante disso, deixo a seguinte reflexão: não precisamos ser negros para lutar contra o racismo, só precisamos ser humanos, afinal, Deus criou vidas, não raças.
Por: Orli Ricardo – Jornalista
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1780 de 25 de maio de 2023.


