“Não haverá aumento e nem redução de carga tributária”, reafirma diretor da Secretaria da Reforma na Fiesc

Em reunião da Câmara Tributária da FIESC o economista Rodrigo Orair afirmou que a ideia é que a reforma crie um sistema eficiente, mais justo, livre da cumulatividade e que desonere as exportações e os investimentos.

“O pressuposto básico da reforma tributária é: está na Constituição uma prerrogativa de que não haverá aumento da carga. Os novos impostos (CBS e IBS) serão introduzidos gradualmente e a sua alíquota vai ser calibrada com cálculos, feitos pelo Tribunal de Contas da União e revisados pelo Senado, de modo a substituir a arrecadação dos tributos atuais”. A afirmação é do economista e diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, Rodrigo Orair, que ministrou palestra sobre o assunto em reunião da Câmara Tributária da Federação das Indústrias (FIESC), nesta quinta-feira, dia 10, em Florianópolis, com a participação de lideranças industriais e representantes da Secretaria da Fazenda, do Conselho Regional de Contabilidade e da OAB-SC.

A Câmara dos Deputados aprovou a reforma em julho. Agora a discussão da matéria será no Senado. “Hoje o Brasil é um dos países que mais tributa bens e serviços do mundo, só que de uma maneira antiquada, ineficiente e injusta. A ideia é trocar isso por um sistema eficiente, mais justo, livre da cumulatividade, que desonere as exportações e os investimentos e que tem uma legislação uniforme, aplicada em território nacional. Por isso, tem potencial de dinamizar o crescimento econômico. Mas isso sem aumentar e nem reduzir a carga tributária. E por que não reduzir? Por conta dos efeitos nos orçamentos dos entes federativos”, declarou.

“Como eu tenho a garantia de que não pode haver aumento de carga tributária, quanto mais tratamentos favorecidos eu tiver, maior será a alíquota geral (do IBS)”, explicou. O tratamento favorecido é a aplicação de uma alíquota mais baixa em determinadas áreas. Na proposta que foi aprovada na Câmara entraram neste tratamento a cesta básica, produtos típicos agropecuários in natura e os setores de cultura e esporte, serviços de saúde, educação e transporte coletivo. “No Ministério da Fazenda, estimamos que se não tiver favorecimento nenhum, a alíquota padrão (do IBS) poderia chegar ao nível de 20% a 22%. Com os favorecimentos, está subindo para alíquotas entre 25% e 27%, dependendo do cenário”, completou.

​Incentivos fiscais

Se aprovada nos moldes atuais, a reforma terá um período de transição que vai de 2024 a 2032. Orair explicou que o texto prevê segurança na transição, especialmente em relação aos incentivos fiscais ligados ao ICMS. “Empresas que fizeram investimentos contando com benefícios fiscais de ICMS não podem simplesmente virar a chave de uma hora para outra. Então a ideia é ter uma transição gradual. Os benefícios fiscais estão convalidados e com validade até 2032, quando teríamos a vigência plena do novo modelo em 2033. Essa é a transição para o contribuinte. Outra questão é que para viabilizar a reforma, foi instituído um fundo que terá R$ 160 bilhões com o objetivo de ressarcir as empresas que fizeram os investimentos e, de alguma forma, seja afetada com a reforma do ICMS”, explicou.

O presidente da Câmara Tributária da FIESC, Thiago Fretta, destacou que a reforma tem implicações na vida de toda a sociedade. “Na FIESC estamos estudando o tema porque a indústria é hoje o setor mais tributado do país e vemos a reforma como um momento para se debater uma maior equalização entre os setores econômicos. O assunto é complexo, prevê uma transição longa, o que gera dúvidas. Por isso, a relevância desse debate hoje”, declarou. O economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, disse que a reforma tributária é a mais importante para o aumento da produtividade brasileira.

*INFO: REDE CATARINENSE DE NOTÍCIAS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.