Romaria em Honra à Nossa Senhora Aparecida:
A Origem e Curiosidades de uma das maiores
mobilizações religiosas do Sul do Brasil
Personagens que fizeram parte da primeira Romaria em Campos Novos, relembram fatos que se perpetuaram ao tempo.
Uma das maiores celebrações religiosas do Sul do Brasil, em 2023, a Romaria em Honra à Nossa Senhora Aparecida de Campos Novos, realiza a sua 46ª Edição. Romeiros de todas as partes do país já estão se mobilizando para marcarem presença na peregrinação que reúne anualmente milhares de pessoas num trajeto de cerca de 3 quilômetros.
Conforme divulgado neste meio de comunicação, desde o mês passado, uma programação especial de celebrações já vem sendo realizada nos bairros e no interior do município. As procissões, bem como as missas, atraem centenas de pessoas, as quais dedicam à Mãe Aparecida, uma devoção inabalável, pelas graças e bênçãos alcançadas.
Mas e a origem desta grande mobilização, onde tudo começou, quais foram as pessoas que deram início à esta trajetória e quem está por trás da organização deste grande evento que homenageia a Santa Padroeira do Brasil? A reportagem do Jornal O Celeiro, traz nesta edição, alguns dos personagens que fazem parte desta história de fé, alegrias e superações, como veremos a seguir:
Odilon Teixeira:
Eu sempre estive muito envolvido com as questões religiosas, enquanto criança fui coroinha e aprendi a adorar a Mãe Aparecida desde muito novo, posso dizer que a devoção vem de berço. Quando veio o convite para ir até Aparecida do Norte, buscar a Imagem de Nossa Senhora, eu com 19 anos, tive a ideia de comprar uma máquina fotográfica. Não existia muito acesso a este tipo de equipamento na época, eram raras as pessoas que tinham uma máquina fotográfica, e para conseguir o dinheiro, precisei negociar uma vaca que eu tinha. Vendi o animal e fiz a encomenda da máquina fotográfica com o Sr. Jugo Klein. Lá em Aparecida-SP, fui responsável por fazer vários registros, inclusive o da bênção da imagem de Nossa Senhora Aparecida que veio para Campos Novos, que na ocasião foi entregue pelo Pároco local ao saudoso Padre João Granzotto, imagens estas guardamos com muito carinho. Assim que trouxemos a imagem para cá, encaminhamos até ao antigo santuário, ainda de madeira.
Em todos estes anos eu nunca deixei de vir no Santuário, e fazer minhas orações, agradecer e pedir que Deus e Nossa Senhora conduzam a minha família pelo bom caminho. Com o passar dos anos este local vem recebendo investimentos, sendo ampliado e isso gera mais conforto aos romeiros, que muitas vezes andam vários quilômetros a pé até chegar até aqui. Também costumo visitar o Santuário Nacional de Aparecida, que desde da época de caminhoneiro é um destino corriqueiro das minhas viagens.
A minha relação com Nossa Senhora Aparecida veio se fortalecendo cada vez mais ao longo do tempo. Há muitos anos, estava em viagem no interior de Goiás, e acabei pegando no sono ao volante, e antes de uma curva, uma luz muito forte com a imagem de Nossa Senhora Aparecida refletiu na cabine e me fez acordar, dando tempo para eu guiar o meu caminhão para a estrada novamente. E existiram outros episódios envolvendo a saúde e segurança dos meus filhos, que guardo com muito carinho todos os livramentos que a mãe Aparecida me proporcionou.
José Anselmo da Silva:
Meu pai e minha mãe eram pessoas de muita fé, devotos de Nossa Senhora Aparecida e sempre me incentivaram a seguir neste caminho. Embora eu tenha descumprido com um desejo de minha mãe, ela queria que eu fosse padre, eu me comprometi com ela em sempre me dedicar à Igreja e seguir a minha missão. Meu pai, inclusive, morreu no dia 12 de outubro de 2002, data da 25ª Edição da Romaria. Naquele dia, ele participou de três caminhadas e três missas, voltou para casa, e pouco tempo depois, às 18 horas, faleceu devido a um infarto fulminante. Ele deve ter falecido num dos dias mais felizes da sua vida.
Mas, voltando ao passado, quando eu era bem jovem, lá pelo ano de 1975, meu avô e eu vínhamos acompanhar as missas na antiga igrejinha na Comunidade do Pacheco, localidade onde morávamos.
Naquela época, algumas missas eram ministradas pelo Padre João Granzotto, e já se falava na construção do santuário. Em 1978, coincidentemente, eu estava na inauguração do santuário e guardo até hoje, com muito carinho, um santinho original da 1ª Romaria em Honra à Nossa Senhora Aparecida. A partir desta data eu participei de todas as romarias.
A partir de 1993 eu comecei a atuar como Ministro do Santuário e automaticamente comecei a me envolver mais na organização. Há pelo menos 10 anos eu sou o responsável por toda a organização da parte litúrgica, seja no Santuário, ou junto às comunidades dos bairros e interior.
Eu também tenho muitos motivos para agradecer à Nossa Senhora. Há 20 anos passei por um momento muito complicado, certa vez em uma pescaria com um amigo, cai com o barco na correnteza do rio, me apavorei pois não parecia ter volta, e quando vi que a tragédia era iminente, levantei as mãos para o céu e gritei, “Nossa Senhora, me salva, não me deixe morrer”, naquele momento o barco alinhou contra a correnteza e conseguimos sair daquela situação sem maiores problemas. Na hora eu lembrei da minha filha, que tinha dois aninhos, e Nossa Senhora interviu por nós, num verdadeiro milagre.
Sidney Carvalho de Almeida (Diácono):
Na primeira Romaria, em 1978, eu fui um dos romeiros que caminhou, já na segunda Romaria, como eu tinha um conjunto de animação de baile, fiz uma proposta ao Padre João Granzotto, Pároco e idealizador da Romaria, para fazer a sonorização do percurso.
O Padre utilizava um megafone, e o equipamento não tinha um alcance adequado. No próprio Santuário, na época bem menor que a atual estrutura, haviam apenas duas cornetas, que se dividiam para levar o som ao público presente. O Padre João, num primeiro momento, disse que não teria verba para fazer o investimento, mas o que ele não sabia era de que seria uma doação da minha parte, e assim a fiz. Tive o aval do Sr. Antônio Agostini e acabei fazendo a sonorização do ambiente. A partir daquele ano, como coordenador do sistema de som, sonorizei as demais Romarias, sempre aprimorando e profissionalizando cada vez mais este serviço de som.
E quanto à minha relação com a Nossa Senhora, procuro ser amigo de Nossa Senhora, eu digo que a Mãe é aquela que conhece os filhos pela voz, e a Mãe de Jesus nos conhece ainda mais. Ela sabe das nossas necessidades, o primeiro milagre que Jesus fez, o de transformar água em vinho, foi por intercessão dela. Eu procuro ser bem próximo de Nossa Senhora, faço minhas preces, procuro a ouvir e sentir a presença dela, pois ela nos leva até Jesus.
A Romaria não é o comércio, é a parte espiritual que vai tocando o coração das pessoas, esse é o grande objetivo. Para esta Romaria desejo que tenhamos muita fé e que tudo transcorra da melhor forma possível.
Para finalizar, a título de curiosidade sobre o Bairro Aparecida, o saudoso Padre Aquiles contava que construíram uma capela onde hoje é o Santuário, e que aquela pequena comunidade seria dedicada à Santa Catarina. Entretanto, no dia da inauguração, ninguém tinha a imagem da Santa, nem mesmo a Paróquia, foi então que um popular se manifestou dizendo que tinha em sua casa uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, e caso fizessem uma homenagem à ela, ele doaria ao Santuário, e assim nasceu o Bairro Aparecida.
Helena Agostini de Almeida:
Eu tenho belas lembranças de quando fomos buscar a imagem de Nossa Senhora Aparecia no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida do Norte – SP. Meu pai, Antônio Agostini, muito engajado em trabalhar na Paróquia, fazia parte da comissão e ajudava muito o Padre João Granzotto.
Eu tinha 14 anos e fui acompanhar a minha família nesta viagem de ônibus, além de mim, meus pais e meu irmão Marcos, estiveram nesta viagem memorável. Foi tudo muito bom, fomos e voltamos rezando e cantando, uma das únicas questões que causaram transtorno, foi a falta de banheiro no veículo.
Lembro também que ao chegar na cidade de Aparecida, os guias turísticos nos dividiram em duas turmas, que foram conduzidas para hotéis distintos, o que fez com que os grupos se perdessem. Depois acabamos nos reencontrando durante a celebração da missa, ainda no antigo Santuário.
Tivemos um dia todo para passear, o Padre João na sua simplicidade nos guiou, visitamos a Basílica nova, a qual estava em obras, fizemos compras de lembrancinhas e também adquirimos uma máquina fotográfica Kodak para registar os momentos.
Fomos em 37 pessoas, eu mesma convidei uma amiga, a qual já convidou o seu irmão, e cada um que era convidado já ia ver se as economias conseguiam pagar a passagem. O Padre João Granzotto ajudou no que podia para que todos fossem, e quem tinha mais condições, ajudava aqueles que não tinham.
Foi tudo muito emocionante, imagine uma adolescente com 14 anos, que nunca tinha saído da região, receber este convite do Padre João Granzotto em viajar para tão longe, e por um motivo tão especial.
Para mim estes momentos serão sempre inesquecíveis, eles ficarão guardados na minha vida e na minha história, pela grandeza de Nossa Senhora Aparecida. Jesus nos deu ela como mãe e ela sempre nos intercede, nos dando graças para enfrentarmos as dificuldades e tocarmos em frente a nossa vida.
*Reportagem Publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1800 de 12 de outubro de 2023.







