Dia Nacional do Campo Limpo foi celebrado em Campos Novos

Evento destacou a importância do recolhimento e destinação correta de embalagens de agrotóxicos.

As práticas sustentáveis com a destinação correta de embalagens de defensivos agrícolas foram evidenciadas no Dia Nacional do Campo Limpo, realizado em Campos Novos, nessa sexta-feira (16), pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (INPEV), em parceria com as organizações do setor.

O governo do Estado por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR) com as empresas vinculadas Epagri, Cidasc e o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) receberam do Instituto o Certificado de Reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no sistema de logística reversa das embalagens vazias dos defensivos.

Agricultores, responsáveis técnicos, cooperativas, fabricantes, distribuidores e agentes do poder público celebram os resultados do Sistema Campo Limpo. Esse sistema é referência mundial para a logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, é gerido pelo INPEV. Santa Catarina é um dos estados referência na logística reversa. O estado possui uma rede de unidades de recebimento de embalagens vazias, postos de recolhimento e os canais de venda licenciados a receber as embalagens.

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Valdir Colatto, recebeu o reconhecimento pelos serviços prestados pela SAR, Cidasc e Epagri. “Esse reconhecimento é resultado do trabalho integrado para avançarmos na gestão da logística reversa, com o destino correto das embalagens dos defensivos agrícolas e com trabalho de educação ambiental. Santa Catarina é modelo para o Brasil, o agro é exemplo na reciclagem de embalagens. Tudo isso reverte em mais sustentabilidade e desenvolvimento do nosso agronegócio”, afirma Colatto.

Questionado sobre quais são as dificuldades enfrentadas pelas cooperativas distribuidoras desses defensivos em relação à comercialização e o recolhimento das embalagens, o secretário comentou:

“As cooperativas e empresas elas se credenciam junto a CIDASC, que faz esse controle, o problema é a comercialização clandestina, que vem da importação ilegal de países que são fronteirados nossos, como também de outros estados, que foge do controle, temos também a situação de que esses produtos que não passam por esse registro oficial, essas embalagens não sejam entregues como um produto qualquer, esse reciclado que você faz na área urbana, para que ele não venha contaminar todo o processo também da área reciclada, como seja usado para outros fins. Então, realmente é uma questão de ter controle, fiscalização, a falta de você poder ter a garantia de que haja um controle que venha de volta a esse produto, nós temos que criar incentivos aos nossos produtores, embora eles venham ajudando, mas eles têm que devolver por exemplo, produtos que vêm lá do Rio Grande do Sul, as pessoas têm que devolver essa embalagem para o Rio Grande do Sul. Nós temos que facilitar a vida do produtor, ele deve ser incentivado a fazer isso, a entregar na revenda mais próxima dos postos de recolhimento, que ele tenha benefício por isso”.

“O Brasil é campeão no recolhimento de latas e garrafas pets e por que não nós fazermos um sistema desses que você incentiva o agricultor a devolver essas embalagens, mas a consciência do agricultor já é muito forte, e nós temos ali que 95% das embalagens já estão sendo recolhidas, isso é uma coisa fantástica, e nós queremos levar esse exemplo do campo para a cidade para que também outras áreas reciclem o seu lixo e sigam o modelo que nós estamos usando na agricultura, e pouca gente sabe disso, talvez até achando que o agricultor está poluindo ao contrário, nós estamos ajudando a natureza, fazendo a produção sustentável dos nossos alimentos em Santa Catarina” destacou.

O DIA

O Dia Nacional do Campo Limpo é comemorado em 18 de agosto, mas a programação foi antecipada.

Além da entrega do certificado de reconhecimento pelo INPEV, a Cidasc fez a exposição sobre o projeto piloto da companhia relacionada à devolução de embalagens vazias.

A Cidasc atua no controle e fiscalização dos defensivos, no monitoramento do uso, comercialização, armazenamento, transporte e destinação final das embalagens desses produtos, desempenhando um papel fundamental na gestão e fiscalização do ciclo de vida das embalagens vazias. Também promove a conscientização contínua sobre a importância da logística reversa, por meio de palestras e materiais educativos, reforçando seu compromisso com a sustentabilidade.

O coordenador das relações institucionais do INPEV, Gelson Lang, comentou sobre a importância do trabalho realizado através do Instituto:

“Recolhemos em torno de 66 mil toneladas de embalagens por ano em todo o Brasil. É uma logística em que temos 97% de retornos embalagens. É referência mundial o sistema que o Brasil possui. A cadeia é composta pelo produtor que tem que fazer a tríplice lavagem, furar as embalagens e devolver. As revendas têm que indicar o local para devolução. O INPEV retira dos postos, leva para as centrais, onde essas embalagens são separadas, processadas e dado o destino correto. Então esse é o caminho da logística reversa. Temos um exemplo muito bom, em que um material de embalagens volta a ser embalagem”.

“A importância de toda essa conscientização, como a realização da celebração desse dia, é que o produtor, há mais de 25 anos atrás, queimava as embalagens, ou as enterrava, estavam jogadas no meio ambiente. Depois que foi instituído esse decreto e passou a ser lei, e aí todo mundo tem mais consciência disso. Hoje não temos mais problema, está resolvido, mas sempre temos que estar relembrando para nunca voltar ao que já foi” enfatizou.

O projeto piloto apresentado pela Cidasc inova ao informatizar os registros de devolução de embalagens com maior detalhamento. Atualmente, a consolidação dos volumes devolvidos é feita apenas pelas unidades de recebimento do InpEV. O novo programa irá trazer maior agilidade na gestão das informações e na devolução das embalagens. “Com isso, teremos condições de apurar quais os municípios e localidades com maior passivo de embalagens não devolvidas, permitindo traçar estratégias de educação sanitária para o público mais carente de informações e fomentar campanhas de recolhimento de embalagens vazias de defensivos nas regiões identificadas”, explica o gestor do Departamento Estadual de Defesa Sanitária Vegetal da Cidasc, o engenheiro agrônomo, Alexandre Mees.

AÇÕES INTEGRADAS

A Epagri também atua com ações de capacitação de técnicos sobre aplicação de defensivos e de sensibilização dos agricultores sobre segurança na utilização desses produtos.
Em várias regiões realiza capacitações dos produtores rurais.

Em Santa Catarina, a ação que converge com esse propósito do Campo Limpo é o Programa Penso Logo Destino, que tem como objetivo a logística reversa dos resíduos. Sob coordenação do IMA, em cooperação com entidades públicas e privadas, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR), a Cidasc, Epagri e a Ceasa/SC integram o Termo de Cooperação.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1843 de 22 de agosto de 2024.

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