Enquanto o comércio se veste de luzes e o varejo vive o frenesi das vendas natalinas, nos bastidores da gestão empresarial, dezembro de 2025 é, na verdade, um mês de “guerra estratégica”. Existe uma ilusão perigosa de que o ano corporativo termina com a festa da firma. Para quem visa o lucro e a sustentabilidade, o jogo de 2026 não começa em janeiro — ele está sendo decidido agora, nas últimas semanas deste ano.
A transição de exercício fiscal no Brasil é implacável. Decisões não tomadas (ou postergadas) em dezembro podem custar caro ao caixa da empresa pelos próximos doze meses. Se o objetivo é encerrar o ano com segurança jurídica e começar 2026 com o pé direito no financeiro e tributário, o foco do empresário deve estar em três pilares: Regime Tributário, Saneamento de Passivos e Provisão de Caixa.
A escolha crítica de qual Regime Tributário, é em janeiro é o mês oficial de opção pelo regime de tributação (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real), mas a análise matemática precisa ocorrer agora.
Muitas empresas operarão no piloto automático em 2026, mantendo o mesmo regime de 2025 por inércia. Este é um erro clássico. Se suas margens de lucro encolheram este ano devido à inflação de insumos, permanecer no Lucro Presumido pode significar pagar impostos sobre um lucro que não existiu. Mudar para o Lucro Real pode trazer economia imediata. Por outro lado, se o faturamento cresceu substancialmente, talvez o Simples Nacional tenha deixado de ser vantajoso devido às alíquotas efetivas altas nas faixas finais. Dezembro é o momento de sentar com a contabilidade, projetar o faturamento de 2026 e simular cenários.
Para indústrias e comércios, o dia 31 de dezembro é a data de corte do inventário. A precisão na contagem do estoque físico não é apenas uma exigência legal, mas uma ferramenta financeira. Divergências no estoque impactam diretamente o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) e, consequentemente, a apuração do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social (CSLL).
Além disso, é hora de “limpar a casa”. Verifique se todos os XMLs de notas fiscais de entrada e saída foram processados. Uma nota esquecida pode gerar multas acessórias pesadas. Solicite também uma varredura nas Certidões Negativas de Débito (CNDs). Começar 2026 com o CNPJ “sujo” pode travar operações de crédito bancário vitais para o capital de giro do primeiro trimestre.
A armadilha do caixa de janeiro, financeiramente, o maior perigo de dezembro é a falsa sensação de liquidez. O aumento de entradas no fim do ano pode mascarar os compromissos pesados do início do próximo.
O empresário prudente não retira o excedente de caixa de dezembro como distribuição de lucros imediata. A prioridade deve ser provisionar os custos fixos e sazonais do início de 2026: eventuais rescisões pós-período de experiência, renovação de licenças de software, seguros, IPVA de frota e taxas de conselhos de classe (CREA, CRM, OAB, etc.). Começar o ano recorrendo à antecipação de recebíveis (pagando juros ao banco) para cobrir despesas previsíveis é um sinal de má gestão que corrói a rentabilidade.

Encerrar bem o ano de 2025 exige frieza nos números e calor nas vendas. É o momento de alinhar a estratégia com o departamento fiscal, rever contratos de fornecedores e definir o orçamento base zero para o próximo ciclo.
Não espere o carnaval passar. O sucesso financeiro da sua empresa em 2026 está sendo escrito nas planilhas e reuniões destas últimas semanas de dezembro.
Por: Douglas Rayzer
Contador . RB Inteligência Corporativa
Contato: (49) 99907.8738
*Coluna ‘Evoluir Empresarial, publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1907 de 04 de dezembro de 2025.


