Além do acervo físico, local também mantém um trabalho de preservação fotográfica da história do município.
O Memorial Virtual do Galpão Caipora Viu será oficialmente lançado no dia 1º de março, às 19h, em evento gratuito e aberto à comunidade no Clube Anos Dourados, no bairro Nossa Senhora de Lourdes, em Campos Novos.
O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, 18 de fevereiro, no próprio galpão, ocasião em que foram apresentados à imprensa os resultados do processo de digitalização do acervo e oficializado o convite à comunidade para o lançamento, que contará com apresentação do cantor tradicionalista Carlos Magrão.
Disponível no endereço eletrônico www.galpaocaiporaviu.com.br, o memorial reúne mais de 1,2 mil peças catalogadas, pertencentes ao acervo do colecionador Benito Zandoná e preservadas em um galpão construído junto à sua residência.
O lançamento encerra cerca de um ano de trabalho, período em que foram desenvolvidas a identidade visual do projeto, redes sociais, estrutura do site, catalogação dos objetos e ações de divulgação.
Durante a coletiva, Benito relembrou que a origem do acervo está diretamente ligada à convivência com o avô, Júlio Granzotto, responsável por despertar o interesse pela preservação de objetos antigos.
Segundo ele, o familiar tinha o hábito de recolher peças encontradas em propriedades rurais ou descartadas, levando-as para casa e mantendo-as expostas.
Após o falecimento do avô, parte dos objetos começou a desaparecer, retirada por familiares e conhecidos. Foi então que a avó decidiu transferir o material para a residência de Benito como forma de preservação. As peças permaneceram guardadas por anos em sacos, armazenadas sob o porão da casa, até que surgiu a ideia de construir um espaço adequado.
HISTÓRIA
A estrutura do galpão começou a ser erguida em 2007, a partir de incentivo familiar. A madeira utilizada foi doada por uma serraria local, cujo proprietário acreditou na proposta e optou por não cobrar pelo material. Inicialmente planejado como um espaço pequeno e voltado à convivência familiar, o local passou por ampliações sucessivas conforme o acervo crescia.
Grande parte das peças chegou por meio de doações espontâneas. Visitantes passaram a levar objetos herdados de familiares ou encontrados em propriedades rurais, contribuindo para ampliar a coleção. Benito destacou que mantém as portas abertas para visitação e para quem deseja contribuir com novas doações.
O colecionador relatou ainda que costuma visitar residências após o falecimento de moradores idosos, quando percebe que objetos históricos acabam sendo descartados junto a entulhos.
Nessas ocasiões, realiza uma espécie de garimpagem para resgatar itens ligados à memória das famílias e aos costumes do passado.
Cada nova peça recebida, conforme explicou, representa uma conquista pessoal. Muitas delas são restauradas por ele próprio antes de integrarem o acervo.
O nome Galpão Caipora Viu é uma homenagem ao avô, conhecido pelo apelido de Caipora e pela expressão utilizada com frequência no cotidiano familiar. Conforme relatou, foi a partir dessa convivência que nasceu o interesse pela preservação da memória local.
O espaço, inicialmente pensado para uso íntimo, passou a receber visitantes espontaneamente. Escolas, excursões, moradores da região e turistas estrangeiros passaram a procurar o galpão. Segundo Benito, é comum que pessoas idosas se emocionem ao reconhecer objetos ligados à vida no campo e às antigas rotinas familiares.
Além do acervo físico, ele também mantém um trabalho de preservação fotográfica da história do município, reunindo mais de 12 mil imagens antigas e tendo publicado um livro com mais de 300 fotografias relacionadas à memória local.
DESTAQUE
A diretora-presidente do Instituto Humaniza, Magna Tessaro, explicou que a parceria com o espaço teve início a partir de projetos culturais anteriores, como o Encontro de Gaiteiros, quando a equipe conheceu a dimensão do acervo e identificou a necessidade de preservação digital.
Segundo ela, o memorial reúne peças relacionadas ao tropeirismo, à cultura regional e às histórias de famílias tradicionais do município.
A proposta de digitalização ganhou força após enchentes registradas no Rio Grande do Sul, que resultaram na perda de acervos históricos em museus, evidenciando a importância de preservar conteúdos também em formato digital.
O projeto foi elaborado e aprovado pela Fundação Catarinense de Cultura, por meio do Programa de Incentivo à Cultura (PIC). Após a autorização para captação de recursos, a Celesc financiou integralmente a iniciativa.
O trabalho envolveu a contratação de profissionais de marketing, fotógrafos e apoio de historiadores para registrar e organizar o material.
Ao todo, as mais de 1,2 mil peças foram fotografadas, catalogadas e inseridas no site com as informações históricas disponíveis.
Magna destacou que o desenvolvimento ocorreu dentro do prazo de 12 meses previsto no projeto.
Durante esse período foram realizadas fotografias, organização documental, produção de conteúdos e criação da plataforma digital. A manutenção do site já está garantida por cinco anos.
De acordo com ela, o objetivo é permitir que estudantes, pesquisadores e visitantes tenham acesso ao acervo de qualquer lugar do mundo, ampliando a preservação da memória cultural.
O lançamento oficial também integra a abertura das comemorações do aniversário do município.
Durante o evento, o público poderá acompanhar a apresentação do memorial em telão, seguida do show musical. A programação terá caráter familiar e cultural, celebrando a memória, a identidade e a história local e regional.
Magna Tessaro reforçou o convite para que a comunidade participe do momento, destacando a importância da imprensa e da população no processo de valorização da cultura.
O projeto é viabilizado pelo Programa de Incentivo à Cultura, com incentivo da Celesc, apoio da Fundação Catarinense de Cultura e do Governo do Estado de Santa Catarina, sob coordenação do Instituto Humaniza.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1917 de 26 de março de 2026.


