Casos de gripe crescem em Campos Novos

Baixa procura por vacinação preocupa o município.

Campos Novos acompanha um cenário já observado em Santa Catarina: o aumento dos casos de gripe e síndromes respiratórias. Dados do sistema municipal GMUS apontam 244 atendimentos registrados desde janeiro de 2026 relacionados a quadros gripais e infecções respiratórias.

A maior circulação de vírus respiratórios já começa a refletir na rotina dos serviços de saúde do município, com crescimento da procura por consultas médicas, testes rápidos, avaliações clínicas e atendimentos em unidades básicas e serviços de emergência, de acordo com relato da técnica em Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Rosangela de Sá.

Rosangela de Sá

O avanço dos casos, conforme explica a coordenação de saúde, está diretamente associado ao período mais frio do ano. A permanência em ambientes fechados, muitas vezes com pouca ventilação e grande circulação de pessoas, favorece a transmissão dos vírus respiratórios. “Durante esta época ocorre um aumento natural da circulação viral, exigindo maior atenção da população e dos serviços de saúde”, destaca.

Apesar da elevação da demanda nas unidades de saúde, o município ainda não registra aumento expressivo de casos graves, internações ou necessidade elevada de transferências hospitalares relacionadas às síndromes respiratórias. Até o momento, Campos Novos também não contabiliza mortes por gripe.

A baixa procura pela vacinação é um cenário observado em todo o estado.

Com o fim da campanha nacional de vacinação, realizada entre 28 de abril e 30 de maio, Campos Novos passou a disponibilizar a vacina contra a gripe para toda a população desde 1º de junho, com o objetivo de ampliar a cobertura vacinal e alcançar um número maior de pessoas imunizadas.

Ainda segundo Rosangela, acredita-se que a disseminação de fake news sobre a vacinação seja um dos fatores que afastam a população da imunização. “Por meio das redes sociais e aplicativos de mensagens, circulam muitos textos e vídeos antivacina que colocam medo nas pessoas. Essas informações não são verdadeiras. A vacina é um dos principais meios de reduzir os sintomas gripais”, destaca.

A Vigilância Epidemiológica, no entanto, mantém monitoramento diário dos indicadores diante da preocupação de que o cenário possa se intensificar nas próximas semanas com o avanço do frio.

INFLUENZA A LIDERA CIRCULAÇÃO VIRAL

Além das síndromes gripais em geral, a Secretaria de Saúde observa aumento significativo da circulação do vírus Influenza A no município.

Outros vírus respiratórios também seguem ativos neste período, incluindo quadros de influenza por vírus identificados e casos em que o agente específico não é confirmado laboratorialmente.

Como muitos vírus apresentam sintomas semelhantes, como febre, tosse, dor no corpo, dor de garganta, coriza e mal-estar, a diferenciação clínica nem sempre é simples. Por isso, em diversos casos, são realizados testes rápidos e avaliação médica para definição adequada do diagnóstico.

Os casos aparecem em todas as faixas etárias, envolvendo crianças, adolescentes, adultos e idosos. Ainda assim, alguns grupos exigem atenção especial devido ao maior risco de complicações, entre eles idosos, crianças pequenas, gestantes, puérperas, pessoas com doenças crônicas e imunossuprimidos. Nestes pacientes, infecções respiratórias podem evoluir para complicações como pneumonia e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

BAIXA VACINAÇÃO PREOCUPA

Assim como ocorre em outras cidades catarinenses, Campos Novos enfrenta dificuldade para atingir as metas de cobertura vacinal contra a Influenza estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Mesmo com campanhas de conscientização, divulgação e mobilização das equipes de saúde, a adesão entre os grupos prioritários ainda é considerada abaixo do ideal.

A vacinação segue disponível para públicos definidos pelo Ministério da Saúde, incluindo crianças pequenas, idosos, gestantes, puérperas, profissionais da saúde, professores e pessoas com doenças crônicas.

A técnica em Epidemiologia reforça que uma dúvida comum da população é se pessoas vacinadas ainda podem pegar gripe. A resposta é sim. No entanto, o principal objetivo da vacina não é impedir completamente a infecção, mas reduzir significativamente o risco de formas graves da doença.

A imunização contribui para diminuir hospitalizações, complicações respiratórias, casos de pneumonia, Síndrome Respiratória Aguda Grave e óbitos, além de ajudar na redução da circulação viral.

CUIDADOS SIMPLES FAZEM A DIFERENÇA

Diante do aumento dos casos, a Secretaria de Saúde orienta a população a manter medidas básicas de prevenção, especialmente durante o período de maior circulação viral.

Entre os cuidados recomendados estão manter a vacinação em dia, higienizar frequentemente as mãos, cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, evitar tocar olhos, nariz e boca sem higienização adequada, manter ambientes ventilados e evitar aglomerações.

O uso de máscara em caso de sintomas gripais, permanecer em casa quando estiver doente, boa hidratação e alimentação equilibrada também estão entre as recomendações.

O principal alerta da saúde municipal é para que a população não subestime sintomas respiratórios persistentes. Febre elevada, dificuldade para respirar ou sinais de agravamento devem motivar procura rápida por atendimento médico.

Com a tendência de aumento das síndromes respiratórias nos meses mais frios, o município reforça que a prevenção continua sendo a principal estratégia para evitar agravamentos, reduzir internações e proteger os grupos mais vulneráveis.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1931 de 04 de junho de 2026.

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