Psicólogo explica a diferença entre a ansiedade natural, importante para a sobrevivência, e os casos em que o sentimento se torna incapacitante.
A ansiedade costuma ser vista como uma das grandes vilãs da vida moderna. No entanto, sentir-se ansioso diante de situações importantes não apenas é normal, como também faz parte dos mecanismos de proteção do próprio ser humano. O problema surge quando esse sentimento deixa de ser passageiro e passa a comprometer a rotina, os relacionamentos e a qualidade de vida.
Segundo o psicólogo Edgard Andrade, a ansiedade é definida pela psicologia como um estado emocional voltado para o futuro. Em sua forma natural, ela funciona como um alerta, preparando o indivíduo para lidar com desafios e situações que exigem atenção. “Quando tenho uma prova, por exemplo, entro em estado de alerta e me preparo para aquilo.
A ansiedade faz parte do nosso instinto de sobrevivência”, explica. O alerta, segundo ele, está nos casos em que esse sentimento ultrapassa sua função natural e passa a dominar a vida da pessoa. “Ela se torna preocupante quando atinge graus incapacitantes e desorganiza a capacidade da pessoa de realizar suas atividades”, afirma.
O EXCESSO DE FUTURO
Para o psicólogo, uma das características da sociedade atual é a dificuldade de viver o presente. Cada vez mais pessoas projetam preocupações, medos e expectativas para situações que sequer aconteceram, alimentando um estado constante de tensão. “A ansiedade é uma preocupação voltada para o futuro. Muitas vezes a pessoa sofre por situações que nem chegaram a acontecer”, observa.
Edgard também relaciona o crescimento dos quadros de ansiedade à dificuldade de muitas pessoas em encontrar sentido e propósito para a própria vida. Inspirado nos estudos do psiquiatra Viktor Frankl, criador da logoterapia, ele defende que a busca por significado ajuda o ser humano a enfrentar as dificuldades inevitáveis da existência. “O sofrimento faz parte da vida. O problema não é sofrer, mas não encontrar um motivo que dê sentido àquilo que estamos vivendo.”
REDES SOCIAIS E CRIANÇAS EM ALERTA PERMANENTE
Outro fator apontado pelo psicólogo é o impacto das redes sociais, especialmente entre crianças e adolescentes. Segundo ele, a exposição constante a estímulos digitais pode contribuir para o aumento da ansiedade, da dificuldade de concentração e de problemas relacionados ao desenvolvimento emocional.
“Hoje temos crianças e adolescentes impactados pelo excesso de futuro. Elas passam horas consumindo conteúdos que geram comparação, expectativa e necessidade de se encaixar em determinados padrões.”
Edgard alerta que o uso cada vez mais precoce dos celulares também merece atenção. “Crianças de seis ou sete anos já possuem autonomia no uso do celular e estão expostas a uma quantidade de estímulos que muitas vezes nem os adultos conseguem administrar.”
Para ele, embora a tecnologia faça parte da realidade atual, cabe às famílias estabelecer limites e acompanhar o uso das telas.
NEM TODA ANSIEDADE É DOENÇA
Apesar do aumento dos diagnósticos relacionados à saúde mental, o psicólogo destaca que nem toda ansiedade representa um transtorno. Ele lembra que existem casos ligados a fatores biológicos e neuroquímicos que exigem acompanhamento profissional, mas ressalta que a simples presença da ansiedade não deve ser encarada como sinal de doença.
“Não podemos negar que existem desregulações químicas importantes. Mas também não podemos reduzir o ser humano apenas a isso. Cada pessoa possui uma história, um contexto e uma realidade que precisam ser considerados.”
A principal diferença está no impacto causado pelo sentimento. Enquanto a ansiedade natural ajuda na adaptação e na proteção diante dos desafios, a ansiedade patológica interfere diretamente na capacidade da pessoa de viver sua rotina de forma saudável e equilibrada.
Projeto de palestras sobre saúde emocional terá novo encontro no dia 26
Iniciativa criada por lei municipal promove encontros gratuitos e reúne profissionais voluntários para orientar a população.
A Câmara de Vereadores de Campos Novos dará continuidade ao ciclo de palestras gratuitas “Encontro sobre Saúde Emocional e Propósito de Vida”, iniciativa instituída pela Lei Municipal nº 5.033/2026.
O próximo encontro já está confirmado para o dia 26 de junho, uma sexta-feira, dando sequência às ações voltadas à promoção da saúde emocional e ao acesso da comunidade a informações e orientações sobre qualidade de vida.
O projeto foi apresentado pelos vereadores Claudimir da Silva e Rodrigo Pedroso e aprovado por unanimidade pelo Legislativo.
A proposta prevê a realização de palestras mensais gratuitas, abordando temas relacionados à saúde emocional, educação e desenvolvimento pessoal, com a participação de profissionais convidados. Conforme a legislação, a programação e a organização dos encontros são coordenadas pelo gabinete do vereador Claudimir.
Segundo o vereador Claudimir, a iniciativa surgiu da necessidade de ampliar o debate sobre um tema que afeta cada vez mais pessoas. “Consideramos este projeto muito importante. Hoje, as doenças mentais afetam pessoas em todo o mundo e são consideradas por muitos como a doença do século. Todos os vereadores votaram favoravelmente e hoje temos esta lei”, destacou.
O parlamentar também comemorou a participação da comunidade no primeiro encontro realizado após a aprovação do projeto.
Um dos diferenciais da iniciativa é a participação voluntária dos profissionais envolvidos. De acordo com Claudimir, o projeto não gera custos para a Câmara de Vereadores e já desperta o interesse de outros especialistas que desejam contribuir.
“Os palestrantes irão participar de forma voluntária, ou seja, não há custo nenhum para a Câmara. Outros profissionais já procuraram a Câmara de Vereadores para contribuir para que o projeto seja uma realidade que vai ajudar as pessoas do município”, ressaltou.
A lei que instituiu o ciclo de palestras estabelece como objetivo promover educação, conscientização e acesso à informação para os cidadãos, utilizando diferentes espaços e ferramentas de divulgação para alcançar o maior número de participantes. As despesas relacionadas à realização dos encontros são custeadas por meio de parcerias.
A próxima palestra será no dia 26 de junho, com o pscicólogo, Edgar de Andrade, com o tema: Como educar filhos em tempos fracos: Limites, Caráter e Propótico para formar’, o evento acontece na Câmara às 19h.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1932 de 11 de junho de 2026.





