Programação inclui ações alusivas e seminário voltado principalmente para adolescentes.
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Campos Novos lançou, na última semana, a programação do Agosto Laranja, campanha voltada à conscientização, prevenção das deficiências e promoção da inclusão. O tema deste ano é “Inclusão em Movimento: Práticas de Saúde com Adolescentes para um Futuro Transformador”.
O mês de agosto marca o encerramento das ações iniciadas em fevereiro, com a realização de palestras nas escolas voltadas aos alunos do 9º ano. Durante o mês, a programação especial da Apae incluiu uma sessão solene na Câmara de Vereadores, e o II Seminário de Práticas de Promoção da Saúde – Inclusão em Movimento, ministrado pelo sociólogo e educador Guilherme Cechelero, ações na Praça Lauro Müller e atividades com os alunos da instituição.
Segundo a fisioterapeuta Andriele Manchain, a escolha dos adolescentes como foco da campanha não aconteceu por acaso. A faixa etária foi definida porque os jovens têm maior acesso à informação e estão em um momento importante de formação de valores e atitudes. “É a partir dessa idade que eles começam a construir a forma como enxergam a sociedade. Quanto mais cedo receberem informações sobre inclusão, respeito e prevenção, maior será o impacto para o futuro”, explicou.
O diretor da Apae, Luiz Augusto Souza, destacou que a campanha busca levar conhecimento à comunidade e reforçar que muitas situações podem ser evitadas quando existe orientação adequada. “A prevenção começa com informação. Nosso papel é levar esse conhecimento às famílias, às escolas e à comunidade para que elas saibam identificar sinais de atraso no desenvolvimento e procurem ajuda o quanto antes”, afirmou.
Ele lembra que a campanha ganhou ainda mais força em Campos Novos após a criação da Lei Municipal nº 4.639, de 2020, que oficializou o Agosto Laranja no calendário do município. Desde então, a Apae intensificou as ações de conscientização e, segundo o diretor, os resultados já podem ser percebidos. “Hoje chegam muito mais crianças pequenas para estimulação precoce. Antes, muitas famílias demoravam para buscar atendimento por falta de informação. Esse tempo faz toda a diferença no desenvolvimento da criança.”
PLANEJAMENTO E DIAGNÓSTICO PRECOCE
Em coletiva de imprensa realizada no dia 3 de agosto, a equipe da Apae também reforçou que a prevenção começa antes mesmo da gestação. Planejamento familiar, realização de exames, pré-natal adequado, vacinação e a não utilização de álcool e drogas durante a gravidez são alguns dos cuidados fundamentais para reduzir os riscos ao bebê.
Outro ponto destacado foi a importância do diagnóstico precoce. Conforme Andriele, os dois primeiros anos de vida representam o período de maior desenvolvimento cerebral da criança, tornando as intervenções muito mais eficazes.
“Quanto antes identificarmos um atraso, maiores serão as possibilidades de desenvolvimento. Uma criança atendida ainda nos primeiros meses aprende muito mais rapidamente do que aquela que chega aos cinco anos, quando vários padrões já estão estabelecidos.”
INCLUSÃO COMEÇA DENTRO DE CASA
Além da prevenção, a campanha também busca combater o preconceito e fortalecer a inclusão das pessoas com deficiência.
Para Luiz Augusto Souza, um dos maiores desafios ainda é o capacitismo, preconceito contra pessoas com deficiência, que muitas vezes começa dentro da própria família. “Às vezes a exclusão começa em casa, quando a família deixa de acreditar na capacidade do filho e passa a tratá-lo como um coitadinho. A pessoa com deficiência precisa de oportunidades, estímulos e autonomia.”
Segundo ele, a inclusão trouxe avanços importantes ao longo dos últimos anos. Hoje, alunos frequentam o ensino regular, ingressam no mercado de trabalho e conquistam independência, realidade bem diferente da vivida há duas décadas. “Quando cheguei à Apae, praticamente não havia alunos trabalhando. Hoje temos mais de uma dezena inseridos no mercado de trabalho. A inclusão faz bem para eles, para as famílias e para toda a sociedade.”
Ao longo do mês de agosto, a entidade pretende ampliar esse debate por meio das atividades programadas e reforçar que informação, acolhimento e participação da comunidade continuam sendo as principais para prevenir deficiências e construir uma sociedade mais inclusiva.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1940 de 06 de agosto de 2026.








