Brasil precisa de uma política externa competente

O agronegócio brasileiro alcançou uma dimensão econômica e estratégica que exige do País uma política externa à altura de sua importância. Produzir com eficiência continua sendo indispensável, mas, em uma economia mundial marcada por instabilidades geopolíticas, protecionismo e acirrada competição por mercados, é igualmente necessário construir pontes comerciais, diversificar destinos e celebrar acordos capazes de transformar nossa competitividade em resultados concretos.

A evolução das exportações agropecuárias demonstra a magnitude desse desafio. No início dos anos 2000, o agronegócio brasileiro exportava cerca de US$ 20 bilhões. Hoje, as vendas externas aproximam-se de US$ 170 bilhões e alcançam mais de 200 mercados. Esse extraordinário avanço consolidou o Brasil entre os grandes fornecedores mundiais de alimentos e ampliou, na mesma proporção, a responsabilidade da diplomacia econômica brasileira.

O desempenho recente reforça essa relevância. Em 2025, enquanto a economia brasileira registrou crescimento de 2,3%, o Produto Interno Bruto do agronegócio avançou 11,8%, segundo dados da Fundação Getulio Vargas. São números que evidenciam a capacidade do setor de gerar riqueza, movimentar cadeias produtivas, sustentar empregos e contribuir decisivamente para a balança comercial.

Entretanto, nenhum país está imune às turbulências internacionais. Conflitos no Oriente Médio, por exemplo, produzem efeitos que ultrapassam as fronteiras da região. A elevação dos custos energéticos repercute sobre fretes marítimos, transportes, fertilizantes e diversos outros insumos, pressionando custos e inflação. Nesse ambiente, política externa não pode limitar-se à representação protocolar: deve ser instrumento permanente de defesa dos interesses nacionais.

É fundamental intensificar negociações, eliminar barreiras, diversificar parceiros e estabelecer acordos comerciais equilibrados e satisfatórios. Nesse esforço, os adidos agrícolas exercem função estratégica. Pela complexidade e amplitude do agronegócio, esses profissionais são indispensáveis para prospectar oportunidades, acompanhar mercados, identificar produtos brasileiros com potencial de ingresso ou expansão em determinados países e fornecer inteligência comercial às cadeias produtivas. Também podem apoiar empresas e organizações brasileiras na compreensão de mercados internacionais de máquinas, equipamentos, tecnologias e insumos.

Ao mesmo tempo, a competitividade externa começa dentro de nossas fronteiras. O Brasil precisa enfrentar antigos entraves relacionados à mão de obra, à infraestrutura e ao ambiente regulatório, além de acelerar a incorporação tecnológica no campo. A próxima grande transformação da agropecuária será produzir mais, melhor e com menos recursos, elevando produtividade e sustentabilidade.

Temos competência produtiva, recursos naturais, conhecimento e capacidade empresarial. Precisamos acrescentar a esses atributos uma política externa profissional, pragmática, competente e orientada a resultados. Abrir mercados e preservá-los é tão estratégico quanto produzir. Em um mundo de incertezas, o Brasil não pode esperar pelas oportunidades: deve identificá-las, negociá-las e conquistá-las.

POR: JOSÉ ZEFERINO PEDROZO

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc)

e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

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