Projeto social ‘Fios de Esperança’ ajuda pessoas a enfrentar a perda capilar e recuperar a autoestima

Criada em Jaraguá do Sul, iniciativa já alcançou mais de 700 pessoas em três anos, com acolhimento e doação de perucas e próteses capilares personalizadas.

Carina Goedert, proprietária do Evidenc Instituto

Uma criança que deixou de frequentar a escola e de conviver com os amigos por causa da perda capilar foi o ponto de partida para uma iniciativa que hoje já alcançou mais de 700 pessoas. A história chegou até a cabeleireira Carina Goedert, proprietária do Evidenc Instituto de Beleza, em Jaraguá do Sul. Ao perceber que a criança não encontrava uma peruca personalizada, confortável e com aparência natural, ela decidiu buscar uma solução.

A partir daquela experiência, Carina começou a trabalhar com perucas e próteses capilares personalizadas. Logo, outras pessoas com alopecia também procuraram atendimento. Com o tempo, ficou evidente que muitas precisavam desse recurso, mas não tinham condições financeiras de adquiri-lo. Foi assim que nasceu o Projeto Fios de Esperança, voltado ao acolhimento e à doação de peças para pessoas que enfrentam a perda dos cabelos.

Com mais de 23 anos de atuação na área da beleza, Carina conta que sua própria experiência com a falta de cabelo e um acidente que sofreu aos 14 anos também fazem parte de sua motivação. No entanto, foi o encontro com aquela criança que transformou essa vivência em uma iniciativa de atendimento social.

Embora tenha sede em Jaraguá do Sul, o Fios de Esperança recebe pedidos de diferentes municípios de Santa Catarina e de outras regiões do país.

O atendimento começa com uma conversa para conhecer a história, as necessidades e a realidade financeira de cada pessoa. O projeto atende crianças, adolescentes e adultos com perda capilar decorrente de tratamentos oncológicos, alopecia, queimaduras e outras condições. Para quem é contemplado pelo atendimento social, a peruca ou prótese capilar é doada, sem cobrança pela peça. Cada solicitação passa por uma avaliação, considerando as necessidades individuais e os recursos disponíveis.

Para Carina, esse acompanhamento é importante porque a perda capilar não afeta apenas a aparência. A situação pode trazer insegurança e dificultar a convivência social, especialmente entre crianças e adolescentes. Por isso, o acolhimento e o respeito à história de cada pessoa fazem parte do trabalho.

COMO AJUDAR

Para manter as atividades, o projeto conta com a dedicação da equipe, a estrutura do salão, doações, ações solidárias e apoio de parceiros. A Evidenc Store, marca de camisetas com mensagens de fé, também destina parte da renda para a iniciativa.

Entre os desafios está o custo de transformar o cabelo doado em uma peça pronta. O processo exige materiais, mão de obra especializada, tempo de confecção e recursos para o envio. Por isso, empresas e pessoas físicas podem contribuir financeiramente, patrocinar a confecção de peças ou doar materiais necessários ao trabalho.

O projeto recebe cabelos a partir de 20 centímetros, com preferência por fios mais longos para a confecção de peças compridas. Antes de realizar o corte, a orientação é entrar em contato para receber as instruções de preparação e envio. As doações podem ser entregues pessoalmente ou encaminhadas pelos Correios.

Também são bem-vindas doações de tecidos para lenços, produtos para os cuidados com os cabelos e as peças, brinquedos para ações com crianças e serviços voluntários.

ATENDIMENTO E DOAÇÕES

Moradores de Campos Novos e dos municípios próximos que precisam de atendimento podem procurar o projeto pelo Instagram @evidenc.instituto e solicitar informações sobre o Fios de Esperança.

O primeiro contato permite que a equipe conheça a situação e oriente sobre as etapas seguintes. Quando necessário, a avaliação pode ser feita por chamada de vídeo, com orientações para tirar as medidas da cabeça. Depois da confecção, a peça pode ser enviada pelos Correios.

O mesmo canal pode ser utilizado por quem deseja doar cabelo, contribuir com materiais ou conhecer outras formas de participação.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1951 de 22 de Outubro de 2026.

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