Afinal o que é a cultura do estupro?

Nos últimos dias, no Facebook, usuários promoveram uma campanha contra a violência sexual com o uso de um avatar (imagem principal do perfil) que diz “Eu luto pelo fim da cultura do estupro”. No Twitter, a hashtag #EstuproNãoÉCulpadaVítima foi o segundo assunto mais comentado do Brasil.

Drialli Dalazen
Drialli Dalazen

O termo cultura do estupro deriva de “rape culture” e que foi cunhado por feministas nos Estados Unidos na década de 70. Dela faz parte a culpabilização por parte da sociedade das vítimas – mulheres que fazem por merecer os ataques que sofrem usando roupas curtas e decotadas, andando em más companhias e consumindo bebidas alcóolicas em festas que não deveriam frequentar se fossem moças de família. Está presente nas leis, na linguagem, nas imagens comerciais e em uma série de fenômenos.

O problema não é trivial porque, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, é um dos fatores para a alta a taxa de subnotificação do estupro. A entidade estima que apenas 30% a 35% dos casos são registrados. Contabilizando só os episódios denunciados, o crime acontece a cada 11 minutos no Brasil.

A cultura do estupro é o que deixa essas coisas aconteceram, porque fecha os olhos. A impunidade em relação aos estupradores termina legitimando esse tipo de comportamento, já que não há nenhuma sanção em relação a isso”, explica a professora da Ufba Márcia Tavares, integrante do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Mulher (Neim) e coordenadora do Observatório da Lei Maria da Penha.

A garota carioca de 16 anos, cujas imagens de agressão sexual foram compartilhadas na Internet recebeu solidariedade nas redes sociais, mas não apenas isso. Junto com o apoio vieram muitas ameaças. No seu depoimento ela afirma que o delegado, responsável pela investigação até então, fez perguntas em que a colocava como culpada da situação, pedindo se tinha por hábito fazer esse tipo de coisa.  Isso acarretou na substituição do mesmo pela delegada Cristiana Bento, que assumiu no domingo (29) o trabalho. Ela afirmou ter pedido a prisão temporária de seis suspeitos de envolvimento no crime e afirmou que já havia indícios suficientes para justificar o pedido. “O vídeo prova o abuso sexual”.

Diga não a cultura do estupro, a vítima precisa da sua ajuda e não do seu julgamento.

Fonte: El Pais

Por: Drialli Dalazen – Publicitária

*Coluna publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1431 de 2 de Junho de 2016.

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