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Processo de Luto

1438796516-artigo-siteLuto é um processo vivenciado por inúmeras perdas ao longo da vida, morte de um familiar, de um amigo, de um animal de estimação, perda de um membro do corpo (amputação), aborto, adoecimento, transições ao longo do ciclo vital (adolescência, adulto, casamento, separações). Nesta ocasião, vamos discutir as características do Luto por morte.

Quando esse processo acontece pela perda de alguém, a maneira de vivenciar o luto pode ser alterada por alguns fatores, como: a natureza da relação com a pessoa que morreu, circunstâncias da morte, rede de apoio do enlutado, personalidade do enlutado, contexto cultural do enlutado, contexto religioso e espiritual do enlutado, outras crises, perdas ou situações de estresse na vida deste enlutado, a experiência com os rituais de luto, entre outros.

Neste processo também ocorrem algumas semelhanças vivenciadas por esses indivíduos, há fases do luto, elaborada e adaptada por cada um, pois elas não acontecem de maneira sequencial, mas sim, de acordo com o contexto do enlutado, sendo elas: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Vamos analisar cada uma delas:

– Negação: é usar recursos para afastar a realidade, com o objetivo de que essa morte não tivesse acontecido;

-Raiva: é comum o enlutado procurar um culpado/responsável pela morte e pela sua dor, oscilando entre os sentimentos de raiva e culpa.

-Barganha: barganhar é tentar negociar com o destino, é ainda achar que ele pode ou poderia ter sido alterado pelo sujeito, o enlutado nesta fase, tem dificuldade de abrir mão do controle.

-Depressão: é a fase que se convive melhor com o não controlar o destino, reconhecendo as limitações humanas, sendo assim, se deprime, tem momentos de reflexão e isolamento.

-Aceitação: é a sensação de adaptar-se sem a presença física da pessoa que morreu se permitindo falar sobre a morte, no entanto, não é não sentir dor ou esquecer a morte, mas sim, modificar o espaço da dor dentro do individuo, ressaltando os aspectos positivos da relação vivida.

Sendo assim, essas fases podem ser vividas em um único dia embaralhadas, podem também se apresentar bem dividas e definidas, dependendo assim, do contexto individual do enlutado, pois essas particularidades também são consideradas nos vínculos que estabelecemos, assim, nas condições da dor pela perda daqueles que amamos, interferindo na duração e na intensidade vivenciada pelo enlutado, pela família, pelos amigos, pela comunidade.

Ter um espaço para vivenciar o luto, na vida social, familiar, profissional e em outros campos é um direito de quem perde alguém, pois este processo é necessário para a reconstrução do lugar do individuo, da sua história e do aprendizado que essa vivência proporcionou ao individuo. Outro fator para alterar nossa forma de dirigir-se ao luto é quando verbalizamos que precisamos superar o luto, o indicado é que o enlutado mergulhe nesses sentimentos para assim viver o processo de luto, não apenas, superá-lo.

Diante da dúvida de quanto tempo o luto pode perdurar não se tem algo definido como padrão, pois essa perda é influenciada por tantos fatores, os quais alguns discutimos neste texto, e ainda, de como esse enlutado vai mergulhar nesse processo, mas precisamos destacar que o primeiro ano será marcado por desafios, pois o enlutado é exposto a viver datas comemorativas, como aniversário do ente querido, dos familiares, natal, data da morte, esse processo ou esse mergulho será mais intenso neste percurso, no entanto, não tem data de término, pois a vida vai continuar desafiando e exigindo amadurecer esses sentimentos.

Diante do Luto, o que necessita ficar claro é que não conseguimos nos preparar para enfrentar a morte de quem amamos, mas que esse fato vai acontecer e que, quando acontecer, precisamos ter consciência que é necessário sentir, viver esse processo, para que as fases experimentadas de forma e intensidade individualizada, e para que possamos alcançar, sem padrões, a adaptação com a morte, com a perda e com a saudade dos nossos entes amados. No entanto, se sentir dificuldade, bloqueio, ou qualquer outro desconforto diante do processo de Luto, é necessário e indicado contar com os Profissionais Psicólogos, que vão dar apoio, escuta e orientações para auxiliar o(s) enlutado(s).

Psicóloga Flavia Darold- Intervenções em Luto, Separações e Perdas.
Integrante do Núcleo de Psicologia da ACIRCAN

*Artigo publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1443 de 25 de agosto de 2016.

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