60 a 70% das mortes súbitas ocorrem fora dos hospitais

Cardiologista fala sobre causas que podem levar à morte súbita por parada cardiorrespiratória.

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João Alípio Fortuna

A morte do bombeiro comunitário João Alípio Fortuna, aos 25 anos de idade, durante um jogo do 2° Torneio de Futebol da PM, Taça Soldado Carniel, na manhã de sexta-feira, 14, por parada cardiorrespiratória, gerou grande comoção entre a comunidade camponovense.

Fortuna foi prontamente atendido em campo por Bombeiros Militares e pelo técnico de enfermagem do SAMU, que participavam do evento esportivo, porém, não foi possível reverter o quadro e ele veio a falecer durante o trajeto ao Hospital Dr. José Athanázio, pois segundo nota divulgada pelo Corpo de Bombeiros, o jovem já apresentava histórico de problemas cardíacos.

Aos 11 anos de idade ele fez parte da 1ª turma de Bombeiro Mirim de Campos Novos, posteriormente fez o curso de Bombeiro Comunitário e atuava junto com as guarnições nos resgates, incêndios e atendimentos pré-hospitalares.

A reportagem do Jornal O Celeiro conversou nesta semana com o cardiologista Josmar Portugal Vaz, sobre as possíveis causas de morte súbita por parada cardiorrespiratória. Segundo o médico, as causas podem estar ou não relacionadas a problemas cardíacos.

Entre as causas que não estão relacionadas a doenças cardíacas e que podem provocar morte súbita por parada cardiorrespiratória estão o Acidente Vascular Cerebral (AVC), Epilepsia e Embolia Pulmonar.

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Josmar Portugal Vaz

Nas causas relacionadas a doenças do coração, em pacientes jovens, informou Josmar Portugal Vaz, a causa mais comum de morte súbita é a Cardiomiopatia Hipertrófica. “Quando o paciente é jovem, geralmente a causa cardíaca dele é uma doença do músculo, uma doença estrutural e a mais comum chama Cardiomiopatia Hipertrófica, que vai acometer o paciente jovem de morte súbita. Então essa cardiomiopatia hipertrófica é o crescimento do músculo cardíaco que propicia a uma arritmia e provoca a fibrilação, ou seja, o coração bate muito depressa, faz uma taquicardia e começa a tremer, deixando de enviar sangue para o cérebro e o paciente sofre uma queda. Se não for feito o atendimento no momento da crise com o uso desfibrilador para tentar reverter a arritmia, pode ocorrer o óbito. Se o atendimento for imediato, entre 3 a 5 minutos, muitos destes pacientes podem ser recuperados, porque 60% a 70% morrem fora do hospital, em ambiente público”, esclareceu.

Entre outras causas relacionadas a doenças cardíacas que podem provocar morte súbita estão a miocardite, que é o nome dado à inflamação do músculo do coração, chamado de miocárdio; a estenose aórtica, que é um estreitamento da válvula aórtica, que é a que permite o fluxo de sangue desde o ventrículo esquerdo do coração até a aorta, e dela para o corpo e ainda; a displasia arritmogênica do ventrículo direito.

Acima de 35 a 40 anos, o maior risco é a doença coronária, o infarto agudo do miocárdio. “A pessoa tem placas de gordura nas artérias do coração e quando você faz uma atividade física o coração bate mais depressa e esta placa tem tendência a fechar, porque diminui o fluxo de oxigênio para o coração, a pessoa tem dor, porque que o coração dói na maioria dos pacientes. Essa dor e provoca uma arritmia, o coração falha, faz a taquicardia ventricular e fibrilação e você tem que fazer o choque”, orientou.

Atividade física e prevenção

Conforme Josmar Portugal Vaz não existe no Brasil, uma normativa padrão que defina que tipo de exames devem ser feitos antes de praticar uma atividade física. Porém, a recomendação é que se faça uma consulta clínica detalhada antes de iniciar a atividade. “Não existe uma normativa no Brasil, único país que existe uma normativa para atividade física é na Itália. O que se recomenda no Brasil, é que antes de praticar uma atividade física constante, que você faça uma consulta clínica detalhada para verificar qual seu condicionamento geral”, recomendou.

A atividade física é recomendada como forma de qualidade de vida, porém, a avaliação clínica é importante, além do controle de outras doenças, como diabetes e hipertensão arterial, por exemplo.

Conforme o cardiologista, a ocorrência morte súbita são mais comuns entre os homens, em 75% dos casos, e o risco aumenta com a idade.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1451 de 20 de Outubro de 2016.

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Jornal Celeiro
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