O lar é inviolável! Em que circunstância um profissional pode acessar os segredos, os sentimentos ou, questionar a maneira de viver, de cuidar, de amar de uma família?
A família do ponto de vista do indivíduo e da cultura é um grupo tão importante que, na sua ausência, dizemos que a criança ou o adolescente precisam de uma “família substituta” ou devem ser abrigados em uma instituição que cumpra as funções materna e paterna, isto é, as funções de cuidado e de transmissão dos valores e normas culturais. Portanto, inexistindo a família de origem, outro grupo deverá dar conta de sua função. A família é a primeira responsável pelo bem estar biopsicossocial de seus membros, ela ainda tem o poder de decidir sob quaisquer circunstâncias o que pode acontecer com este indivíduo, até mesmo ao se tratar de questões relacionadas à vida ou à morte.
Nos dias atuais, percebemos falhas extremamente graves quando nos referimos aos cuidados que precisam ser dispensados pelos poderes público e judiciário às famílias, o que dificulta a atuação profissional diante das mais variadas situações vivenciadas por elas. Diante disso, em que momento as equipes multiprofissionais podem influenciar na dinâmica familiar?
A resposta seria: sempre que a família autorizar, porém, dentro deste contexto, existem situações adversas que podem interferir nos vários aspectos da vida de seus membros, e aí, existe a necessidade de o estado intervir para garantir os direitos constitucionais de todos os seres humanos, considerando a intervenção do estado ser de fundamental importância nas relações familiares principalmente, quando envolve crianças e adolescentes para que os mesmos se desenvolvam em um ambiente harmonioso. Este tipo de trabalho exige uma compreensão da realidade social e histórica dos sujeitos, e não se deve limitar ao aspecto individual e particular, mas sim, buscar uma visão holística baseada nas relações que permeiam o cotidiano. E, é assim que se pretende contribuir para a melhoria na qualidade de vida dos sujeitos.
Nos últimos anos, percebe-se que as famílias vêm passando por significativas transformações em sua constituição, função e finalidade, porém ela continua sendo a mais importante instituição de formação do ser humano. Cabe ressaltar que a psicologia no âmbito social, tem contribuído muito na potencialização da família como unidade de referência, fortalecendo seus vínculos internos e externos de solidariedade através do protagonismo de seus membros, inserida num conjunto de serviços locais que visam à convivência e à socialização na tentativa de não haver rompidos seus vínculos.
Psicóloga Simone Carina Schmidt – CRP 12/09911.
Integrante do Núcleo de Psicologia da ACIRCAN
*Artigo publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1448 de 29 de setembro de 2016.


