A utilização, recrutamento ou a oferta de crianças para a realização de atividade ilícitas, em particular a produção e o tráfico de entorpecentes, são considerados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) uma das piores formas de trabalho infantil.
Por que as crianças estão entrando cada vez mais cedo no tráfico de drogas? Uma realidade que cresce a cada dia não só em Campos Novos, mas em todo o país. Notícias envolvendo meninos e adolescentes no tráfico ou mesmo a abordagem de usuários, são frequentes em nosso município.
Creio que para entender este fenômeno, considerado um problema de saúde pública pelas autoridades policiais, é preciso ir além. É necessário conhecer o espaço comunitário onde estes meninos estão inseridos e identificar o que os leva a se ocuparem com a criminalidade, ao invés de outras atividades, esportivas e culturais, por exemplo. Muitos abandonam a escola cedo, não chegando nem a concluir o ensino médio.
Foi em busca destas respostas que a reportagem do Jornal O Celeiro ouviu autoridades do meio policial e Ministério Público, que são as pessoas que estão diariamente convivendo com esta realidade, a de prevenir e reprimir o tráfico de entorpecentes e dar o encaminhamento devido a quem tem na atividade ilícita um meio de vida.
Para eles, a busca pelo dinheiro fácil, a desestrutura familiar e a vulnerabilidade social são fatores que contribuem diretamente para esta realidade do envolvimento de crianças no tráfico de drogas. E justamente por ser uma atividade ilícita, a exploração de crianças e adolescentes por traficantes é considerada uma das piores formas de trabalho infantil. Aliado a isso, existe a dependência química, o que para muitos se torna a principal motivação de se manter na traficância e a cometer outros crimes como furtos, roubos e homicídios.
Culpa da família? Faltam políticas públicas? O que está motivando nossas crianças a buscarem na criminalidade um meio de vida? A escolherem as ruas e colocarem a vida em risco por meio de atividades ilícitas como o tráfico de drogas?
É fato que muitas dessas crianças e adolescentes já passaram por violações nos eixos familiar e comunitário, como também é fato que muitos mesmo antes da maioridade já estão num caminho sem volta e se tornam uma ameaça tão grande que precisam ser retirados do convício social e encaminhados para os Centros de Atendimento Socioeducativo Provisório (CASEP).
Vale a reflexão.
*Editorial publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1467 de 23 de Fevereiro de 2017.


