Embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha desde 2006, ainda assim, a violência contra as mulheres é sistemática. Violência que inicia cedo, na infância e adolescência, casos que vão desde assédio, violência psicológica a extremos como a violência física e sexual, e até assassinatos.
As mulheres brasileiras sofrem mais violência dentro de seus lares do que nas ruas, grande parte envolvendo maridos e ex-maridos. A violência doméstica contra mulheres é diária, está presente no nosso cotidiano e independe de raça, classe social ou religião.
Casos de estupro, assédio sexual, lesão corporal, cárcere privado e assassinato acontecem aqui, na nossa cidade, os registros da Polícia estão aí para comprovar. É uma violência que não cessa.
É preciso falar de machismo e cultura do estupro, temas tão presentes e silenciados. A denúncia tem que acontecer. Nós pais, precisamos conversar com nossos filhos e filhas sobre consentimento, visto que a naturalização da violência contra a mulher é explicita.
Tão explícita que na maioria dos casos, muitos homens não acham que cometeram um ato violento, quando o fazem sem o consentimento da mulher, seja ela sua namorada ou esposa. Uma cultura machista dificulta ainda o acolhimento das vítimas pela polícia, porque muitas mulheres mesmo nos dias de hoje, em alguns casos se consideram culpadas ao dizerem “NÃO” ao companheiro.
Gente, o que caracteriza a violência sexual ou o estupro é sim a ausência de “CONSENTIMENTO”. Não interessa a circunstância, se a mulher diz “NÃO” e mesmo assim o ato sexual acontece, a violência já está caracterizada.
É preciso combater a cultura do estupro e isto vale tanto para homens, quanto para as mulheres. Ninguém tem direito de emitir qualquer comentário malicioso a uma mulher pela roupa que está usando, pela sua maquiagem ou qualquer outro ato de vaidade.
E ficam aqui registrados mais alguns exemplos do incentivo à cultura do estupro para reflexão: a ideia equivocada de que mulher não presta, de que provoca o homem, que merece apanhar mesmo e de que vale menos que o homem. A ideia de que a mulher é a rainha do lar, de que é frágil e de que o papel do homem é cuidar dela.
Gente, tudo começa pelo respeito!
Por Antônia Claudete Martins – Editora Chefe
*Editorial publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1474 de 13 de abril de 2017.


