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“Os últimos e os primeiros”

Antonio Gavazzoni

Quando a crise nacional começou a mostrar seus efeitos práticos dizíamos, nas entrevistas, que Santa Catarina não passaria ilesa pelos efeitos negativos da retração econômica, mas que seria o último estado a senti-los. Também sabíamos que, passado o pior momento, seríamos os primeiros a mostrar os sinais da retomada. Não se trata de ter bola de cristal ou de achar que éramos melhores que os outros. Mas Santa Catarina tinha um diferencial competitivo imbatível: nosso estado estava melhor preparado, mesmo sem saber que a crise viria.

Por muitos anos, Santa Catarina arrecadou acima da inflação, investiu em segurança jurídica para atrair e manter empresas, desenvolveu e patenteou sistemas de gestão fiscal copiados por vários estados. Formamos um “colchão” bastante substancial que nos permitiu prever que seríamos o último estado a entrar na crise e o primeiro a sair dela.

O principal indicador a confirmar isso foi o saldo de empregos: ao longo de todo o ano passado mantivemos a menor taxa de desemprego do Brasil. O motivo: não aumentamos impostos e, por conta disso, mantivemos investimentos. Foi um ciclo virtuoso que fez toda a diferença. Agora, em 2017, vamos começar a colher os frutos dessas sementes plantadas lá atrás. Enquanto muitos estados ainda amargam a quebradeira e a fuga de investimentos, temos nada menos que 33 grandes empresas em negociação para possível instalação no Estado. Em efetivados esses negócios, estaremos falando de 6,2 mil empregos diretos e investimentos próximos dos R$6 bilhões. A decisão sobre um local para um grande investimento leva em conta diversas variáveis, especialmente a estabilidade – mão de obra confiável, benefícios fiscais consolidados, qualidade de vida. Santa Catarina tem conseguido este precioso equilíbrio.

Temos muito que evoluir e melhorar, tanto nos aspectos econômicos quanto nos sociais. Mas estamos fazendo bem o dever de casa. A arrecadação no primeiro trimestre do ano ainda traz resquícios dos mais de dois anos de retrocesso no movimento econômico, mas aponta uma tendência importante de retomada. Em fevereiro, pela primeira vez em 18 meses, a arrecadação em Santa Catarina empatou com a inflação. Vínhamos abaixo desde agosto de 2015. Em março, a situação se repetiu.

Se o Estado está conseguindo manter seus serviços e investimentos mesmo com toda a conjuntura nacional, podemos imaginar o que será quando o país voltar ao rumo do desenvolvimento. Se estiverem certas as apostas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil deverá sair da maior recessão das últimas décadas ainda neste ano, segundo relatório divulgado neste mês de abril. A previsão do Fundo é que o PIB cresça 0,2% em 2017 e 1,7% em 2018. A recuperação da economia será, segundo o FMI, fruto da redução da incerteza política, da queda dos juros e do progresso na agenda das reformas no Brasil.

O país passa por uma “faxina” que pode quebrar alguns móveis, mas que é necessária para deixar o caminho limpo para a retomada do desenvolvimento. Já mostramos que estamos prontos para ajudar. A nossa “casa” está arrumada para receber aqueles que aqui quiserem investir.

Por: Antonio Gavazzoni, Doutor em Direito Público
Secretário de Estado da Fazenda
contatogavazzoni@gmail.com

*Coluna publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1476 de 27 de abril de 2017.

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