Abandonado pelo pai ainda na barriga da mãe, hoje com duas filhas, Marcos Piangers lota o Centro de Eventos Galpão Criolo e emociona com sua história de vida.
Bem-sucedido como escritor e como papai da Anita e da Aurora, Marcos Piangers esteve em Campos Novos na noite dessa quarta-feira (16), onde ministrou a palestra O Papai é Pop. O encontro teve base no livro que já vendeu mais de 100 mil cópias, no qual Piangers fala do aprendizado diário ao lado das filhas e da mulher. Com o tom leve e bem-humorado proposto pelo autor, a palestra promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), lotou o Centro de Eventos Galpão Crioulo.
Marcos disse se sentir feliz por estar em Campos Novos, pelo convite da CDL, ser bem recebido pela cidade e esperançoso que a mensagem de uma família mais estruturada, mais unida, com pais mais participativos, homens que se redesenhem e se encontrem nesse ambiente familiar. “Acredito que um homem que participa da vida dos filhos é também um cara mais criativo, uma pessoa que consegue perceber beleza ao seu redor, encantamento e é uma pessoa que consegue trazer equilíbrio para sua vida profissional, tendo a percepção de que a vida familiar pode ser divertida, pode ser interessante e descontraída. Essa é uma percepção que eu tento trazer para as pessoas”, conta Marcos.
Quando teve sua primeira filha em 2005, por conta da relação com o bebê ele anotava tudo o que ela dizia e fazia. Tudo relacionado à sua família era documentado num processo jornalístico. Piangers já fazia o Pretinho Básico como continua até hoje, trabalhou para Fátima Bernardes no ano passado, sempre produzindo conteúdo, escrevendo para jornal. Mas não deixou de documentar a vida de um “pai de primeira viagem”. “As coisas aconteceram de uma forma muito natural, o livro não foi planejado, ele é uma compilação de crônicas que eu já vinha escrevendo, a editora ligou pra mim e eu achei interessante lançar o livro como se fosse uma fotografia da nossa família, um documento que estivesse ali marcando os momentos que passávamos”, destacou o jornalista.
O livro vendeu muito mais que o esperado, foram em média 150 mil cópias. Foi pra Portugal, Catalunha, Espanha, Estados Unidos, Londres, traduzido para o inglês e agora Marcos foi chamado para ir ao Japão apresentar sua obra. Então a mensagem vai para o mundo tudo, resultado que ele não esperava, o que mostra claramente que o povo gosta e se identifica com o ele apresenta em seu livro. A obra fala do distanciamento entre pais e filhos, da terceirização da educação como ele chama, dando tablets, celulares, equipamentos eletrônicos, que supram a necessidade de atenção. Uma forma para que os pais consigam trabalhar mais, sem precisar dar muita atenção aos filhos.
O processo para começar a ministrar palestras sobre a vida dele e suas experiências foi muito natural, pois já atuava com palestras inovação e criatividade. Não foi difícil a abordagem quando as pessoas começaram a perguntar sobre o livro, tudo o que aconteceu com a família dele. Ele conta que foi um processo gostoso, dar palestras onde ele falava da sua maior paixão: Ser Pai e ter família.
Marcos viaja o Brasil levando suas experiências, que tocaram muitos pais que haviam abandonado a família e voltaram para casa. O jornalista diz que o retorno do público é incrível, todos os dias ele recebe em média 40 e-mails de pessoas que foram transformadas pelo livro e pelas palestras.
Quanto à internet, que hoje, se tornou a grande vilã em questão de relacionamentos entre pais e filhos o jornalista afirma: “Os adultos são muito imaturos, eu acho que crianças são muito maduras. Os adultos não sabem mexer direito em celular, com internet, os adultos se magoam e brigam entre si por causa de dinheiro. As crianças são bem mais maduras, se você explicar direitinho, elas entendem, e no caso de brigas se acertam com uma simples conversa, um tudo bem vamos fazer as pazes, vamos ser amigos novamente, você gosta de bala, eu também gosto tudo bem vamos ser amigos para sempre. Os adultos tem que sair do celular, da internet, para depois pedir para seus filhos saírem. Não foram os filhos que colocaram internet em casa, compraram smartphones de última geração, foram os pais que deram isso a eles. Então a gente reclama quando eles se afastam da gente, mas terceirizamos nosso trabalho de pais para facilitar nossa vida” enfatiza Marcos.
Na casa de Piangers, as filhas Anita de 12 anos e Aurora de 5, não tem celular, não tem videogame, não tem tablet, elas não tem acesso a tecnologia, salvo nas ocasiões onde elas pedem para algo bom então os pais emprestam para as filhas e monitoram o uso. “Elas aprenderam outras línguas em aplicativos, elas tem noção de programação, elas fizeram aula de robótica, tudo isso é uma relação com a tecnologia muito mais produtiva e ativa, do que aquela passiva de ficar jogando candy crush e reféns do facebook o resto da vida”, deixou claro o jornalista.
Na mudança de sua família à Curitiba, Marcos contou que as meninas ficaram um mês e meio sem internet, um tempo de purificação de toda tecnologia. “E a gente começou a fazer uma coisa muito antiga, não sei se vocês conhecem, a gente começou a CONVERSAR um com o outro, se conhecer melhor, olhar olho no olho e é muito legal, a gente cria vínculos maiores”.
Sobre os traumas da vida do escritor, ele afirma que todos possuem trauma de algo, com ele não é diferente, faz terapia com psiquiatra, e uma das coisas que ele pediu para o médico foi se realmente tinha que ir até o pai biológico dele e conversar, e a resposta foi a seguinte: “Você tem algum problema com isso?” ele respondeu prontamente que não, então o psiquiatra disse ótimo vamos tratar dos problemas.
Marcos afirma que não sente raiva ou ódio do pai biológico, penas muita gratidão pela mãe, por tudo o que ela fez por ele, aguentado a expulsão da casa dos pais dela por ter engravidado e por ter lhe criado. “Hoje com duas filhas e uma esposa dentro de casa, eu falo dessas questões com muita tranquilidade e incentivo que as pessoas sejam gratas a quem está ao lado e não mitifiquem e idolatrem quem não está isso acontece por que é muito mais fácil você idolatrar alguém que não está presente. É muito mais difícil você amar a vida real e ser grato por isso que você tem perto” disse ainda Piangers.
O jornalista encerrou afirmando que devemos agradecer e valorizar bem o que temos, o que está ao nosso redor e ele crê que as pessoas são mais felizes assim.
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Marcos Piangers autor do livro O Papai é Pop lota o Centro de Eventos Galpão Criolo
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