Pare de buscar a Felicidade!

Cleyton Luiz Silva

É impossível atingi-la em plenitude. O melhor que conseguimos é suportar um determinado nível de sofrimento.

Quanto mais forte você é em relação à dor, melhor você vive. Não por ser mais feliz, mais por ser menos frustrado.

A vida consiste em sofrimento, pois somos a reação racional de tudo que o mundo nos causa, sem que haja desejo de tais ações naturais, simultaneamente à insatisfação dos desejos não realizados e que ao realizados serem, não mais tão importantes os são.

É necessário encontrar o equilíbrio entre o que se busca e o quanto sofremos para tê-lo, entre o desejo do prazer e a insatisfação da dor.

Saber viver é amar também a tristeza e odiar também a felicidade.

Não há vida sem tristeza, não há tristeza sem angústia e sem angústia não há vida. Viver é sorrir e chorar …

Os problemas (inerentes à existência) são mais fáceis de serem solucionados ou digeridos quando entendidos como manifestação natural e inevitável da vida, e não como uma conspiração universal para lhe causar sofrimento ou provação, pois a perfeição é inexistente, manifestada apenas na expectativa conceitual humana gerando a não aceitação da realidade.

No universo não existe o perfeito ou o imperfeito, o bom ou mal, o ideal ou o inaceitável.

Na natureza tudo apenas existe, e nesse âmbito de ser, sem ordem natural alguma é que nós, seres racionais doentes, estamos inseridos buscando adequar o mundo à nossa mente pequena e ínfima, o que gera tanta angústia e resistência à realidade da vida.

Não tente ser perfeito, não queira ser sempre bom. Seja você com tudo que possui, inclusive os instintos, inclusive os impulsos. Não há necessidade em sufocar-se a cada dia buscando ser alguém que o mundo diz que você deve ser, pois o mundo não quer que você seja nada e a única pessoa que você pode e deve agradar é você mesmo.

Por: Cleyton Luiz Silva
Filósofo especialista em ensino de filosofia (UFSCAR)

*Artigo publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1495 de 07 de Setembro de 2017.

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