Há pelos 16 anos o público de Campos Novos não recebia as apresentações teatrais do Circo Teatro Biriba.
A lacuna foi desfeita no dia 15 de dezembro com temporada que deve seguir até o dia 28 de janeiro no município. Com 47 anos de história no país, o circo já teve quatro “Biribas”. O primeiro foi o seu fundador, Geraldo Passos, que aos 35 anos de idade decidiu apostar na vida de ator em um palco italiano sob uma grande lona.
A estreia aconteceu na cidade de Tangará, onde Geraldo fez sucesso como Biriba por 21 anos. Depois de adoecer e falecer, quem passou a interpretar o palhaço que dá nome ao circo foi o filho, Geraldo Santos, conhecido também como Biriba. Em seguida, com a saída do filho para a criação do próprio teatro, quem passou a levar a alegria ao público foi o neto mais velho de Geraldo Passos, Franco Adriano, chamado de Biribinha.
Em entrevista ao jornal O Celeiro, Franco Adriano Passos Rosa, conhecido por todos como Biribinha, conta que a inspiração vem do berço. “Quando a gente nasce em meio circense, vamos nutrindo a vontade desde criança de ir para o palco ou para o picadeiro, no nosso caso é palco e quando eu era criança eu vendia pipoca e via meu avô se apresentar. Sempre sonhei em um dia ser como ele, mas, também não esperava que fosse tão cedo. Eu comecei a fazer palhaço com 18 anos, eu esperava iniciar com uns 25, mas aconteceu bem antes e assim fazer o palhaço naquela época foi a realização de um sonho, porque eu via meu avô fazendo e dizia um dia eu vou fazer também. Então faz 26 anos que eu faço palhaço nas peças de teatro, eu não me vejo fazendo outra coisa. Se eu parar de ser palhaço e sair do circo, vai me dar uma depressão e eu vou morrer”, conta Biribinha com um sorriso aberto.
A maior inspiração de Biribinha foi seu avô Geraldo Passos conhecido por Biriba, que no início era imitado em tudo pelo neto. “Meu avô não chegou a ver minha performance no palco, pois faleceu antes, eu nunca cheguei falar pra ele sobre o fato de querer ser palhaço, até porque eu nunca imaginei que eu poderia substituir ele pela admiração que eu tinha mas quando eu iniciei eu imitava ele em tudo”.
Depois de muito aprender com as características de Biriba, Franco Adriano desenvolveu personalidade e características próprias do personagem. “No início eu brincava de fazer teatro, pois o palhaço é a cara da companhia, as pessoas vão lá ver o palhaço, tem os demais integrantes, mas todos estão esperando o palhaço. Claro que o trabalho de todos é importante, sem eles não haveria espetáculo. Mas muitas vezes as pessoas vão para ver o Biribinha ou o palhaço em si. Quando eu comecei a fazer o palhaço eu estava brincando, eu não sentia o peso que carregava com esse personagem, com o passar do tempo foi vindo maior responsabilidade, mas daí eu já estava acostumado”, conta Adriano. ]
Hoje a equipe está composta por 14 pessoas na cidade de Campos Novos, pois tem 3 teatros Biriba em Santa Catarina. A vida no teatro é muito mais fácil que na época de Biriba, pois eram outros tempos, era o início de um trabalho, de uma jornada. “Hoje é legal, a gente tem o reconhecimento de preservar o nome do avô. Na parte da residência atualmente temos trailers confortáveis, bem diferente das barracas de quando eu era criança, mas cada vez que aumenta o conforto, aumenta o compromisso, a despesa e você tem que cobrir isso com a bilheteria e a gente só continua tendo público se tiver um bom espetáculo”, ressalta Biribinha.
Nossa reportagem questionou ainda o por que um palhaço no teatro. “Ah, essa pergunta seria mais certa para meu avô, pois foi dele a ideia, mas acredito que assim, no interior de São Paulo, que é de onde meu avô veio e também a maioria das companhias de teatro, usavam o caipira como personagem engraçado da história. Mas talvez o caipira não teria o apelo que o palhaço tem e meu avô quando começou a montar o teatro dele, pensou em não fazer caipira, até por que ele era negro e não teria uma maquiagem de caipira que pegasse e ficasse bem em seu rosto. Então ele resolveu fazer palhaço. Até porque o palhaço tem uma aceitação maior, tudo é uma questão cultural, o palhaço é uma figura universalizada, você pode falar da forma que falar e ninguém te leva a mal”.
A companhia nesse ano sempre teve casa lotada. “Dessa vez tudo se encaixou, na hora da locação do terreno o dono havia conhecido meu avô. Na prefeitura também fui conversar com o prefeito, ele contou que uma vez meu avô maquiou ele de palhaço para uma brincadeira na escola. Então o teatro tem uma grande história aqui. Hoje eu vejo que não errei em querer voltar para cá, está sendo da maneira como eu imaginava”, finalizou Adriano.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1512 de 18 de Janeiro de 2018.









