Liberdade e responsabilidade: o compromisso permanente da imprensa

Em 28 de julho de 1831, circulava em Desterro a primeira edição de O Catharinense. Criado por Jerônimo Francisco Coelho, o jornal fundava a imprensa em Santa Catarina. Quase dois séculos depois, mais que um marco histórico, a data é também um convite a refletir sobre o papel que a imprensa desempenhou na formação do Estado e a sua importância para a sociedade.

O Catharinense teve vida breve, mas revolucionária, na medida em que quebrou o monopólio da informação oficial da Corte Imperial. Ao colocar em circulação notícias, ideias e posições sobre a vida pública, introduziu em território catarinense um novo espaço de debate. Sob a inspiração dos ideais liberais e iluministas, a imprensa nascia ligada à participação política e à possibilidade de a sociedade conhecer, discutir e influenciar os assuntos que lhe dizem respeito.

Desde então, os meios de comunicação mudaram profundamente. Vieram outros jornais, o rádio, a televisão e, mais recentemente, as plataformas digitais. A notícia deixou de depender exclusivamente do papel e passou a circular instantaneamente. Mas a transformação tecnológica não eliminou a função essencial do jornalismo de apurar, conferir, contextualizar e oferecer ao cidadão informações relevantes para a compreensão da realidade.

Num ambiente marcado pelo excesso de informações e pela desafiante desinformação, essa função se torna ainda mais importante. Informação não é sinônimo de jornalismo. O que distingue o trabalho jornalístico é o método: a busca dos fatos, a verificação, o contraditório, a responsabilidade sobre o que se publica e o compromisso com o interesse público.

Em Santa Catarina, essa história foi construída por gerações de profissionais e por veículos de diferentes dimensões e formatos, em todas as regiões. Da imprensa estadual aos jornais locais, das emissoras tradicionais aos projetos digitais, são eles que registram a vida das comunidades, fiscalizam o poder, preservam a memória coletiva e dão visibilidade a acontecimentos que, sem o jornalismo, poderiam permanecer desconhecidos.

Celebrar os 195 anos da imprensa catarinense, portanto, não é apenas homenagear o passado. É reconhecer uma instituição indispensável para a sociedade, em todos os tempos, e reafirmar a nossa responsabilidade com o futuro. Cada época impõe novos desafios econômicos, tecnológicos e profissionais, que devem ser vencidos com o auxílio decisivo da imprensa livre, plural, ética e comprometida com os fatos.

O legado de Jerônimo Coelho permanece vivo sempre que uma informação relevante é apurada com rigor, uma pergunta necessária é feita e os cidadãos recebem elementos para formar seu próprio juízo a respeito dos acontecimentos.

Ao comemorar 195 anos, a imprensa catarinense renova um compromisso que atravessa gerações: informar com liberdade, responsabilidade e respeito aos fatos. Porque, quando o jornalismo preserva a ética, acolhe a pluralidade e se orienta pelo interesse público, não fortalece apenas a própria imprensa — fortalece as liberdades, a cidadania e a democracia.

POR: Lúcia Helena Vieira

Jornalista e Presidente da Associação Catarinense de Imprensa

*INFO: REDE CATARINENSE DE NOTÍCIAS

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