Quinta-feira , 19 Julho 2018
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Safra de trigo perde cada vez mais espaço

Altos custos na produção e riscos faz com que o produtor opte por investir menos na cultura

Plantio do trigo

Tão essencial na mesa das pessoas, o trigo, usado na produção do pão, da bolacha e de bolos, tem diminuído a cada ano suas áreas para plantação devido à baixa valorização e comercialização instável. No momento os preços estão bons mas, já sinalizam queda para o final do ano, enquanto os custos na produção aumentaram. Esta relação desigual faz com que muitos produtores repensem se vale a pena o investimento. Campos Novos é um dos maiores produtores do grão do estado, mas mesmo assim o município registra safra após safra uma queda considerável na área destinada à cultura. Neste momento a safra de trigo está sendo plantada e os grãos devem ser colhidos em novembro e dezembro. O inverno é o período adequado para plantação da cultura, o que faz da região sul a principal exportadora do produto para as demais regiões do Brasil. Portanto por mais que as áreas tenham sido diminuídas, a plantação se faz necessária haja vista a importância do trigo para alimentação.

A Copercampos, empresa que mantém área para plantação do trigo, relata que haverá uma redução no plantio do trigo na região. O diretor executivo Clebi Renato Dias explica as grandes dificuldades relacionadas à cultura do trigo. Segundo ele o trigo é de difícil comercialização, pois não há uma bolsa que garanta o preço futuro do produto. “O trigo deveria ser mais valorizado porque quase 90% das pessoas no mundo o consomem. A instabilidade de valores não da segurança ao produtor. Mas o produtor sempre fica na expectativa de ter uma oportunidade boa, mas é algo imprevisível”, relata. Além desses fatores ainda existe o fato do trigo ser um grão muito sensível, sendo considerado uma cultura de alto risco, o produtor deve estar atento para que a plantação não seja afetada por geadas tardias. Com isso, o produtor precisa usar artifícios tecnológicos e humanos para garantir uma boa safra. “São muitos detalhes que devem ser acompanhados. Tem que aplicar o produto na hora certa, se chover e não houver a aplicação é possível que haja perdas, é um trabalho de precisão”, explica. A área destinada para plantação de trigo na Copercampos que já foi de cerca de 14 mil/ha, atualmente a área tem apenas 7mil/ha.

Clebi Renato Dias

O Diretor Executivo da Copercampos conta que a empresa já recebeu 1,1 milhão de sacos/60kg de trigo e na última safra, o recebimento foi de 400 mil sacos/60kg. “Há um decréscimo significativo no recebimento, mas o trigo é a única opção para produção de cereais no inverno em nossa região, e essa queda de plantio está ligada ao fator econômico. O produtor não pode investir R$ 2 mil na terra, por exemplo, e retirar R$ 1,5 mil. Nossa expectativa é que o clima colabore nesta safra e que o mercado favoreça ao produtor”, ressaltou Clebi. Segundo levantamento do Departamento Técnico da cooperativa, o custo para implantação e manejo da lavoura de trigo é de R$ 2.882,34, para o produtor que deseja obter uma média produtiva de 4.200kg/ha, sem mencionar custos de arrendamento da área. Dos grãos comercializados, o trigo esta atrás da soja e do milho. No ano passado a Copercampos recebeu 400 mil sacos e neste ano a expectativa é que fiquem em torno de 600 mil sacos.

A negociação do trigo pode ser feita antes da colheita, porém os preços não atraem o produtor, e devido as oscilações no mercado os produtores podem sair prejudicados no final, o fato de não haver segurança jurídica nas negociações, possibilita que os contratos sejam cancelados pelas empresas compradoras do grão. “O produtor tem muita insegurança, por exemplo, o trigo hoje pode estar com preço de R$ 45,00 e de repente na época de colheita o valor poda estar a R$ 35,00. O produtor tem um custo alto e com tendência dos preços caírem”, explica.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1536 de 05 de julho de 2018.

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