
O presidente eleito Jair Bolsonaro escolheu nesta quarta-feira a coordenadora da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputada federal reeleita Tereza Cristina (DEM-MS), para o cargo de ministra da Agricultura do seu governo.
O anúncio da escolha foi feito inicialmente pelo deputado Alceu Moreira (MDB-RS), vice-presidente da FPA que atuou como porta-voz da Frente após reunião de membros da bancada ruralista com Bolsonaro em Brasília. Posteriormente, a indicação foi confirmada pela assessoria de imprensa do gabinete de transição e pelo próprio Bolsonaro em sua conta no Twitter.
“Boa noite! Informo a todos a indicação da senhora Tereza Cristina da Costa Dias, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, ao posto de ministra da Agricultura”, escreveu o presidente eleito.
Antes do anúncio, uma comitiva de deputados da FPA reuniu-se com Bolsonaro para levar o nome de Tereza Cristina para a pasta. De acordo com Moreira, a sugestão foi imediatamente aceita pelo presidente eleito.
O vice-presidente da FPA também disse que não acontecerá a fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e que o titular do Meio Ambiente será indicado por Bolsonaro nos próximos dias. Moreira disse ainda que a FPA referendará o nome do titular desta pasta.
Antes do primeiro turno da eleição presidencial, Tereza Cristina encontrou-se com Bolsonaro no Rio de Janeiro e anunciou, àquela altura, o apoio da frente ao então candidato à Presidência da República. Foi o primeiro apoio de peso que o ainda presidenciável recebeu no Congresso durante a eleição.
Tereza Cristina chegou a ser cotada para ser candidata a vice-presidente na chapa do candidato derrotado do PSDB, Geraldo Alckmin. O tucano, entretanto, preferiu optar por outra expoente da bancada ruralista, a senadora gaúcha Ana Amélia (PP).
Embora seja presidente de uma das principais frentes parlamentares do Congresso, o nome de Tereza Cristina não foi o único levado a Bolsonaro para comandar a pasta da Agricultura. A União Democrática Ruralista (UDR) havia sugerido para a pasta o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS). Um dos principais líderes da UDR Nabhan Garcia é um conselheiro próximo de Bolsonaro.
À Reuters, contudo, Goergen disse após a escolha da colega que Tereza Cristina satisfaz o setor e tem “todas as condições de fazer um bom trabalho”. Ele disse que a futura ministra vai precisar cuidar de demandas centrais, como a questão fundiária, que é muito ainda desorganizada, o passivo do Funrural, que precisa ser resolvido, e o endividamento do setor agropecuário.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, elogiou a indicação da deputada e afirmou que ele tem conhecimento do setor.
“A deputada Tereza Cristina tem conhecimento técnico e respaldo político para assumir o cargo. É uma liderança fundamental para o setor produtivo nacional, com trabalho inquestionável à frente da FPA. Estamos bastante confiantes, pois ela conhece o setor de proteína animal como poucos, e sabe claramente das dificuldades e oportunidades que temos pela frente”, disse Turra.
Nova ministra foi líder do PSB
Até o ano passado, a futura ministra da Agricultura, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), liderava a bancada do PSB na Câmara. Mesmo sendo líder ruralista, é improvável pensar que a deputada seria escolhida ministra por Jair Bosonaro se ainda estivesse filiada ao PSB.
No ano passado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, convenceu Tereza a se filiar ao DEM. Mas, antes disso, a deputada já sabia que não tinha mais espaço para continuar no PSB por conta de suas posições políticas. Ela votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff e apoiou propostas do governo de Michel Temer, descolando das posições defendidas pela cúpula do PSB. Se não saísse, tudo caminhava para que a deputada fosse expulsa do partido. /M.M.
Tereza não queria fusão com Meio Ambiente
Na semana passada, a deputada Tereza Cristina (DEM-MS) já tinha dito que “se preocupava” com a fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, como vinha sendo pensado pelo governo de Jair Bolsonaro.
Ela acha que o Meio Ambiente tem demandas complexas e muito diferentes da Agricultura que poderiam atrapalhar o foco no agronegócio. Além disso, temia pelo impacto negativo no mercado consumidor externo dos produtos do agronegócio brasileiro caso o Meio Ambiente fosse realmente extinto. Agora, as duas pastas ficarão separadas como estavam. /M.M.
A escolha da primeira mulher para o ministério de Bolsonaro foi costurada pelo futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que conseguiu derrubar uma indicação pessoal do presidente eleito. Prevaleceu a força da FPA e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) em detrimento de pequenas entidades que deram sustentação à campanha de Bolsonaro.
Até a véspera, o presidente eleito ainda avaliava a possibilidade de nomear o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antônio Nabhan, seu braço direito na setor durante a pré-campanha e a campanha. Bolsonaro chegou a anunciar o nome de Nabhan em um evento no Rio Grande do Sul e disse que não adotaria o critério político para o cargo, sinalizando que não escolheria pessoas com cargos eletivos.
Membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aceitaram a indicação e confirmou o nome da deputada Tereza Cristina para assumir a pasta. A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) também aprovou a indicação da deputada federal, “Tenho certeza de que ela fará um excelente trabalho”, afirmou o presidente da Aprosoja Brasil após o anúncio. De acordo com Bartolomeu Braz Pereira, Tereza Cristina é uma produtora rural competente e grande representante do setor do agronegócio.






