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O Leite e alguns desafios

Os números que pontuam a cadeia produtiva do leite na região e no estado de Santa Catarina são empolgantes e promissores. Com os investimentos de baixo custos conquistados a através de pesquisas e repassados aos produtores rurais, provavelmente muitos outros pequenos produtores serão atraídos a investir na pecuária leiteira. Alguns especialistas afirmam que esta é uma área que tem grande potencial de crescimento, apesar de alguns já afirmarem que é um setor já saturado. Porém, vale lembrar que além do leite ‘in natura’, ainda existem os derivados do leite, como iogurte e queijo. Portanto, talvez seja precipitado afirmar que o mercado já está saturado.

O Brasil é um dos maiores produtores do mundo e o Sul mais uma vez é destaque nesse cenário. Os trabalhos desenvolvidos em pesquisas e incentivo a área rural tem se tornado uma referencia para os outros estados, e porque não para o mundo? As empresas públicas estão de parabéns pelo trabalho que fazem na busca da excelência em tecnologias para o homem do campo. Mas alguns fatores devem ser considerados para que a produção leiteira se mantenha num patamar elevado.

O investimento em tecnologia catarinense tem permitido alta produtividade e baixos custos de produção, gerando uma ótima rentabilidade ao produtor. No entanto, é importante lembrar que diminuir custos não é sinônimo de diminuir qualidade. Em um mercado cada vez mais exigente, para alcançar novos espaços, inclusive fora do Brasil, a qualidade precisa ser excelente. Para isso, a situação sanitária precisa ser prioritária. Mas com as tecnologias atuais essa ainda é uma preocupação? Com certeza. Agora mais do que nunca é preciso ter cuidados na produção do leite.
De fato, a tecnologia e os processos evoluíram muito, os equipamentos e maquinários estão mais sofisticados, mas se não houver os devidos cuidados ainda existe altos riscos de contaminação. E se isso acontecer o prejuízo é grande, não só no bolso, mas também na saúde dos consumidores. As ações das entidades fomentadoras do setor, devem ter em vista esse tipo de capacitação para que o produtor esteja ciente de que, desde o processo inicial até chegar ao consumidor final, o leite seja de qualidade. Isto requer mão de obra treinada e boa estrutura das propriedades.

Outro desafio, que não é exclusividade da cadeia do leite, é a permanecia e continuidade dos jovens filhos de produtores rurais nas propriedades. A sucessão familiar é uma duvida para alguns. Como manter o jovem no campo? Esta situação deve ser analisada e pensada pelo poder público para que crie condições e convença o jovem de que a continuidade nos trabalhos da família é uma escolha inteligente. Com capacitações especificas e garantias de que a permanência vala e a pena, o filho do produtor se sentirá motivado a permanecer na cidade, diminuindo as chances do êxodo rural.

Por: Priscila Nascimento
Jornalista

*Editorial publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1570 de 21 de março de 2019.

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