Em Santa Catarina cerca de 80% dos produtores de leite estão concentrados na região Oeste
A Região Sul do país é conhecida mundialmente por sua riqueza e pujança rural em diversas áreas, e a cadeia produtiva do leite está numa crescente impressionante, fato que tem contribuído para que a região desponte e se destaque desbancando até mesmo a Argentina. Em 17 anos, o Sul cresceu em média de 6,0% ao ano, situação que o torna responsável por quase 52% do acréscimo da produção do País. Comparando com a Argentina, neste mesmo período o país cresceu apenas 303 milhões de litros, ao passo que o Sul acrescentou mais de 7 bilhões de litros, ou 23 vezes mais. Hoje, o Sul produz 12 bilhões de litros/ano, contra 10,1 bilhões da Argentina. A região é composta por apenas três estados, incluindo Santa Catarina, que tem papel fundamental nestes números e vem cada vez mais investindo nesta cadeia de grande potencial.
Os dados chamam a atenção e trazem consigo uma grande responsabilidade que é de manter-se nesse patamar, objetivando uma busca constante de melhorias e investimentos para se sobressair e conquistar novos mercados dentro e fora do país. No Estado, a Empresa de Pesquisa e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), tem realizado um trabalho de pesquisa, apoio e orientação ao produtor rural visando fomentar este setor e incentiva-lo na busca de profissionalização dos serviços. No final do ano de 2018 foi inaugurado em Campos Novos o Centro de Referência Tecnológica do Leite, fruto do convênio entre a Epagri e o Ministério da Agricultura e Pesca, com o objetivo de dar um apoio maior a todos os produtores do estado por meio de assistência direta as famílias de produtores e capacitações periódicas, investindo em tecnologias que permitem que este mesmo produtor tenha um baixo custo de produção e uma alta rentabilidade, fato que promove a produtividade, competitividade e garante a lucratividade.
O gerente do Centro Tecnológico, Humberto Bicca Neto, relata que o foco principal do Centro é a capacitação de produtores, técnicos e estudantes de graduações para que eles possam desenvolver tecnologias que sejam levadas ao produtor. A equipe do centro vislumbra dentro da proposta de produção do leite a base de pasto a ideia de utilizar os recursos da propriedade produzindo leite com menor custo e alta produtividade. O centro atende o estado como um todo e pessoas de várias regiões já forram capacitadas. Bicca afirma que a região Sul é uma das melhores regiões do mundo em produção leiteira porque, além dos investimentos em tecnologia, a região tem um clima adequado e mão de obra qualificada. “O potencial que temos para a produção de leite é muito grande pela questão do clima e mão de obra. As pastagens perenes permitem a conservação do solo e outras tecnologias que temos no Centro de Tecnologia e nas propriedades das Unidades de Referência Técnica da Epagri permite utilizar essas áreas com alto potencial produtivo”, explica.
O gerente prossegue destacando que o trabalho do Centro potencializa ainda mais a vocação da região. “O Centro de Referência Tecnológica vem apoiar o trabalho da Epagri no estado para que isso seja potencializado. Temos uma rede de mais de 250 unidades de referência técnica. O Centro Tecnológico tem as tecnologias de produção a pasto com suplementação, ou seja, os animais têm 70% da sua dieta baseado em pastagens e os outros 30% da dieta com suplementação de concentrados. Utilizamos silagem em determinados períodos do ano, não utilizamos em excesso porque é um produto mais caro do que o pasto e com menos potencial produtivo. Esse tipo de tecnologia permite o custo de produção baixo para essas propriedades que são orientadas pela Epagri”, declara. A preocupação com o custo de produção é grande porque o preço do leite é variável, se tornando mais baixo em períodos de crise e ganhando valor em épocas mais favoráveis. “Como Santa Catarina será competitiva se os custos de produção forem elevados?. Pelo que estamos avaliando o sistema de produção a base de pasto é um sistema mais rentável em todos os trabalhos de pesquisa que se tem a nível de mundo”, destacou Bicca.
No estado há cerca de 40 mil produtores, quase 80% da produção de leite está no oeste catarinense, segundo dados do IBGE. Na região da gerência de Campos Novos, que envolve oito municípios, foi incrementado o trabalho com a pecuária de leite. “Em 2017 foram 382 famílias assistidas pela equipe da Epagri e em 2018 tivemos 558 famílias que receberam 4.455 assistências. O número aumentou bastante pela demanda que existe na região que vem crescendo e é uma atividade que tem sido procurada”, declarou Bicca. A assistência prestada envolve orientação de pastagens e planejamento da propriedade, além de incentivar o aprimoramento genético, passos dados para auxiliar a evolução da propriedade. A rentabilidade de algumas propriedades supera R$ 9 mil reais de margem líquida por hectare e isso significa rentabilidade acima de outras atividades agropecuárias. Para Bicca, a cadeia produtiva do leite ainda tem muito a crescer apesar dos desafios. “Santa Catarina tem que se preocupar também com a exportação do leite. Já exportamos, mas ainda é algo pequeno, podemos avançar bastante desde que a cadeia produtiva seja competitiva, e para isso tem que ter custos de produção baixo, e isso é possível com um sistema produtivo que a Epagri vem recomendando com um custo competitivo permitindo a exportação de leite de uma maneira mais fácil”, conclui.
Para este ano a Epagri tem muitas metas a cumprir, como mais três capacitações e o Dia de Campo. Porém, não será mais o gerente Humberto Bicca que estará à frente do Centro Tecnológico, a partir da próxima semana o novo responsável pela gerencia será o veterinário, Alexandro Kolling. Bicca foi convidado a assumir o cargo de diretor de extensão rural e pesqueira da Epagri em Florianópolis.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1570 de 21 de março de 2019.







