Lembrança além da data

Olhar perdido, atitudes perversas, desamor, falta de autoestima, falta de empatia. Essas são algumas características desenvolvidas por crianças que foram vítimas de atentados cruéis contra sua sexualidade. As memorias afetivas que deveriam ser construídas em sua mente são substituídas por memórias dolorosas que as fazem desconhecer o prazer de se sentir amado.

Devido a vulnerabilidade e insegurança, das crianças alguns indivíduos cruéis conseguem coagi-las a permanecerem em silêncio. Em alguns casos os relatos só são descobertos depois de anos. Quando o assunto vem à tona mais pessoas podem se sentir motivadas a falar sobre isso, apesar de ser muito difícil, porque, mesmo que os anos passem, ainda é algo que machuca a alma.

Em alguns casos pessoas que sofreram abuso na infância podem replicar os atos na fase adulta, mas na maioria dos casos há um trauma que as fazem ter repulsa por qualquer ato semelhante. É um assunto delicado que requer vigilância por parte de pais e responsáveis e pessoas que convivem com essa criança ou adolescente, afinal é comum que muitos casos aconteçam com alguém de confiança dele. Portanto deve haver um empenho para fazer a criança entender que os atos são errados não importa quem os cometa. Por desconhecer o certo e o errado, alguns só passam a ter noções do que sofreram anos depois, dai surgem os sentimentos de inferioridade e de culpa, sentimentos comum nas vítimas.

Aprofundar o assunto e conhecer casos é chocante e revoltante. Como impedir tanta maldade? Que bom ter um dia do ano para lembrar da luta contra o abuso e exploração sexual sofrida por milhares de crianças. Porém, não basta um dia, um mês, um ano. Esta é uma luta diária. O combate ao mal dever ser um auto compromisso. A pauta não deve ser esquecida. Todos devem estar atentos as crianças ao redor. A família, o Poder Público, a comunidade, as instituições educacionais, todos são responsáveis por defender essa bandeira. Que esta lembrança vá além do dia 18 de maio, mas siga por toda a vida.
Menos traumas, menos dor e mais amor transformam crianças em adultos seguros, amados, confiantes e capazes de replicar todo o amor e carinho que receberam na infância e adolescência.

Por: Priscila Nascimento, Jornalista

*Editorial publicado no jornal ‘O Celeiro’, edição 1626 de 14 de maio de 2020

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