Equipamento instalado em 2019 só funciona parcialmente e após 7 anos em uma caixa, deve ir a leilão.
O aparelho de Raio X Digital instalado em maio do ano passado no Hospital Dr José Athanázio, deverá ser colocado em leilão de bens inservíveis, a ação já está em curso, inclusive, uma licitação para compra de um aparelho analógico, com orçamento previsto de R$ 193 mil, a abertura da licitação será neste dia 10.
E o leilão deve ser o destino do tão falado equipamento, anunciado como um dos mais modernos e que ficou guardado em uma caixa, durante sete anos.
O Raio X Digital foi comprado em 2012 pelo município de Campos Novos, ao preço de R$ 325 mil, valor que nos preços atuais deve chegar próximo a R$ 1 milhão. Na época a alegação para não instalar, era a falta de um sala adequada.
Ano passado, entre fevereiro e março, após ser “desencaixotado”, foi pedida uma avaliação da fabricante, a Philips, e anunciado pelo município e pelo Instituto Maria Schmitt (IMAS), que equipamento foi aprovado para uso. A garantia de instalação foi perdida em 2015.
Mas, segundo confirmação da diretora da Fundação Hospitalar, Luana Coninck Dalla Costa, que atendeu aos jornalistas na sexta-feira (4), o equipamento opera parcialmente durante os últimos meses e apresenta problemas de precisão de imagens.
Luana afirma que tomou conhecimento dos problemas mais recentes, quando reassumiu a Fundação em julho deste ano. De acordo com a diretora, desde a instalação em maio de 2019, o Raio X Digital vinha passando por reparos periódicos por parte dos técnicos da fabricante.
Nos diagnósticos mais precisos, por exemplo, com o paciente deitado, o Raio X apresenta o que os técnicos em radiologia chamam de ARTEFATOS, ou seja, imagens indevidas nos exames radiológicos.
O equipamento, de acordo com a diretora, só estava sendo usado para exames em pé.
Os problemas de falta de precisão das imagens do Raio X Digital vieram à tona na sexta-feira, a partir da denúncia de um ex-funcionário da Fundação Hospitalar Dr José Athanázio, que foi exonerado nos últimos dias.
O tecnólogo em radiologia, de São Paulo, foi contratado em julho deste ano, na chamada pública da fundação e em 31 de julho, afirma que comunicou a direção da instituição que se recusava a continuar trabalhando, pois as falhas no detector de imagens do equipamento, vinham provocando imprecisão nas imagens.
Carlos afirma que fez mais de 800 exames e que comunicou por escrito junto à direção a necessidade de reparos no Raio X, que não foram providenciados.
Ele afirma que essas falhas eram observadas também por alguns médicos, prejudicando os diagnósticos e provocando constante repetição de exames.
Relata ainda que desde a chamada pública, enfrentou dificuldades de contratação, pois embora seja pós-graduado na área, teve que recorrer a advogado para que fosse revista sua pontuação no processo.
De acordo com o tecnólogo em radiologia, o motivo dele ter se afastado do trabalho em agosto, foi o descontentamento com a situação técnica do Raio X, informada desde a contratação.
Afirma ainda que no dia 3 de setembro, quando se dirigiu pela última vez à instituição, foi abordado por policiais armados na recepção do hospital e considerou que houve excesso na comunicação que o hospital fez a polícia, ficando constatado, segundo ele, que ele desejava apenas esclarecer os desdobramentos da exoneração.
Hospital
Sobre o Raio X, Luana confirmou a necessidade de reparos, mas assegurou que o conserto não compensa, por causa do custo, orçado em R$ 410 mil. Além disso, segundo a diretora, há só duas peças deste tipo de detector de imagem, disponíveis no país.
Ela afirma que o pacientes da Covid 19, não foram prejudicados porque neste caso, os exames são de tomografia e que desde julho, foram contratados os serviços privados da Clínica Santa Clara.
Sobre as reclamações do ex-servidor, a diretora justifica que havia problemas internos com o profissional, pois o equipamento estava em operação para outros exames em pé, o que não justifica o profissional ter se afastado.
O total orçado é de R$ 343 mil, sendo: R$ 198 mil para o Raio X, mais um digitalizador de imagens e uma impressora. As justificativas da época para não instalação do equipamento, era falta de sala adequada. O aparelho, porém, foi instalado na mesma sala onde estava o analógico, com aval da Vigilância Sanitária Estadual.
Nos dois procedimentos, da compra em 2012, e da compra atual, os cofres públicos irão desembolar em torno de R$ 523 mil, com aquisição de aparelho de Raio X.
A respeito da presença dos policiais armados no ultimo dia 3, a diretora justificou que havia sido ameaçada anteriormente pelo ex-servidor.
*INFO: RÁDIO CULTURA







