O Dilema das Redes

O que podemos aprender com o filme ‘O Dilema das Redes’, sobre a privacidade dos nossos dados pessoais?

“ Se você não paga pelo produto, o produto é você”. Essa frase ecoou na cabeça de muita gente no mundo todo depois do lançamento do documentário.

Em algum momento você deve ter achado estranho o fato de “do nada” ver nas suas redes sociais exatamente aquilo que você estava conversando com os amigos e mais estranho ainda quando praticamente “adivinham” o que queremos comprar. Em algum momento você já parou para pensar como que esse conteúdo ou publicidade chegou até você?

O filme fala sobre os perigos que a massiva coleta de dados pelas redes sociais e aplicativos podem causar aos usuários individualmente e enquanto sociedade. A ideia de todos sermos produtos é baseada no fato de que nossos dados são o que há de mais valioso no modelo de negócios das empresas de tecnologia, hoje dados são considerados mais valiosos que petróleo.

Google , Facebook e outras grandes empresas do ramo lucram com anúncios direcionados. E esse direcionamento só é possível porque nós fornecemos dados para essas empresas o tempo todo. Cada clique, curtida, comentário e tempo passado olhando para uma imagem é guardado e muito bem utilizado por essas companhias.

O objetivo é manter os usuários cada vez mais conectados para que, assim, ele forneça mais dados e esteja mais exposto à publicidade. Segundo o depoimento de diversos ex funcionários, com todas essas informações sobre nós, é possível criar um modelo fiel nosso e então prever um padrão de comportamento.

Eles explicam que há três objetivos principais na maior parte dos algoritmos criados por gigantes de tecnologia, o de engajamento, para aumentar o seu uso, e te manter navegando; o de crescimento, para que você sempre convide amigos e os faça convidar outros amigos e o de publicidade, para garantir que enquanto tudo acontece, lucrem o máximo possível com anúncios.

Para manter o usuário conectados por mais tempo, os algoritmos fazem o que for preciso. Se um usuário se mostra propenso a acreditar em teorias da conspiração, por exemplo, é para isso que as redes sociais irão direcioná-lo. Vale tudo para manter uma pessoa conectada.

Apesar dos riscos, não é preciso se apavorar. As redes sociais e demais produtos de tecnologia já fazem parte do nosso cotidiano e quase que impossível voltar atrás.
Há diversas ações que podem ser tomadas para minimizar os danos do uso dos seus dados pessoais, como cuidar o tempo que você fica conectado, desligar as notificações dos aplicativos e a sua localização por exemplo. É possível driblar o algoritmo para que o conteúdo que você recebe seja realmente o que você quer ver, e não aquilo que as redes sociais querem que você veja. Além da manipulação, é possível também diminuir os riscos de se viciar na tecnologia.

Por: Danielle Di Domenico
Bacharel em Direito, Sócia da R&B Assessoria e Consultoria
Contato: (48) 9912-0234

*Coluna ‘Evoluir Empresarial’, publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1661 de 28 de janeiro de 2021.

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