Ainda em análise, a suspeita é de que os macacos estejam morrendo de Febre Amarela. Apesar de não serem os transmissores, animais servem de alerta para presença da doença.
A morte de 35 macacos neste inicio de 2021 tem preocupado a Vigilância Epidemiológica de Campos Novos, pois as mortes levantam suspeitas de que seja por febre amarela. Rosangela de Sá, da Vigilância Epidemiológica, conversou com a redação do jornal ‘O Celeiro’ e comentou a preocupação em torno destes acontecimentos. “Como são 35 animais mortos a preocupação é de que seja febre amarela. Nesse ano começou a aparecer muitos macacos mortos, isso é um alerta para toda a população, pois pode ser que o vírus da Febre Amarela esteja no município, ainda não foi confirmado, mas é uma alerta para dizer que alguma coisa está errada. Nos anos anteriores nós tínhamos duas ou três notificações, mais no ano de 2021 tivemos onze notificações e 35 animais mortos. Isso é motivo de muita preocupação para nós”, declarou a profissional. Na região foi confirmada a morte por febre amarela em um macaco no município de Curitibanos.
A Vigilância Epidemiológica do município tem realizado um trabalho grande para apurar os chamados da comunidade que comunicam a presença de animais mortos nas propriedades. Inclusive, no momento da entrevista a técnica foi acionada sobre mais três animais encontrados. Em posse da informação eles se deslocam ao local e verificam as condições do animal para analisar se há marcas de tiro ou mordidas de outros animais, em seguida eles observam a pele do animal. “Não tendo marcas no corpo, os técnicos analisam a pele do animal, a coloração da boca, da narina, dos olhos, da vulva, e do ânus do animal. Se a pele estiver amarelada ou saindo secreção é um indicativo de febre amarela. Após isso ele é aberto pelo médico veterinário e é coletado um pedaço do rim, do fígado, do pulmão e do pâncreas, do coração e do cérebro, que é encaminho para o Laboratório Central em Florianópolis. O resultado leva de um a dois meses. A coleta só não pode ser realizada quando o corpo do animal já está em fase de putrefação”, explicou Rosangela, que esclarece que caso a morte não seja por febre amarela os exames apresentaram as causas. O órgão municipal continua aguardando os resultados, e solicitaram urgência. Enquanto isso a Vigilância continua alertando sobre os cuidados que devem ser tomados e alerta sobre a importância do animal como forma de identificação da doença.

Além do trabalho com os animais a Vigilância investiga as proximidades onde ele fora encontrado morto. “Fazemos uma investigação no raio de 300 metros com as propriedades próximas e conferimos se as pessoas da localidade já se vacinaram contra a Febre Amarela. Quando é uma comunidade distante e tem uma grande quantidade de pessoas, nós levamos a vacina até eles, mas quando são apenas poucas pessoas nós orientamos para que venham fazer a vacina na cidade. Temos duas formas de febre amarela, a silvestre e a urbana, mas a urbana não acontece desde 1942 no Brasil. Na cidade quem transmite o vírus é o Aedes Aegypt, e na área silvestre é o Haemogogus. Estes mosquitos encontrados na mata quando estão contaminados picam os macacos e transmitem a doença. Se eles estão morrendo em grande escala provavelmente o mosquito picou o macaco, que é o hospedeiro da doença. Nós só vamos ficar doentes se o mosquito picar uma pessoa não vacinada. O mosquito silvestre se limita as matas, não chega à cidade. As pessoas que correm mais riscos são as que invadem o espaço dele”, diz.
A preocupação da Vigilância Epidemiológica é que a doença afete as pessoas e por isso ressaltam ainda mais a necessidade de prevenção por meio da vacinação, único meio de prevenção. “Desde 2009 nós fazemos campanhas com a vacina da Febre Amarela porque ocorreu o fato de ter animais mortos na região, e temos uma região com recomendação de vacinação porque temos muita mata nas proximidades. Ressaltamos que aqueles que não lembram, ou os que não tem a carteirinha de vacina devem buscar a vacina para comprovar que está imunizado. Para o Ministério da Saúde quem não tem o comprovante é como se não fosse vacinado. Não faz mal se a pessoa tomar a vacina novamente. Antes era uma dose a cada dez anos, agora o protocolo do MS estabeleceu uma dose única para garantir a imunização. Se forem confirmadas as mortes pela doença teremos que tomar o máximo de cuidado, por isso incentivamos a vacinação para proteger as pessoas”, aconselhou. A vacina da Febre Amarela pode ser realizada a partir dos 9 meses até os 59 anos. A partir dos 60 anos a vacina deve ocorrer com recomendação médica, pessoas com comorbidades também devem ter indicação médica.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1665 de 25 de Fevereiro de 2021.


