Em sessão na Câmara de Vereadores, realizada na semana passada, o delegado de Polícia Civil trouxe à tona um ponto importante: o pacto social que sustenta a convivência em sociedade.
Por que falar sobre isso? Porque alguns fatos recentes indicam que alguma peça dessa engrenagem pode estar falhando.
Quando jovens e adultos sucumbem às drogas, não estamos diante de um problema isolado, mas do resultado de um processo que não começou agora.
A situação é visível e incomoda: os furtos têm preocupado a população. Mas, antes do furto, há a dependência. E, antes dela, há pessoas expostas a contextos de vulnerabilidade.
Não se trata de generalizar, mas de compreender que, muitas vezes, o caminho até o vício está ligado a tentativas de fuga de realidades difíceis.
Diante disso, cabe uma reflexão: qual tem sido o papel da família, da escola e da sociedade na formação dessas pessoas? Quando o problema já está instalado, é comum buscar respostas apenas no poder público e nas forças de segurança. No entanto, a base dessa realidade começa muito antes.
Quem hoje enfrenta o vício precisa de apoio e recuperação. Mas, sobretudo, é preciso olhar para aqueles que ainda não chegaram a esse ponto. A prevenção continua sendo o caminho mais eficaz.
Famílias, escolas e poder público precisam atuar de forma conjunta, fortalecendo valores, oferecendo suporte e criando oportunidades.
Porque, no fim, mais do que proteger bens, é preciso preservar vidas e evitar que mais histórias sejam marcadas pela perda, pela dependência e pelo abandono.
Por: Priscila Nascimento
Jornalista / Jornal O Celeiro
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1924 de 16 de abril de 2026.
