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Quem conta a história: Zeide Gris

Os caminhos da educação em Campos Novos

Zeide falou sobre os 40 anos dedicados a educação no município presenciando avanços e melhorias nos métodos de ensino.

Médicos, advogados, engenheiros, professores, administradores e demais pessoas foram alunos de Zeide Delavy Gris, uma professora que se dedicou a profissão por amor, ajudando muitos através de seu conhecimento, boas ações e seu exemplo. Ao relembrar sua trajetória é nítido seu amor e alegria ao detalhar alguns relatos do passado. Hoje ela se define como uma esposa feliz ao lado de seu João Carlos Gris, mãe orgulhosa de seus três filhos, Danielle, Daniel e Deborah, uma avó doce de seus seis netos, e uma professora por formação e dom. “Dessas quatro coisas não tenho arrependimento nenhum”, declara a entrevistada da semana da seção ‘Quem Conta a História’. Apesar dos 140 anos de história do município, a educação passou a se desenvolver de forma mais efetiva há cerca de 40 anos, e a professora Zeide testemunhou muitos desses avanços e compartilhou seu relato conosco.

Sobre o dom de ensinar, a camponovense, nascida no Alto da Bela Vista, Zeide reconhece a boa influência que teve desde a infância, o que a fez optar por uma das mais belas profissões do mundo. Após casar-se com João Carlos Gris ela continuou sendo incentivada a investir ainda mais na carreira do magistério, conforme conta. “Tenho uma vida pautada desde a infância de muito estímulo ao estudo. Por um período pequeno minha mãe foi professora, uma mulher que criou os filhos com grande sabedoria. Na escola na escola E.E. Antônia Corrêa Mendes eu tive excelentes professores que me motivaram a gostar do magistério. Desde pequena admirei muito minhas professoras que me ajudaram a decidir a minha profissão. Mais tarde me casei e na família do meu marido, recebi grande incentivo da minha sogra Nair da Silva Gris, que me aconselhava a estudar. Hoje temos uma escola que leva o nome de nossa querida sogra que é o CAIC professora Nair da Silva Gris. Uma homenagem merecida, pois, foi um marco para educação camponovense. Essa caminhada foi muito importante e me fez decidir por esta profissão”, conta.

A partir do momento que se dedicou aos estudos, começaram a surgir as oportunidades para que ela colocasse em prática tudo que aprendia e pudesse enfim exercer sua função como professora. “Após iniciar o magistério, no meu segundo ano, fui convidada para trabalhar na escola E.M.E.F. Santa Júlia Billiart. Cada ano era uma experiência diferente e eu me apaixonava mais pela minha profissão. Depois fui transferida para a Escola Jardim Bela Vista. Iniciávamos uma nova caminhada. Concomitantemente recebi o convite para trabalhar no Colégio Auxiliadora no ensino fundamental e médio, dando aula de Educação Moral e Cívica. Fui convidada na administração do prefeito Bruno Schaly para fazer parte na Secretaria Municipal de Educação, como diretora do departamento pedagógico. Trilhamos um caminho de orientação pedagógica com os professores, me abrindo uma nova visão, e fui buscar uma nova especialização em Gestão e Supervisão Educacional. Eu trabalhei de 1997 a 2003, daí voltei ao Santa Júlia Billiart como supervisora educacional. Trabalhei até chegar os anos da aposentadoria em 2012. Neste tempo também trabalhei por cinco anos na escola Estadual Paulo Blasi como professora. Em 2017 fui convidada pelo prefeito Zancanaro para atuar como superintendente do ensino fundamental. Trabalhei de 2017 a 2020. Em todos esses anos fui realizando cursos, foram mais de 500 horas de cursos de aperfeiçoamento, duas especializações”, falou Zeide sobre alguns de seus trabalhos durante os 40 anos de magistério.

Durante este tempo ela enfrentou muitas dificuldades, conheceu muitas pessoas, fez amizades e construiu muitas memórias de um tempo em que a educação andava a passos lentos. Ao passar por diversas etapas da educação ela percebe como os alunos podem ser beneficiados pelo desenvolvimento ao longo dos anos. “Iniciamos na década de 80 com 42 alunos numa sala de aula. Hoje esse número nem é permitido. A escola era muito carente de recursos, a maioria das famílias era distante da escola. Naquela época a escola era muito assistencialista, era o professor que catava piolho, que curava as feridas, que cuidava da escovação de dente. Aos poucos veio a evolução e as tecnologias e as melhorias, tanto na esfera física, quanto no processo de educação. As escolas eram bem pequenas. Hoje, por exemplo, a Escola Júlia Billiart é quase sete vezes maior do que era antes”, comentou.

Apensar de ter vivido um momento cheio de dificuldades, ela também assistiu a chegada de novos recursos que revolucionaram a educação. “Aos poucos recebemos melhorias, passamos a trabalhar com mimeografo, retroprojetor para realizar aulas mais dinâmicas, vimos as bibliotecas sendo implantadas nas escolas, recebemos televisões para apresentar filmes aos alunos depois passaram a vir os computadores e com o tempo foram montadas as salas de computação e as crianças tiveram condições de explorar os recursos disponíveis. Hoje também vemos os pais mais participativos na educação dos filhos. Presenciei muitas mudanças e ainda quero ver mais melhorias na educação”, prosseguiu a professora.

A nova dinâmica educacional se deu devido a muitos fatores, como as leis e novas metodologias aplicadas a educação. Todo o investimento é mais que merecido, pois, conforme acredita Zeide, a educação é fundamental para o desenvolvimento e exalta a função dos professores nesta conjuntura. “O papel da educação é fundamental porque é a formação do ser humano. Campos Novos teve um grande desenvolvimento nos últimos anos. Conforme a população vai saindo das escolas ela vai crescendo e o olhar vai mudando, tudo isso auxilia para que a comunidade alcance mudanças. Nessas evoluções a educação sempre esteve fortemente presente. O professor é uma profissão de elite, não devido ao salário, mas dada a sua importância. Mas é uma profissão desvalorizada. Os professores são os verdadeiros heróis do mundo”, destacou Zeide.

Zeide espera presenciar um progresso ainda maior. “Há cerca de trinta anos para cá tivemos uma revolução. Eu acredito muito na minha terra, na nossa comunidade e no ser humano. Eu não tenho intenção de sair deste lugar. Nossa terra é promissora, linda, aconchegante e receptiva. Ainda temos muito a crescer em questão física, territorial e humana”, afirma. Ela finalizou com agradecimentos ao jornal: “Agradeço ao jornal O Celeiro pela oportunidade. Acompanhamos há anos e tem tido um grande crescimento. Fiquei muito feliz em receber esta oportunidade para colocar um pouco do eu trilhei em todos estes anos na minha jornada de vida”.

*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1674 de 29 de maio de 2021.

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