[slideshow_deploy id='63323']

Quem conta a história: Luiz Carlos Chiocca

Amor ao trabalho marcam história de sucesso
alcançado por Luiz Carlos Chiocca

Presidente da primeira cooperativa de Campos Novos há 44 anos, o veterano ainda se declara encantado com a agronomia.

“Sempre me encantei com o setor produtivo. Amo ver como a natureza se multiplica. Essa multiplicação das coisas me encanta. Estou há tanto tempo atuando nessa área e amo. Tudo que eu faço, faço por amor”. Assim se declara Luiz Carlos Chiocca, presidente da Copercampos. Em alguns minutos de entrevista é perceptível a veracidade de suas palavras. Tudo que é conversado leva ao agronegócio. E sobre este setor ele conhece muito bem e fala dele com entusiasmo. Acostumado com a lida campeira desde pequeno, ela já sabia que um dia dedicaria parte de sua vida ao trabalho no campo. Convidado da editoria ‘Quem Conta a história’, Chiocca dividiu lembranças, momentos e uma história de muito trabalho.

Traçamos uma linha do tempo que apresenta algumas fases da vida do capinzalense. Nascido no interior, ele relembra que na infância ela já auxiliava os pais nas atividades diárias. “Eu ajudava a minha mãe a tirar leite e também tratava dos animais”, conta. Se ele reclamava? “Eu fazia todas essas lidas do campo e sempre gostei disso. Acho que já estava no meu inconscientemente que eu iria trabalhar com a terra e com os animais”, disse. Quando jovem ele já tinha definido seu desejo de ter um curso superior, e seria a agronomia seu destino. Com o incentivo de um amigo, ele fez primeiramente um curso técnico, logo em seguida cursou Engenharia Agronômica, em Pelotas. O estudo da agronomia abriu os horizontes do estudante e o fizeram conhecer ainda mais este segmento. No ano de 1977 veio para Campos Novos trabalhar na antiga Acaresc, atual Epagri. Após dois anos ele aceitou a missão desafiadora de ser o presidente da recém criada Copercampos. “Eu me dediquei, não entendia muito, sofri no início, mas estudei, e sempre fui participativa e estou aqui até hoje”, comenta.

Foram anos de aprendizado e um conhecimento que vinha se refinando a cada pesquisa e experimento realizados. Chiocca aplicou todos os ensinamentos e ajudou de forma ativa nesta evolução. As cooperativas surgiram na região para dar aos produtores o incentivo e a força que precisavam dentro de uma realidade cheia de dificuldades e com pouca rentabilidade. Além disso, a união de produtores trouxe a tecnologia para o campo permitindo uma evolução constante. “Antigamente tínhamos poucos recursos em tecnologia. Podemos citar o surgimento das plantadeiras, máquinas colhedoras, tratores modernos. Surgiu a biotecnologia, os transgênicos, os herbicidas, os defensivos. Antes demorava um pouco mais para acontecer as coisas, hoje as pesquisas estão evoluídas e as coisas acontecem mais rápido. Quando trabalhei na Extensão Rural o pessoal deixava a parte plana para o gado. Com a tecnologia introduzida foi possível transformar os morros de pastagens e aramos a terra no plano. Começamos a usar calcário, sementes hibridas, e produtividade que era 20 a 30 sacos por hectare passou para 100 sacos por hectare. Hoje quem não produzir 200 sacos por hectare está fora do mercado. As opções que foram criadas ajudou a sair deste patamar lento, para um alto nível de produtividade. Hoje somos um setor dedicado a se aprimorar neste sentido. Acredito que cada vez mais veremos a rapidez na evolução. Conseguimos inclusive, através das tecnologias, amenizar os problemas climáticos e aumentar a produtividade”, diz confiante.

A primitiva atividade rural foi tomando novos ares, sendo útil não apenas como subsistência das famílias, mas como um meio rentável e representativo na região. Com este crescimento as cooperativas tiveram um papel fundamental de suporte ao produtor, sendo este o motivo de criação da Copercampos no município. “Aqui era uma região de pecuária com campo nativo, isso não dá rentabilidade, o fazendeiro tinha dificuldade de sobreviver. O que ele engordava no verão, perdia no inverno devido ao frio e geada. Os gaúchos vieram para cá e arrendaram as terras dos fazendeiros em troca de pastagem de inverno. Com isso houve a melhoria na produtividade das vacas e consequentemente tivemos que procurar lugar para armazenar a produção de quem plantava no verão. Reuniram-se cerca de cem pecuaristas que estava interessados em lavrar suas terras e melhorar o modo de vida fundaram a Copercampos em 1970, em 1971 ela começou a operar. De lá pra cá só cresceu. Na região Sul dificilmente o agricultor teria condições de crescer devido ao tamanho das propriedades. Aqui foi necessário essa cooperação e união até para adquirir os insumos para construir os armazéns. Aqui no Sul o cooperativismo uma alavanca que ergueu a produtividade e organizou os produtores e deu condições dele se dar bem e compartilhar os ganhos”, acredita Chiocca.

A imagem e o status atual do agronegócio jamais foi pensada dessa forma por Chiocca. Como pôde uma atividade rudimentar chegar a um patamar tão elevado? “Nós não imaginávamos que veríamos tudo isso que estamos vendo, que a evolução seria tão rápida”, confessa o produtor. A frente da Copercampos há 44 anos, Luiz Carlos Chiocca sente-se feliz por fazer parte de um grupo que cresceu como empresa e que tanto contribui para o crescimento do município, tornando-o uma referência no agronegócio. “Sinto-me com a consciência tranquila e com a sensação de dever cumprido. Também me sinto satisfeito e orgulhoso de participar dessa história e desse movimento. Campos Novos deve muito as cooperativas, são elas que fazem o movimento do agronegócio e isso agrega vários segmentos que estão relacionados. Esses fatores contribuem para o desenvolvimento da região. Antes da cooperativa o município era cidade mais pacata e agora está mais movimentado. Todo dia nós trabalhamos para o município. Introduzimos a primeira usina fotovoltaica. A semente é um legado que vai ficar para sempre. Temos o Dia de Campo que é um espelho da nossa pesquisa. Estamos evoluindo no Rio Grande do Sul. Nós nunca paramos de crescer. Onde nós chegamos trazemos progresso”, afirma.

Simples, humilde, sincero e com muita história para contar, Chiocca pensa no exemplo que tem dado a todos que estão ao seu redor. “Minha motivação é o amor pelo que eu faço. Criei meus filhos com este sentimento e acredito que minhas netas também seguirão este mesmo caminho. Eu quero fazer a coisa certa. Gosto de ser pioneiro nas coisas e abrir caminhos que outros seguirão. Erramos algumas vezes, mas procuramos fazer o melhor para atender os interesses da empresa e da sociedade. Eu desejo a união de todas as cooperativas no município para fazer uma grande empresa agropecuária. Que possamos aumentar cada vez mais a produtividade. Se não podemos expandir nossas terras, queremos criar tecnologias para aumentar a produção para continuar sendo o Celeiro de Santa Catarina”, conclui.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1691 de 26 de Agosto de 2021.

spot_img

Mais lidas na semana

Novo reservatório de 100 mil litros é instalado no Loteamento Santa Clara

O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE)...

Liberdade e responsabilidade: o compromisso permanente da imprensa

Em 28 de julho de 1831, circulava em Desterro...

VAGAS DE EMPREGO – CAMPOS NOVOS

Vagas BRF (Campos Novos) Vagas para Operador de...

Tarifaço dos EUA derruba confiança do comércio em Santa Catarina

Fecomércio SC vê queda na intenção de consumo, piora...

Notícias relacionadas

Campos Novos
céu limpo
22.3 ° C
22.3 °
22.3 °
64 %
3.4kmh
3 %
sex
22 °
sáb
23 °
dom
23 °
seg
24 °
ter
17 °

Categorias Populares