De Exatas a Humanas, a jornalista Anne Arithuza Alves fala sobre sua trajetória frente a comunicação
Tímida e nervosa quando mais jovem, Anne nunca imaginou que faria carreira como comunicadora. Com 25 anos na área ela relembra muitos fatos marcantes em Campos Novos.
Motivada constantemente pelo pai Jair Alves a se dedicar aos estudos, a jovem Anne Arithuza Alves sabia que ouvir este conselho seria muito útil para conquistar seus sonhos. “Meu pai sempre falava que os estudos eram a herança que ele poderia deixar para nós. Ele teve quatro filhas mulheres e incentivava a gente a estudar porque nós poderíamos alcançar a independência”, relembra. Com isto em mente, Anne seguiu seu caminho focada em se tornar uma bancária bem sucedida como era sua tia, que foi um espelho para ela. Aos 17 anos, ela ingressou na faculdade de Ciências Contábeis, sem imaginar que anos depois trocaria as Ciências Exatas pelas Ciências Humanas, e se tornaria uma das comunicadoras mais reconhecidas em Campos Novos. O que fez Anne mudar o rumo de sua carreira profissional? No ‘Quem Conta a História’ dessa semana a jornalista Anne conta um pouco de sua trajetória.
Nascida em Curitibanos, chegou a Campos Novos com dois anos, onde fixou residências com os pais, seu Jair e dona Eva Sueli Alvese mais três irmãs. De família simples, Anne sabia que precisaria trabalhar desde cedo. Para conseguir pagar a faculdade de Ciências Contábeis ela prestou concurso no Hospital Dr. José Athanázio para atendente de enfermagem. “O primeiro emprego que eu tive foi no hospital, com 17 anos. Minha família não tinha muitos recursos. Eu gostei dessa experiência e achei que eu iria trabalhar lá pelo resto da vida. Eu até pensei em trocar de faculdade, mas naquele tempo não tinha uma faculdade de enfermagem próxima”, conta Anne.
Até então, Anne não tinha nenhum interesse em trabalhar em comunicação, para ela era algo inimaginável devido a sua timidez. Mas um encontro entre ela e a dona Maria Rossi foi o início de uma nova fase que mudou totalmente o rumo da sua vida. Sobre isto ela relata: “Eu fazia parte de uma associação de acadêmicos que realizava anualmente um festival de música. Nós convidávamos a imprensa, foi quando conheci a dona Maria. Era o meu último ano de faculdade. Ela perguntou se eu queria trabalhar como sonoplasta na rádio Cultura em julho de 1996. Tirei férias no hospital e comecei minha primeira experiência no rádio”. Após as férias, Anne decidiu pedir licença no hospital e acabou se efetivando na comunicação. Além da dona Maria Rossi, Anne diz que nesta área aprendeu muito com as jornalistas Roseli Salete Rossi e Antônia Claudete Martins que foram suas mentoras durante esse processo. Ela conta que em suas primeiras atuações ficava muito nervosa, e até relembra um desses momentos. “Uma das minhas primeiras entrevistas importantes foi com o governador Luiz Afonso Vieira. Eu lia as perguntas e tremia enquanto eu segurava o gravador. Eu estava muito nervosa”, relata enquanto ri, pois hoje ela faz isso com maestria.
Aos poucos Anne foi criando habilidade e se jogou de cabeça no jornalismo. Ela recorda que cobriu muitas pautas importantes na história de Campos Novos. “Uma das matérias que me marcou bastante foi a dos Sem Terra. Houve um tempo de invasões de terra no município. Nós fazíamos a cobertura de tudo isso. Foi nesse momento que surgiram alguns assentamentos aqui. Houve uma vez que fiquei entre eles em uma manifestação da Polícia em frente à Prefeitura. Foi um momento bem tenso. Essa matéria repercutiu bastante e me marcou muito”.
Todo esse trabalho feito dentro do jornalismo tem um único objetivo: trazer melhorias para o município. A jornalista testemunhou todos os avanços alcançados através do seu trabalho. “A nossa missão era cobrar e fazer as reivindicações do povo. Nós éramos o porta-voz da comunidade. As pessoas nos procuravam para pedir ajuda, para buscar soluções, e nós íamos para cima. Nossas cobranças fizeram a diferença. A pavimentação da 282 foi uma cobrança da imprensa por muito tempo. Eu passei por aquele trecho quando era estrada de chão. A comunicação de forma geral ajudou a construir a cidade. A Cidade evoluiu nesses 25 anos o que não havia evoluído em 100 ”, declara convicta.
Apesar de ser conhecida por sua atuação no rádio, Anne já esteve em diversas frentes do jornalismo, inclusive no jornal ‘O Celeiro’. Foram muitas as experiências que a tornaram uma profissional multifuncional na comunicação. Paralelo a comunicação, Anne também se aventurou como empresária. Também já deu uma pausa na carreira por cerca de um ano quando se mudou para Florianópolis. No entanto a comunicação e principalmente o rádio são a sua paixão. Ela diz que desde criança já havia este sentimento. “Minha mãe contava que quando eu era bebê eu chorava e meu pai ligava o rádio perto do berço e eu me acalmava”, relata sorrindo.
Merecidamente, Anne recebeu da Câmara de Vereadores uma homenagem por seus 25 anos de carreira. Emocionada ela agradeceu o reconhecimento, no entanto, destacou que o Poder Público precisa ter outra visão sobre o jornalismo. “Existe o reconhecimento das pessoas. A dificuldade está relacionada aos poderes constituídos olharem a imprensa como porta-voz do povo. Não levamos às pessoas a nossa opinião, estamos representando uma causa”, reforça. Orgulhosa e ciente que deu o seu melhor, honra os ensinamentos dos pais e o apoio das irmãs, Cinthia, Gisele e Michele, durante todo esse tempo. Ela também mantém seu compromisso a frente do jornalismo de sempre levar as reivindicações da sociedade visando tornar o município um lugar cada vez melhor para o cidadão.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1694 de 16 de setembro de 2021.


