Empreendedor nato, Fúlvio Rosar ajudou na
evolução do comércio camponovense
Contrariando o pai ao desistir da agricultura, Fulvio preferiu seguir o próprio caminho como comerciante.
O agronegócio conquistou muitos adeptos ao longo dos anos em Campos Novos e região por ser uma atividade ser promissora. Incentivado pelo pai, o jovem Fúlvio Brasil Rosar até tentou seguir este roteiro, mas sem muito sucesso. Logo ele começou do zero em outro ramo: o comércio, tornando-se um grande empreendedor em Campos Novos. Muito empenhado, ele galgou um longo e bem sucedido caminho. Como foi lidar com a contrariedade do pai e como conseguiu chegar tão longe? Fulvio Brasil Rosar participou da editoria do ‘Quem conta a história’ contando como chegou até aqui e como ajudou na construção e evolução do município.
Apesar de ter investido no comércio, o desejo do pai de Fúlvio era que ele fosse um produtor rural. Por um tempo ele tentou. Mas será que deu certo? Ele responde: “Eu até tentei trabalhar no campo, mas levei prejuízo duas vezes. No primeiro ano eu plantei um trigal enorme, mas deu uma geada fora de época e matou tudo. Daí eu plantei feijão que foi morto pela geada também. Então eu decidi: “não quero mais saber da agricultura”. Mas meu pai queria que eu continuasse. Ele me mandou para Lages para estudar. Mas eu já tinha decidido trabalhar no comércio. Nesta época eu tinha cerca de 17 anos”.
Morando em Lages, Fúlvio teve de se manter sozinho e o pai conseguiu um emprego para ele em um atacado de propriedade do seu Túlio. Fulvio começou como varredor da calçada da empresa. Mas essa situação não durou por muito tempo. “Logo eu comecei a trabalhar com a limpeza das prateleiras, depois fui promovido a vendedor. Me tornei um dos melhores”, orgulha-se. Notando o talento de Fúlvio, seu Túlio o incentivou a ser um comerciante.
Fúlvio seguiu o conselho e arranjou um ponto em Campos Novos para abrir seu armazém. Com a carta branca oferecida por seu Tulio, ele foi abastecer o seu primeiro armazém. “Eu peguei uns cinco fardos. Daí o seu Túlio disse: “tem que encher as prateleiras”. Eu pensei: como vou pagar tudo isso?”, relembra. Para começar o negócio ele também pediu ao pai um cavalo, já que o pai tinha vários, para ajudar no carregamento das mercadorias. Ele não me deu o cavalo, mas o vendeu para que Fulvio pagasse depois.
Os trabalhadores das serrarias, que estavam em ascensão naquela época, eram os principais clientes de Fúlvio e o negócio foi dando muito certo. “Seis meses depois eu fui a Lages levar o dinheiro para pagar o seu Túlio e ele me fez levar mais mercadorias. Voltei tão alegre. Eu comprei uma caixa de foguetes e quando cheguei em Campos Novos os soltei para comemorar”, conta. Muitos curiosos queriam saber o motivo das explosões e Fulvio aproveitou para informar que havia trazido muitas mercadorias para vender para eles. Cada vez mais fregueses e mais serrarias iam surgindo na localidade em que Fúlvio estava. “Fiquei uns dez anos ali perto do rio de Vargem. Comprei uma kombi 0 Km, depois comprei um caminhão pequeno. A situação foi melhorando”.
O armazém foi crescendo, mas certamente não foi sozinho que Fúlvio conseguiu progredir. Ele abre um parêntese para citar a importância da ajuda de sua esposa neste processo. “Quando eu decidi mudar eu pedi minha namorada em casamento. A Adélia foi uma guerreira junto comigo. Era trabalhadora e de coragem. Escolhi a pessoa certa, foi Deus que me mandou ela”, se declara para a mulher com quem teve seus oito filhos.
Pensando nas crianças, Fúlvio se mudou mais uma vez para uma localidade com mais oportunidades. Porém, com o fim das serrarias a família decidiu ir para a cidade de Campos Novos. Fúlvio aproveitou para tirar ‘férias’ do trabalho. “Vendi meus armazéns, juntei um bom dinheiro e vim para a cidade. Comprei uma boa casa, deixei parte do dinheiro no banco e fiquei sem trabalhar. Minha mulher me alertou de que o dinheiro poderia acabar e me aconselhou a voltar a trabalhar. Eu pensei que estava rico, eu comprei alguns prédios e retomei o trabalho como comerciante. Comprei um atacado que estava prestes a fechar. Eu retomei as atividades e passei a fornecer aos armazéns da cidade e do interior”.
Fúlvio foi um grande comerciante em Campos Novos, sendo dono de um dos primeiros supermercados do município. “As coisas foram se modernizando e resolvi montar o supermercado Rosar. Eu fui bem e abri outros supermercados na região. Os filhos ajudaram bastante, mas fui eu que sempre administrei os negócios ao lado da minha esposa”, declara. Cansado, Fulvio optou por vender os supermercados. “Eu amava trabalhar com o comércio, mas eu cansei. Até os 70 anos eu estava na ativa, mas depois resolvi parar”, conta. Fúlvio aproveitou para viajar ao lado da esposa e conhecer o Brasil, e dela guarda muitas lembras após sua perda há cerca de oito anos. “Ela foi o meu braço direito. Se não fosse ela eu não teria conseguido tudo. Foi há oito anos, e ainda sinto muita saudade”, diz emocionado.
Ele lembra com carinho de tudo que viveu, e diz que deixou um bom exemplo de trabalho aos filhos e a todos que conviveram com ele. Considerado um camponovense de coração, Fulvio reconhece que fez um trabalho significativo para Campos Novos, tanto quando atuou na política por alguns anos, mas principalmente como um empreendedor de sucesso e deste período ele recorda bem. “Depois que eu vim para Campos Novos as coisas foram evoluindo ainda mais. Os supermercados foram crescendo. Hoje Campos Novos dobrou. A agricultura cresceu e levou Campos Novos a outro nível. Meu desejo é que o município cresça muito mais. Daqui a uns anos nós vamos ser uma das maiores cidades do Oeste. Ainda veremos muitas industrias vindo para cá”, finaliza confiante.
*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1695 de 23 de setembro de 2021.


