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Quem conta a história: Hedi Timmes

Hedi Timmes fala sobre o tempo em que
a saúde engatinhava em Campos Novos

A técnica em enfermagem aposentada reviveu os dias em que começou sua carreira na saúde.

Curiosa, destemida, dedicada e muito sincera, Hedi Maria possui muitos predicados como profissional e como ser humano, mas o que de fato é inegável é que ela foi uma mulher a frente do seu tempo, não deixando que nenhuma dificuldade a impedisse de realizar seu sonho. Que sonho era esse? Trabalhar no hospital. E ela conseguiu. No ano de 1973, quando a medicina em Campos Novos ainda dava passos lentos no uso de grandes tecnologias, Hedi ingressou no hospital Dr. José Athanázio sem nenhuma experiência profissional, mas foi recompensada por sua coragem e dedicação. Foram 34 anos e 20 dias de trabalho como ela faz questão de contar. O que ela viveu e presenciou nesta área, e o que mudou? Vamos acompanhar em mais uma editoria Quem Conta a História.

A paranaense, nascida em Campo Mourão, passou a infância em Joaçaba e chegou em Campos Novos na adolescência. Quando Hedi ainda era muito jovem ela se perguntava por quê a mãe havia morrido, e nutriu o desejo de trabalhar em um hospital só para saber o motivo. Aos 18 anos ela ingressou no Hospital, descobrindo não apenas a resposta para a sua pergunta, como também um ofício que exerceu com amor e dedicação, como ela mesma diz repetidas vezes. Logo que começou no hospital Hedi trabalhou por um mês na limpeza, mas um mês depois mudou de função, sendo chamada para atuar no cuidado dos doentes. O que fez com que Hedi em tão pouco tempo fosse promovida? Sua curiosidade, interesse e capacidade de aprender. “Quando eu comecei fiquei trinta dias na limpeza acompanhando o movimento no hospital. Eu era muito curiosa e isso me levou aos lugares. Eu ficava perto vendo como as coisas eram feitas, daí com um mês de trabalho eu fui chamada para trabalhar no Posto 3”, conta orgulhosa, lembrado a felicidade de poder estar naquele local que tanto sonhou. “No meu primeiro dia de trabalho eu me senti nas nuvens, estava realizada pelo fato de poder entrar no hospital”, continuou.

Em 1973, quando Hedi ingressou no hospital a realidade era bem diferente de hoje. A parte física, o uso de equipamentos e os métodos de contratação de pessoas eram bem diferentes. Até então, naquele período não havia exigência quanto a qualificação profissional para atuar no hospital fazendo o que hoje faz uma técnica de enfermagem. “A única exigência era a disposição e amor ao próximo e ao ofício. Na minha época não tinha enfermeira profissional no hospital. Aprendíamos na prática e pela dedicação dos médicos. Entrei lá sem saber absolutamente nada, mas acompanhando os médicos eu fui aprendendo, e eu tive muita facilidade para aprender. Foi lá que tive minhas primeiras experiências em cuidar dos doentes. Eu comecei a fazer tudo o que uma enfermeira faz. Eu tirava sangue dos pacientes, fazia partos e muito mais procedimentos”, relata Hedi, contando em seguida sobre um dia muito marcante em sua trajetória. “Fizemos um parto que me marcou muito. Não acreditávamos que o parto aquele dia seria normal, mas nós conseguimos realizar e a criança pesou 6,100 Kg”, recorda.

Quanto a estrutura física e aos equipamentos, o que era diferente? Quem hoje está acostumado com Raio X de última geração, cirurgias a laser, equipamentos modernos, não imagina que antigamente os médicos eram desprovidos de toda esta tecnologia. Mas mesmo assim, Hedi garante que os profissionais davam seu melhor e tudo saia bem. “O hospital funcionava no mesmo local. Tinha consultório médico, laboratório, pediatria, um quarto que funcionava como psiquiatria, farmácia e administração. Eram as freiras que cuidavam do hospital, e na época o administrador era o Navir Cristofoli. O espaço era um pouco menor do que é hoje. Não tínhamos muitos recursos para fazer a medicina. Apesar de não haver toda a tecnologia de hoje, todos os procedimentos eram muito bem feitos. Os profissionais eram comprometidos com o ser humano. Era difícil acontecer alguma coisa errada. Aquela era uma época em que ocorriam muitas brigas no município. Recebíamos muitos pacientes baleados e esfaqueados. Mesmo assim tudo parecia ser algo tão fácil, eu não via muitas dificuldades”, afirma.

Apesar de ter iniciado sua trajetória no Hospital Dr. José Athanázio, Hedi passou por diversos lugares, como o Posto de Saúde do bairro Aparecida e no PAM. Neste meio tempo ela foi se certificando na área da saúde até conseguir ter o diploma de técnica em enfermagem. Após anos como funcionária contratada, ela decidiu fazer um concurso, passando em primeiro lugar, assumindo sua posição como técnica de enfermagem efetiva. Suas atividades não se limitavam aos ambientes hospitalares, ela também viajava para dar palestras no interior onde explicava para a população sobre a importância da prevenção em saúde. Hedi precisou dar uma pausa na carreira por causa de um acidente que sofreu. Após sua recuperação ele voltou a seu posto e continuou na ativa até se aposentar. Há cerca de seis anos ela se despediu do PAM, seu último emprego.

Hedi fala com carinho sobre sua vida e sua profissão, algo do qual tem orgulho. Ela é um exemplo de força e determinação, pois quem imagina que sua vida era simples está enganado, suas responsabilidades eram grandes, ela tinha que se desdobrar durante o dia para conciliar o cuidado com casa, com os quatro filhos e o trabalho. Sem arrependimentos, ela diz que sua vida valeu a pena e que faria tudo novamente, pois tudo que fez foi por amor, esta era sua principal motivação. Hedi finaliza deixando como incentivo o amor, a empatia, o bom caráter e a humildade como ingredientes do sucesso.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1692 de 02 de Setembro de 2021.

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