Comunicadora há 29 anos, Claudete Martins diz que o jornalismo “faz a diferença na vida das pessoas”
Repórter, editora, coordenadora e assessora de imprensa, a profissional esteve em diversas frentes desta área que ajudou a impulsionar o crescimento de Campos Novos.
“O jornalismo te dá a oportunidade de trabalhar pelas pessoas e melhorar a vida das pessoas. As pessoas procuram a imprensa como forma de solução de seus problemas. A parte mais rica do jornalismo é trabalhar com pessoas, é vê-las felizes”. Para a comunicadora Antônia Claudete Martins, o jornalismo é mais do que uma profissão, mas é também uma forma de ser útil e de fazer a diferença na vida das pessoas. Nestes 29 anos de atuação como jornalista nas mais diversas áreas, ela se sente realizada por saber que fez o seu melhor e que ajudou muitas pessoas nesta trajetória de vida, principalmente através dos meios de comunicação, ferramentas de grande credibilidade no qual as pessoas confiam e procuram em busca de ajuda. Antes de se firmar como profissional, Claudete passou por muitas outras áreas e conta para os leitores um pouco de sua história e do que presenciou ao longo dos anos.
Nascida na comunidade do Toldo, no município de Vargem quando este ainda pertencia a Campos Novos, Claudete é a caçula de nove filhos. Aos seis anos, os pais que eram agricultores, decidiram vender suas terras e se mudaram de mala e cuia para Campos Novos, pois o pai queria que os filhos tivessem mais oportunidades. Por ser muito pequena, a mãe de Claudete preferiu não a colocar na escola, mas ela surpreendeu a todos, pois sua inteligência chamou a atenção. “Aos sete anos, que era a idade de ir para a escola, a mãe não me colocou porque eu era muito magrinha e ela achava que eu não iria acompanhar os alunos. Eu entrei um ano atrasada na escola. Mas eu acompanhei e fui uma das melhores alunas. Desde pequena eu tive um contato próximo com a comunicação. A primeira poesia que declamei eu não sabia ler. Eu Amava declamar”, revela Claudete.
A facilidade na comunicação já era um dom perceptível desde menina. Além disso ela era centrada, ponderada e muito estudiosa, fato que rendeu muitas oportunidades quando jovem. Com notas boas e comportamento exemplar, aos 13 anos ela foi recrutada para trabalhar no Banco do Brasil como menor auxiliar de serviços gerais, um sistema similar ao Jovem Aprendiz. Independente, ela continuou trabalhando em outras áreas quando saiu do banco, aos 18 anos. Ao trabalhar numa loja de informática, Claudete conheceu a dona Maria Rossi, que ofereceu uma oportunidade na Rádio Cultura. Ao primeiro contato com o jornalismo, aos 19 anos, Claudete conheceu a profissão que ela sabia que iria seguir por anos. “Quando comecei no rádio me identifiquei de cara. Com poucas semanas fui para o jornalismo. Comecei com a rádio Escuta. Não tínhamos muitas fontes de notícias, gravamos o noticiário de outras rádios e fazíamos a Rádio Escuta e divulgávamos de hora em hora. Eu gostava de fazer isso. Comecei a acompanhar a Rosi, ela foi minha primeira escola”, conta.
Destemida, ela enfrentou os desafios com coragem, nem mesmo sua primeira matéria ao vivo a deixou nervosa. Da era analógica ao digital, ela transitou e se adaptou as fases da comunicação. “A evolução que a comunicação teve foi extraordinária. Trabalhávamos com gravador cassete. As transmissões eram feitas por linhas de telefone. No início foi muito difícil essa adaptação, houve resistência, não queríamos usar o computador. Não salvávamos o documento, perdíamos a matéria em cima da hora. Foi bem difícil, mas depois vimos as facilidades, como a edição do texto. A tecnologia foi rápida demais. Tive que me adaptar”, relembra.
Os processos mudaram, mas a essência do jornalismo não, e ela cumpriu bem este dever, levantando as causas importantes para o desenvolvimento do município e das pessoas. “O setor de comunicação teve uma participação fundamental porque sempre brigamos juntos e defendemos o município. Acompanhei de perto a construção da Usina Campos Novos, as épocas de ocupação e reivindicações. Foi um processo longo. A Usina foi um dos marcos deste crescimento. Gosto de ser reconhecida por ter ajudado as pessoas. Gostei de ensinar, eu ajudo e ensino e fico feliz de ver meus colegas reconhecidos. Trabalhar com comunicação é um dom e uma missão”, afirma.
Por onde passou Claudete levou a sério as premissas do bom jornalismo. Foram 22 anos na Rádio Cultura, 4 anos no Jornal O Celeiro, e cerca de quatro anos como Assessora de Comunicação, foram seis meses atuando na Regional de Campos Novos, e atualmente há quase três anos na Mídia Led. O rádio é uma das paixões, e ela diz que um dia ainda pretende voltar a atuar nesta área.
Além de jornalista, Claudete é esposa, mãe e filha, e nestes campos da vida ela também enfrentou muitos desafios. “Fui mãe aos 21 anos, hoje tenho dois filhos bem encaminhados. Foi difícil ter que ficar um pouco ausente de casa. Não temos hora e nem dia. Eu tive o suporte de ter uma ‘tata’, que foi como uma mãe para os meus filhos. Outro desafio foi cuidar do meu pai doente durante oito anos. Eu abri mão de muitas coisas nesse período para ficar com ele. Construímos uma relação de parceria e amizade. No último ano ele esqueceu da gente, isso foi muito triste, ela perdeu sua referência. Foi um desafio conquistar ele todos os dias. Eu aprendi muito”, relata emocionada.
Apesar das dificuldades, Claudete sempre se manteve calma, conseguindo conciliar suas responsabilidades. Realizada na vida pessoal e profissional, ela diz que tem projetos para o futuro. “Eu quero ter meu próprio canal em que eu possa falar sobre o que penso e levar alegria para as pessoas. Ainda quero trabalhar com o terceiro setor, talvez quando eu me aposentar. Quero promover esta causa que ajuda a transformar a vida de muita gente”, declara. Para o município ela também vê um futuro brilhante. “Campos Novos vai continuar evoluindo. Temos que ter mais oportunidades de educação, saúde, ainda falta construir uma referência regional e o desenvolvimento industrial. Podemos ser celeiro de várias outras áreas além da agricultura”, acredita a jornalista Claudete Martins.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1698 de 24 de outubro de 2021.


