Sidney Carvalho de Almeida destaca que as causas sociais também são importantes para o desenvolvimento
Camponovense fala sobre importância do voluntariado como forma de ser útil na vida das pessoas.
Ser útil, servir, se colocar no lugar do outro. Princípios inculcados desde sua infância fizeram com que o camponovense Sidnei Carvalho de Almeida crescesse com um proposito: ajudar o próximo. Calmo e centrado, o convidado desta semana para participar da editoria ‘Quem Conta a História’, falou sobre a importância do voluntariado e das causas sociais como forma de contribuir para o desenvolvimento do município. Admirador dos pais e dos avós, com quem conversava bastante, ele aprendeu valores que até o hoje o motivam em sua caminhada. Desde pequeno, Sidney diz que nutria este desejo e tenta ajudar outras pessoas a trilhar um caminho de amor e compaixão ao outro.
Nas dependências da Fundação Cultural ele conversou com a redação do jornal ‘O Celeiro’. Lá ele relembrou do pai e de parte de sua infância. “Meu pai, Raulino Carvalho de Almeida, era jardineiro da Prefeitura de Campos Novos. Nesse local era a antiga Prefeitura. Exatamente nesse local onde nós estamos era a garagem. Eu era menino e vinha trazer toda manhã para ele o café que minha mãe, Alécia Madalena Carvalho de Almeida, preparava”, conta.
Ainda criança, na chácara da família, o pequeno Sidney ajudava os pais na lavoura, limpando milho, plantando e colhendo feijão, e cuidando dos animais. Dedicado aos estudos, ele cresceu com o pensamento de trabalhar para ajudar a família. Grato pela criação que recebeu, relembra que os pais eram pessoas de bem que o ensinaram a sempre fazer o correto, assim como o avô materno, de quem ele guarda muitas lembranças. Ele relembra uma que uma vez chegou em casa com uma borracha que não era sua. O pai perguntou onde ele achara e ele disse que encontrou na escola. “Ele me puxou a orelha e me mandou devolver mesmo sem eu saber de quem era”, relata.
Em tudo que fazia ele tentava ver de que forma poderia trazer algo de bom, inclusive quando participou de um grupo musical na juventude. “Lembro que quando eu tinha minha banda eu gostava de levar alegria e uma mensagem de esperança para as pessoas. Era um conjunto tradicional gaúcho. Gravamos LPs e discos em São Paulo, saímos daqui em 1978. Representávamos o município quando tínhamos oportunidade. Gosto de valorizar o município, a família, Deus e os seres humanos”, declara.
Neste interim Sidney trabalhou com chapeação e pintura de carro, e estudou direito, administração, além de fazer uma pós graduação em Marketing. Atualmente ele tem um programa semanal na Radio Cultura onde trabalha há mais de vinte anos. Paralelo a isso, ele desenvolveu um trabalho voluntário junta a comunidade. “Eu sou ministro da eucaristia e fui convidado a exercer a função de diácono. Dentro desse trabalho realizamos várias atividades. Eu também ajudo as famílias no momento em que elas perdem um ente querido na morte, levando uma mensagem de consolo para elas. Na pandemia tivemos dias que fizemos cinco sepultamentos. O que mais me chama a atenção nessa caminhada são os acontecimentos com os jovens. Alguns tiram a vida bem cedo. É uma parte sofrida. Falar uma palavra diante desta realidade é duro. É bom poder confortar as pessoas nesse momento. Quero ser instrumento de Deus para ajudar as pessoas”, diz.
Para Sidney esse trabalho voluntário tem grande significado e é uma meta de vida para ele e a família. “O que dá sentido a vida das pessoas é a capacidade que ela tem de ser útil, é fazer valer a pena suas pegadas nesse mundo. Temos uma passagem muito curta. Nossa caminhada precisa fazer sentido, e esse sentido só vem a partir dos valores que nos foram passados. O que é ser útil? Olhe a caminhada de cada pessoa e veja de que maneira você pode ajudar. As vezes uma palavra amiga ou estender a mão pode ajudar alguém a sair do buraco e ter um ânimo para viver. O que levamos quando morremos? Não levamos nenhum bem material. Lembrar disso nos ajuda a dar valor a coisas que tenham sentido”, disserta.
Será que esse pensamento e atitude praticada por Sidney é importante para o desenvolvimento do município? Sobre isso ele faz uma ótima reflexão: “Conheço a realidade da minha idade. Campos Novos cresceu muito em tecnologia, produção e produtividade. Mas as pessoas que buscam apenas isso ficam muito focada no resultado material e se tornam insaciáveis. Mas tudo isso só terá sentido se aquilo retornar aos outros e nos tornar pessoas melhores. Deus nos dá em abundância. Nossa terra é abençoada. Não podemos pensar só nas riquezas. É preciso partilhar e ser altruísta. No caso dos empresários podemos dizer que eles geram empregos para inúmeras famílias. Deus nos dá as coisas para que façamos mais”.
Ciente da importância de fazer o bem, ele tem deixado um bom legado. “Que possamos ajudar nas dores de outras pessoas. Que possamos servir. Que sejamos humilde já que somos pó. Por um lado, ficou fácil a comunicação entre pessoas no mundo todo, mas criamos um mundo de isolamento, mecânico e artificial. Não há mais partilha. Por onde passei eu procurei deixar rastros. Meu trabalho social vem de muitos anos. Que as pessoas melhorarem seus relacionamentos. Que possam pensar como comunidade. Que olhemos mais pelos jovens e pelas crianças”, deseja Sidnei.
Essa caminhada proporciona a Sidnei um sentimento de gratificação, alegria e gratidão, como ele mesmo conclui. “Para mim é gratificante poder ajudar as pessoas. Somos chamados a isso. Valeu a pena os sacrifícios. Tive o apoio da minha esposa, Helena, que é minha parceira nos projetos. Meus filhos também tem essa consciência e os mesmos valores”, finaliza.
*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1697 de 07 de Outubro de 2021.


