Dr. Carlos Antunes fala sobre amor e dedicação a medicina
Após nove anos fora de Campos Novos, o médico retornou para compor a equipe médica que ajudou o município a se desenvolver na área da saúde.
“Camponovense da gema”, é assim que o médico Carlos Antunes se identifica, com todo o orgulho de ter nascido, se criado e, hoje, trabalhar em Campos Novos. Quando se formou seguiu caminho para o Paraná, mas após 9 anos retornou ao lar e decidiu que daqui não sairia mais. Apaixonado por medicina, e mais ainda por futebol, Doutor Carlos foi um dos primeiros médicos que atuaram no município. Quando retornou, havia aqui apenas quatro médicos, que juntos ajudaram a manter a saúde da população. Ele presenciou muitos avanços na medicina local e nos ajuda a contar um pouco dessa rica história.
Filho de funcionário público da prefeitura e de uma professora, Carlos foi neto de Manoel Antunes Stephanes, 14° prefeito de Campos Novos. Apesar de não ter nenhum parente próximo que fosse médico, apenas um tio-avô que atuava em Porto Alegre, desde jovem ele nutria o desejo de se formar em medicina. Ele diz que sempre gostou de ajudar as pessoas, e por meio da medicina ele poderia fazer isso. Imbuído em sua determinação, após concluir o primário no grupo Gustavo Richard, hoje conhecido como Escola Paulo Blasi, ele seguiu para cursar o ginásio científico em Curitiba, no Paraná, e, então concluído, foi, cursar medicina em Florianópolis. Durante os anos que passou na faculdade, ele aproveitava as férias em Campos Novos, mas ele não vinha para casa apenas para descansar, o oposto, enquanto estava no município ele treinava a prática médica. “Eu devo muito ao Dr. Riscala, ele é um dos médicos mais antigos de Campos Novos. Quando eu vinha passar minhas férias aqui eu o auxiliava nos procedimentos médicos. Aprendi muito com ele”, diz.
Com 24 anos, Carlos se formou e decidiu iniciar sua carreira no Paraná, após convite de dois primos que tinham um hospital na pequena cidade de Mamborê. Já casado, se mudou para Mamborê, e por lá ficou nove anos. A saudade e algumas circunstâncias influenciaram sua volta para Campos Novos, como ele mesmo conta. “Aquela cidade era muito pequena. Para fazer compras tinha que viajar 30km. Não tínhamos muitas opções. Além disso, eu sentia falta de Campos Novos e decidi voltar. Eu conheci minha mulher em Florianópolis, e ela também queria voltar para Santa Catarina para ficar perto da família. Em 1977 eu voltei. Tive todo o apoio da minha esposa”, relata.
De volta, Carlos compôs a equipe de médicos do município, que à época contava apenas com quatro profissionais da medicina. A saúde em Campos Novos ainda não contava com muitos equipamentos e o único espaço para atendimento médico era o hospital Dr. José Athanázio. Até então, não havia Postos de Saúde disponíveis. Ao analisar o passado e o presente, o médico se admira e se emociona com o progresso vivido na saúde e no município. “Havia quatro médicos: o Dr. Riscala, dr. Mauro, Dr. Clinton e Dr. Vilmar, fui o quinto médico. Aqui ainda não era desenvolvido, mas em comparação com Mamborê, Campos Novos era bem maior. Naquele tempo tínhamos apenas o hospital. Era no mesmo prédio que é hoje, mas havia muitas deficiências. Atendíamos muitos baleados, esfaqueados, pois ocorriam muitas brigas. Não tínhamos equipamentos bons, lembro que tínhamos apenas um raio X. A única especialidade que tínhamos era o anestesista”, relembra.
Dr. Carlos participou deste desenvolvimento, inclusive, quando foi diretor do hospital, trazendo novos equipamentos. Somado a isso, o médico também investiu em novos cursos e atualizações como profissional. Após alguns anos, surgiram os postos de saúde que contaram com a contribuição do trabalho prestado por ele. “Já fiz muitos cursos de atualização. Hoje temos tudo disponível para diagnosticar os problemas do paciente. Temos mais de quarenta médicos na cidade. A medicina significa tudo para mim. Eu gosto muito de ajudar as pessoas, e me esforço muito para isso. Até hoje eu prático a medicina com muito gosto, faço porque gosto. Procuro sempre me atualizar”, afirma.
Em 1982 uma nova oportunidade surgiu de surpresa na vida do médico: a carreira política. De 1982 a 1988 ele foi vice-prefeito de Campos Novos ao lado do Mansur Elias. A decisão foi tomada em cima da hora, sem que ele tivesse tempo para pensar. “Quando fizeram a reunião do partido para definir os candidatos, nesse dia eu fui indicado. Eu não havia me preparado. Minha mulher descobriu que eu ia ser candidato pelo rádio, mas me apoiou nesta caminhada. Foi sem querer, eu nem imaginava que ganharíamos, quando saiu o resultado eu nem acreditei. Nesse período eu fui diretor do hospital”, conta ele, que não quis continuar na politica por muito tempo. “Não! O que eu realmente gostava era da medicina”, declara.
Apesar de sua dedicação a medicina, dr. Carlos sempre achava um tempo para a família e para o futebol, esporte que ama. “Eu jogava muito futebol no time de Campos Novos. Adoro futebol. Sou torcedor do Figueirense. Sou um dos poucos camponovenses que torce por um time de Santa Catarina”, afirma apontando a foto dos netos na parede vestidos com a camisa do clube.
Alegre e dedicado, o médico coleciona momentos ao lado da família, amigos e no trabalho. Ao falar sobre sua trajetória ele se enche de emoção ao saber que contribuiu de forma significativa para com as pessoas. “Me sinto muito feliz e orgulhoso de ter trabalhado todos esses anos em Campos Novos e ajudado as pessoas. Eu fiz muitos partos, operei muitos baleados e esfaqueados. Trabalhei muito pelo SUS. Eu sou apaixonado por Campos Novos. Eu me emociono quando falo do meu município”, conclui com os olhos marejados.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1704 de 25 de novembro de 2021.


