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Quem conta a história: Pedro Ortiz de Castro

Pedro Ortiz de Castro fala sobre importância e evolução do rádio

Com 41 anos de carreira, o comunicador também falou sobre desafios e mudanças ocorridas ao longo do tempo.

Nas casas, nos carros e nos estabelecimentos comerciais o rádio está sempre ligado. Pela manhã, em Campos Novos, o comunicador Ortiz chega as pessoas levando as principais notícias do município, do estado e do Brasil. Conhecido por todos pela sua voz inconfundível, Pedro Ortiz de Castro tem pelo rádio amor e carinho. Nesta trajetória se consagrou como uma das vozes oficiais do município. Ele carrega muita experiência e histórias, e nesta edição irá compartilhar com os leitores como iniciou seus primeiros passos como comunicador e a evolução que presenciou à frente do rádio.

Fitas cassetes, cartuchos e máquina de escrever eram as tecnologias do rádio nas décadas de 1980. Foi neste período que o comunicador iniciava sua carreira, quando tinha cerca de 19 anos, na rádio Coroada, em Curitibanos, sua cidade natal. Com uma voz grave, as pessoas sempre o associavam a locução, e com o incentivo e indicação de alguns professores ele foi acabou indo trabalhar no rádio, mas começou como sonoplasta. Um dia, na falta de um locutor, Ortiz foi convidado para substituí-lo e desde então não deixou mais os microfones.

Tímido e com pouco conhecimento, ele conta que em sua estreia ficou muito nervoso, mas depois de um tempo o trabalho se tornou natural, e falar ao vivo já não lhe causava medo. Ciente de que aquela seria profissão, Ortiz foi atrás de novos desafios. Curitibanos, Fraiburgo, Videira e Santa Cecilia foram as cidades que percorreu até conhecer Campos Novos, no ano de 1989, e aqui fixou residência. “Eu queria crescer profissionalmente e Campos Novos me abriu esta porta. Aqui eu fui bem recebido, tanto pela rádio, quanto pelo público. Depois constitui família e isso fez com que eu criasse raízes aqui. Me identifico com esse lugar, sinto como se tivesse nascido aqui, criei laços fortes”, afirma.

Ao descrever o funcionamento do analógico, a diferença com a comunicação atual é gritante. Hoje, com um clique no mouse de computador você leva um programa ao ar. Antes, o trabalho era dificultoso, como ele relembra. “A tecnologia da época era o gravador cassete, a máquina de escrever e o disco de vinil para rodas as músicas. Os cortes e edições de entrevistas eram muito difíceis de fazer. Cada comercial e vinheta ficavam em um cartucho individual”, relata. Após alguns anos, a situação mudou e a tecnologia invadiu os meios de comunicação e a rádio Cultura foi uma das primeiras na região Sul a se adaptar a nova tendência. “No início eu me assustei e pensei: “será que eu vou conseguir acompanhar tudo isso?. Eu consegui”. Hoje o trabalho é mais fácil, prático e rápido. Este foi um processo enriquecedor”, diz.

Chegar até o ouvinte através das ondas do rádio é uma grande responsabilidade. As pessoas depositam sua confiança nos comunicadores, portanto tudo que é transmitido exige boa apuração. Ortiz fala sobre esta importante missão que carrega. “Temos o compromisso e comprometimento com a verdade. Temos que ter responsabilidade pelo que falamos. O público percebe quando não somos coerentes”, diz, acrescentando que a tecnologia, apesar dos benefícios deu margem para divulgação de informações que faltam com a verdade. “Existe o lado bom e ruim da evolução dos meios de comunicação. Nos comunicamos mais rapidamente e isso é bom. Mas favoreceu as Fake News, que é um problema seríssimo e cultural. Como profissionais precisamos checar o que recebemos”, completa.

As principais notícias levadas pela Rádio Cultura estão relacionadas a Campos Novos. Inclusive, o rádio foi um grande fomentador de muitas mudanças. Nestes 32 anos residindo no município, Ortiz viu e divulgou importantes acontecimentos locais. “A evolução de Campos Novos foi perceptível. A infraestrutura do município mudou muito. A Rádio Cultura esteve atento a isso. O nosso jornalismo é forte e pujante. Nos envolvemos com o coletivo, essa é uma de nossas marcas. Antes não tínhamos uma corporação de Bombeiros, mas acabou sendo criada através de encontros na rádio. A Rosely Rossi encampou esse movimento e foi formado um Corpo de Bombeiros Comunitário. Outra situação foi a ponte da BR 470, que liga Campos Novos a Barracão, no Rio Grande do Sul. A rádio se movimentou e tivemos um bom resultado. Participamos em muitas situações importantes para o município. O rádio tem que ser comprometido com a população para mobilizar aqueles que podem fazer alguma coisa. Nosso trabalho só faz sentido se pudermos contribuir para o bem da população”, declarou.

Mesmo com toda a evolução dos meios de comunicação e surgimento de novos canais, o rádio continua tendo seu espaço e atenção dos ouvintes. Em recente pesquisa realizada pela rádio Cultura verificou-se que de cada 10 catarinenses, 7 deles ouvem rádio. Diante deste resultado, Ortiz acredita que o rádio tem vida longa e vai continuar por muito tempo ao lado das pessoas. E neste veículo de comunicação, ele também quer se manter por muitos anos, pois é por amor que ele exerce esse trabalho. “Eu tenho um sentimento de amor e respeito intenso. O rádio me deu muitos amigos. Através da comunicação eu quero contribuir com as pessoas. Eu respeito o rádio como profissão porque eu também respeito aqueles que estão me ouvindo”, conclui o comunicador.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1703 de 18 de novembro de 2021.

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