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Quem conta a história: Zilda Zaia

Zilda Zaia fala sobre importância do resgate e
valorização do Tradicionalismo Gaúcho

Empreendedora local, Zilda dedica parte do seu tempo para promover as atividades do CTG Porteira Camponovense.

Dona Zilda Zaia é conhecida em Campos Novos não apenas pelo delicioso e tradicional churros vendido em seu Trailer. Entusiasta da cultura tradicionalista, ela também se destaca pelo trabalho que faz no Centro Tradicionalista Gaúcho Porteira Camponovense. Seus anos dedicados ao CTG lhe renderam uma bela homenagem, realizada no último domingo (7). Emocionada, ela relata na editoria ‘Quem Conta a História’ sua experiência de vida e amor pelas tradições locais.

“O tradicionalismo é minha alma. Tenho muito orgulho de fazer parte disso”, inicia orgulhosa ao falar sobre sua atuação no CTG. O começo dessa história se deu em meados de 1995, quando dona Zilda acompanhava o neto que participava do centro e aos dez anos já dava aulas de danças gaúchas no CTG. Nessa época, o tradicionalismo e o CTG passavam por um momento difícil. Encantada e envolvida nesse movimento, ela ajudou a reerguer o centro. “Eu sempre acompanhei meu neto Anderson. Com o tempo eu fui conhecendo as pessoas, fui me envolvendo mais e mais. Nos reunimos para alavancar a atuação do CTG e o transformamos no CTG Porteira Camponovense, deixamos de ser campeiros, para nos tornar artísticos”, relembra.

Os princípios e valores ensinados através do tradicionalismo tocavam dona Zilda, e para ela a atuação das invernadas eram uma forma de afastar os jovens do mundo das drogas. “Os festivais, os encontros, os cursos de peões e prendas são atividades lindas que envolvem toda a família. É maravilhoso ver as crianças conhecendo e praticando a cultura local. Quem está no galpão está protegido do mundo das drogas. Eu vejo as crianças ali e sei que elas estão bem. Temos mais de cem pessoas participando do nosso CTG. Eu vi algumas crianças crescendo e se tornado adultos responsáveis e trabalhadores. O CTG fez bem para essas pessoas. O que elas aprenderam ficou para sempre em sua memória. Eles crescem naquele meio e aprendem muitas coisas e muitos valores”, afirma.

Zilda já assumiu muitas funções dentro do CTG e do MTG, sendo patroa, capataz, diretora artística e também já foi coordenadora da 3° Região do MTG por dois mandatos. Como coordenadora ela trouxe ao município o Encontro de Jovens Tradicionalistas e o Encontro de Prendas e Peões. Sobre sua trajetória no CTG ela fala com muito carinho, sentimento que aumentou com a homenagem que recebeu na última semana. “Precisamos de ajuda para resgatar nossa cultura. Não queremos que os valores transmitidos pela tradição gaúcha morram. A cultura dever ser cultivado e precisamos de apoio para mantê-la. Eu estou envolvida com tudo e tenho muito orgulho de fazer parte disso. Chorei muito com a homenagem. A tradição é minha alma, é meu tudo. Naquela homenagem eu vi muitas pessoas que passaram por mim dentro do CTG”, diz emocionada.

A homenagem e realmente merecida, pois Zilda e seus companheiros se esforçam de todas as forças para lutar pelo CTG. “Eu sempre fui atuante e defensora do tradicionalismo. Buscávamos apoio para manter o CTG e sempre tivemos ajuda. Nós trabalhamos todos juntos. Quem está dentro do CTG está lá por amor à arte e a cultura. Por um tempo tivemos nossa cultura desvalorizada. As pessoas veem nosso CTG com bons olhos porque sabem da importância e do empenho de cada um”, diz.

Paralelo ao trabalho no CTG Porteira Camponovense, Zilda também já estava se articulando para montar seu próprio negócio, também no ano de 1995. Por ser uma mulher empreendedora, ela queria trazer para Campos Novos algo diferente. Numa visita a cidade de Joaçaba ela experimentou pela primeira vez um churros e logo teve a ideia de trazer o doce para cá. “Quando eu experimentei eu decidi que iria fazer churros para vender. Mas eu não imaginava como se fazia. Mais uma vez fui para Joaçaba e comprei novamente um churros para analisar de que forma ele era feito”, explica.

Corajosa e destemida, antes mesmo de aprender a receita, ela procurou o prefeito à época para pedir autorização para colocar um carrinho de churros na praça. “Eu comecei com uma mão na frente e outra atrás. Não tinha dinheiro para nada, mas eu sou uma pessoa positiva e fui atras de ajuda para conseguir comprar meu carrinho de trabalho. Um amigo me ajudou a conseguir um empréstimo e outro amigo me ajudou a encontrar o carrinho”, conta. O equipamento foi comprado, mas chegaria depois de trinta dias. Enquanto o carrinho não chegava, ela se empenhava para descobrir a receita. Para sua surpresa, junto com o carrinho veio a receita. Ela fez conforme a orientação, mas o sabor não agradou. Então, decidiu acrescentar alguns ingredientes a mais e criou sua própria receita. “Essa aqui é a minha massa. É o meu segredo”, orgulha-se Zilda de seu empreendimento que é sucesso em Campos Novos.

Feliz por suas conquistas como empreendedora e como tradicionalista, ela sente gratidão por esta trajetória de alegria. Foram duas atividades, uma voluntária e o outra particular. Como ela conseguiu? “Às vezes, eu me pergunto como eu consegui estar envolvida com o CTG e com meu negócio. Meu sentimento é de Gratidão a Deus. Hoje estamos aqui num espaço maior e somos conhecidos no município pelo nosso churros. Enquanto eu tiver saúde eu estarei aqui. Sei que Deus vai me dar muita saúde e muitos anos de vida para continuar trabalhando e atuando no CTG”, conclui Zilda.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, edição 1702 de 11 de novembro de 2021.

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