Antônio Besen Sobrinho fala sobre experiência como primeiro Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais
Envolvido com a lida campeira deste o nascimento, o ex-produtor participou em defesa dos
trabalhadores do campo.
Seu nome é Antônio Besen Sobrinho, mas ele é mais conhecido como Toninho do Sindicato, afinal ele presidiu por 32 anos o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Campos Novos. Em 1972, quando tinha apenas 20 anos, recebeu a missão e responsabilidade de representar sua classe e buscar melhorias para o homem do campo. Ele guarda com carinho tantas lembranças e diz sentir saudades do que viveu. No ‘Quem Conta a História’ desta edição, Toninho conta como surgiu o sindicato e as transformações no dia a dia do homem do campo.
Nascido em Abdon Batista, quando ainda era uma comunidade de Campos Novos, Toninho estava acostumado com o meio rural, e uma coisa ele sabia bem: os agricultores enfrentavam muitos desafios, e este foi um dos motivos que o fez se envolver na luta em prol dos colegas. “Eu achava meio penoso o trabalho, por isso eu tinha essa vocação de defender a classe. Sei a realidade de um agricultor”, afirma. Apesar das dificuldades, o produtor não nega o quanto ama o ofício.
Ele sabia da importância desta atividade, mas era necessário ajudar este setor que, na década de 1970, ainda era muito atrasado. As tecnologias e novos manejos surgiriam aos poucos, mas a união e organização dos trabalhadores deveria acontecer logo. Em 19 de março de 1972 o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Campos Novos foi estabelecido no município e Toninho foi escolhido por unanimidade para ser o primeiro presidente. Com o apoio e coordenação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc) a entidade foi fundada.
Para dar início as atividades, o recém-eleito presidente participou de treinamentos e capacitações para exercer a atividade com responsabilidade. As demandas dos trabalhadores começaram a ser priorizadas e o sindicato passou a cumprir seu papel. “Como associação de classe nós organizamos os trabalhadores, buscamos direitos, mantemos contato com as entidades, e buscamos o apoio da prefeitura e da Câmara de Vereadores. Levantamos essas demandas quando visitávamos as propriedades e ouvíamos as demandas do agricultor. Naquela época isso era ainda mais necessário, pois tudo era muito precário”, conta.
Mudanças, renovações e conquistas foram alcançadas através do sindicato. Toninho cita alguns dos feitos em sua gestão, e orgulha-se de ter acompanhado a evolução de Campos Novos e do meio rural neste período. “Foram 32 anos como presidente, mas eu sou muito agradecido e orgulhoso por te representado essa classe. Em 1974 promovemos aos agricultores assistência à saúde dentro dos sindicatos, trouxemos ambulatório médico, dentista, e a partir daí fomos crescendo e aumentamos nossas atividades. Outra conquista muito importante foi a facilitação ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura (Pronaf). Eles tinham acesso, mas ainda era um processo muito lento. Identificamos o pequeno produtor e daí ele passou a receber uma assistência mais próxima”, relatou.
Ele prosseguiu comentando sobre o progresso que ocorreu no campo que mudou a vida do trabalhador rural. “Acompanhamos todo o desbravamento de Campos Novos. Em 1972 começamos a lavrar a terra. Assistimos as tecnologias e o início do plantio direto sendo aplicados nas propriedades. Diversificamos a produção na propriedade. Antes nós só plantávamos milho e feijão e um pouco de trigo. Iniciamos a produção de aves e porcos. A Cidasc, Epagri, Copercampos e o Sindicato iniciaram um trabalho e vemos hoje o resultado positivo”, afirma Toninho.
O homem do campo estava acostumado a cuidar de sua propriedade do jeito que sabia, e com novos conhecimentos, eles teriam que mudar suas práticas. “Como vamos plantar no meio do mato?” era um dos questionamentos que o agricultor diz ter ouvido e prossegue falando sobre a adaptação dos produtores. “Houve um estranhamento com a inserção de tecnologias e manejos, mas com calma nos adaptamos. Com o tempo eles foram vendo o resultado, os benefícios, e aos poucos houve aceitação. Hoje trabalhar na agricultura está mais fácil. Atualmente estão bem assistidos pelo município e pelo Estado que dão atenção a agricultura. Hoje conseguimos produzir bastante leite com poucas vacas, e com pouca terra temos mais produção”, declara.
Apesar de estar aposentado, Toninho ainda sente o mesmo amor pela agricultura, por Campos Novos e pelo Sindicato e fica feliz ao ver como o produtor tem feito um bom trabalho no campo. “Fico feliz de ver que deram andamento ao trabalho realizado pelo sindicato. Vemos que o sindicato é muito respeitado no município e no estado. Participamos em muitas ações pelo estado e nos tornamos conhecidos. Ver o agricultor sorridente ao ter bons resultados de trabalho é gratificante. Esse trabalho é lindo. Eu fico emocionado de lembrar do passado. Sem dúvida veremos mais progresso, caminhamos para ser uma potência no agronegócio. Temos tudo ao nosso favor. Os pequenos, médios e grandes produtores apresentam coisas maravilhosas, estão sempre inovando. Estamos caminhando para uma agricultura organizada e sustentável”, conclui emocionado.
*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1705 de 02 de dezembro de 2021.


