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Quem conta a história: Ronei Jacomel

Do preto e branco ao colorido: Ronei Jacomel, ex-diretor do O Celeiro, fala sobre evolução do semanário

Em 2009, o semanário troca de direção e inicia uma nova dinâmica que o torna conhecido regionalmente.

Após 17 anos, Alceni Basso, fundadora do jornal O Celeiro, se despede do veículo de comunicação, que a partir de então seria de propriedade de Alexandre Di Domenico, Adavilson Teles, o Mancha, e de Ronei Jacomel que, além de socio-proprietário, se tornou o diretor do semanário. Em entrevista ao jornal o Celeiro, Ronei contou como foi a transição e algumas mudanças que ocorreram no jornal. Auxiliado por Alceni durante 15 dias para entender como tudo funcionava, o novo diretor tomou à frente do negócio determinado a alavancar o pequeno jornal conhecido apenas em Campos Novos. Será que conseguiram?
No ano comemorativo dos 30 anos de jornal O Celeiro, a editoria ‘Quem Conta a História’, continua trazendo personalidades importantes para contar a trajetória deste importante veículo de comunicação da região.

Mesmo sem formação como jornalista, Ronei tinha adquirido experiência prática na área ao atuar como assessor de imprensa e como apresentador de rádio. Porém, chefiar um conhecido e respeitado jornal era uma atividade que ele nunca havia exercido, mas aceitou o desafio. Apesar da credibilidade em Campo Novos, o jornal Celeiro tinha uma abrangência pequena. A nova administração estava decidida a mudar este cenário e elevar o veículo a outro patamar. “Quando assumimos o jornal vimos o que poderia ser melhorado. Nossa meta era fazer o jornal circular na região e se tornar popular.”, relembra Ronei.

O objetivo já estava definido, mas de que forma o alcançar? Com uma equipe muito reduzida, Alceni mantinha o jornal circulando apenas no centro de Campos Novos. O crescimento e abrangência do jornal deveria ocorrer primeiramente dentro do próprio município, e fazer isso não foi muito fácil. “Visitei empresas locais com o objetivo de fechar parcerias, mas o problema era que o jornal também não chegava lá. Tínhamos dificuldade de logística, não havia um transporte para levar o jornal. Havia cerca de 100 assinantes, mas não queríamos apenas fazer assinaturas. Decidimos deixar o jornal em locais de grande circulação de pessoas, mesmo que não fossem assinantes. Deixávamos nas barbearias, salões de beleza e padarias. Queríamos ir aonde as pessoas estavam. Com o tempo contratamos um motoboy para fazer as entregas nas empresas mais afastadas”, conta.

O próximo passo era tornar a marca ‘O Celeiro’ conhecida além dos limites camponovenses. Bem relacionado na região, Ronei conseguiu cumprir bem este dever. “Eu tinha muitos contatos com municípios da região, realizamos algumas parcerias e levamos o jornal para outras cidades. Nós fizemos diferente, nós regionalizamos o jornal. Chegamos aos municípios de Zortéa, Ibiam e Vargem. Promovemos uma nova dinâmica. Eu assumi a responsabilidade e fiz a coisa andar”, afirma.

Administrar não era o único ofício de Ronei, ele também escrevia as matérias e era o fotógrafo do veículo. Na equipe só havia o vendedor, até mesmo a diagramação era terceirizada, fato que preocupava o diretor. No dia de fechamento, se o diagramador demorasse alguns minutos já era motivo para preocupação, pois sem este profissional não teria jornal. Vendo o potencial do jovem vendedor Wilhiam Peretti, que começara no jornal ainda adolescente, Ronei sugeriu que o mesmo aprendesse o ofício e exercesse a função de forma efetiva. “Não tínhamos muitos funcionários. Nós corríamos contra o tempo. Fechávamos o jornal na quarta-feira para ser distribuído na quinta-feira. O nosso trabalhado dependia do diagramador. Portanto, eu conversei com o vendedor Wilhiam para que aprendesse a diagramar Ele aceitou, e após fazer alguns cursos, se tornou nosso diagramador. De vendedor informal, ele foi integrado como funcionário da empresa”, relata.

Em poucos meses, sob a nova direção, o jornal O Celeiro já via surpreendentes resultados, fato que ele se orgulha em contar. “Quando nós assumimos, a tiragem era de 500, depois de alguns meses a tiragem foi de 1000 exemplares. Nessa época o jornal era preto e branco e nós passamos a imprimir colorido. As imagens coloridas deram uma outra cara para o jornal. Aos poucos, outros profissionais foram incorporados a equipe” diz. Além de uma nova roupagem, outras mudanças ocorreram. A coluna ‘Atrás do Toco’, criada pela Alceni, era uma das mais lidas e esperadas do jornal pelo seu caráter denunciativo. Com a saída da fundadora, o espaço não foi mantido. Mas logo foi inserido o uso de charges carregadas de humor e informações. A iniciativa caiu no gosto dos leitores. Uma das que mais fez sucesso foi a que fazia referência a um gato que foi hospitalizado na Fundação Hospitalar, notícia que ganhou destaque nacional.

Assim como hoje, naquele período a noticiabilidade do jornal era voltada ao setor público e político, temas pertinentes e de interesse da população. “Expusemos os erros. Publicávamos fatos. Cobrávamos o que a população precisava. O jornalismo é uma ferramenta que ajuda a administração e a população. O jornal o Celeiro fazia um jornalismo com imparcialidade. O jornal é um fiscalizador. Às vezes, as pessoas olham como crítica o trabalho que é feito, mas na verdade o jornalismo alerta a respeito do que está acontecendo na comunidade e o que pode ser feito”, afirma o ex-diretor, completando que o jornal continua com a mesma essência desde que foi criado até hoje. “São 30 anos que o jornal segue cumprindo seu dever de informar. A responsabilidade é grande de levar a verdade para as pessoas”, conclui.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1712 de 20 de janeiro de 2022.

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