Campos Novos: Estimativa de prejuízos devido à estiagem é de quase R$ 1 bilhão

“As perdas gerarão impactos em toda a cadeia”, diz especialista da Epagri/Cepa.

A natureza surpreende mesmo diante das melhores previsões e ações do homem. Os produtores rurais até tentaram garantir uma lavoura mais segura, mas não foram páreos para o forte calor que iniciou em novembro de 2021. Devido a rigorosa estiagem e as altas temperaturas, muitas lavouras minguaram, em especial as de milho. As belas paisagens das lavouras encontradas estrada à fora, estavam tostadas de tanto levar sol. O resultado foi a perda de produtividade e de lucratividade para o produtor. O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola – Epagri/Cepa, especializado em informação e planejamento para o desenvolvimento agrícola, pesqueiro e florestal de Santa Catarina, informou que a estimativa de perda no Estado é de 40% da produção de milho. Em Campos Novos, a estimativa é de 45% da cultura. Evandro Uberdan Anater, coordenador regional do Cepa, disse que “a estiagem já era esperada, mas não com tamanha amplitude”.

Em relatório feito pela entidade, as estimativas apontam uma perda significativa e com grandes prejuízos e consequências que permeiam toda a cadeia, incluindo o consumidor final, que vai notar ainda mais a alta dos preços no mercado. “Teremos uma redução gravíssima de produção gerando impactos em todas as cadeias. A cooperativa deixa de vender, deixa de arrecadar, deixa de comercializar. O produtor não lucra, daí deixa de colocar dinheiro no comércio, não troca de máquina, etc. Há um processo que repercute em função da estiagem. As perdas não ficam apenas no meio rural, se expandem para a região”, afirmou. Apesar das chuvas pontuais ocorridas nos últimos dias, a estiagem ainda se prolonga, conforme destacou Evandro. “A expectativa não é muito boa, pois a estiagem não afetou apenas a região. Há uma estiagem acontecendo desde o sul do Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina. A redução na produção será grande. A soja não é um grande problema, mas historicamente Santa Catarina é o grande importador de milho. Vamos ter que buscar fora o grão, vai chegar mais caro, aumenta o preço da ração, e consequentemente os custos de produção, impactando no preço final do produto”, reitera.

Entre tantas culturas, a de milho foi uma das mais afetadas no que diz respeito a produtividade. Na safra passada, além da estiagem, o milho sofreu com problemas de cigarrinha. Neste ano os produtores resolveram plantar o milho mais cedo para escapar da estiagem e da cigarrinha. “Plantando em setembro, o milho começou a florescer em novembro, justamente o período em que começou a estiagem, por isso o milho não fez espiga e não encheu de grão. A soja não teve tanta perda porque foi plantada mais tarde, na metade de outubro”, contou o coordenador. A estratégia dos produtores não deu certo.

A explicação meteorológica para tudo isso é a presença da formação de La Ninã, quando ocorre o resfriamento das águas do Pacífico, causando menos evaporação e menos nuvens, com reflexos na Região Sul. “Havia a previsão inicial de que pudesse acontecer uma estiagem, mas que seria mais localizada e que ocorreria principalmente no mês de novembro. Ela iniciou em novembro, mas as ondas de calor impediram que as frentes frias entrassem na Região Sul, fazendo com que a situação se agravasse de tal maneira que tivemos pouquíssimas chuvas. Além disso, ainda tivemos ondas de calor que mantiveram as temperaturas muito altas, acima do normal, agravando o problema nas lavouras”, explicou Evandro.

Confira os dados repassados pela Epagri/Cepa.

PERDAS EM CAMPOS NOVOS

  • Feijão: 1600 hectares plantados – estimativa de quebra de 30% – cerca de 27 mil sacas a menos. – Perda de cerca de R$ 6 milhões.
  • Milho: 12.700 hectares plantados. – Estimativa de quebra de 45% – cerca de 85 mil sacas a menos – Perda de R$ 103 milhões.
  • Soja: 60.500 hectares plantados – Estimativa de perda de 23% na produção. Cerca de 961 mil sacas a menos. – Perda R$ 168 milhões de prejuízo.

Somado o milho de silagem e o tabaco temos uma estimativa de perda monetária de R$ 290 milhões.

PERDAS NA REGIÃO DA AMPLASC/AMURES

  • Feijão: 2.300 hectares – estimativa de quebra de 31% – impacto de cerca de 25 mil sacas de feijão a menos. Perda de cerca de R$ 5.6, milhões que vai deixar de circular.
  • Milho: 26 mil hectares – estimativa de quebra de 45% na produção – cerca de 2, 86 milhões de sacas a menos – Perda de cerca de R$ 98 milhões.
  • Soja: 113 mil hectares plantados – estimativa de quebra de 22.7% – cerca de 1,780 milhão sacas de soja a menos. – Perda de cerca de R$ 312 milhões.

Somando a silagem e o tabaco, temos uma estimativa de perda de monetária de R$ 535 milhões.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1714 de 03 de fevereiro de 2022.

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