Casos de alopecia podem indicar a presença de outras enfermidades.
Você provavelmente já ouviu falar em calvície e deve conhecer alguém que apresenta essa condição. Mas, você já ouviu falar em alopecia? Alguns desconhecem esta palavra, porém a calvície é uma das formas de apresentação da alopecia. Apesar de não apresentar sérios riscos diretos a saúde, é bom ficar atento, pois ela pode estar a associada a outras doenças autoimunes, como a lúpus e doença de Hashimoto. A Doutora Fernanda Matte nos ajudou a entender um pouco melhor sobre esta condição que tem afetado muitos pacientes.
A alopecia é uma condição no qual o paciente apresenta perda significativa de cabelo ou pelo. A mais comum é perda no couro cabeludo. Em alguns casos a perda do cabelo pode ser definitiva, mas na maioria dos casos pode ser reversível. Ela pode afetar homens, mulheres e crianças e surgem em diferentes tipos e graus. A perda pode ser total, parcial e generalizada, ou seja, quando o indivíduo tem todas as partes do corpo afetada pela perda de pelos. Em muitos casos a alopecia é visível, mas outras vezes acontece apenas em uma região especifica e nem sempre pode ser notada.
A queda do cabelo pode ter várias causas, desde estresse, uso de medicamentos ou doenças, como Lúpus ou Hipertireoidismo, mas geralmente tem relação com causas genéticas. De acordo com a causa, a alopecia pode também ser dividida em dois grupos: cicatricial e não cicatricial. Os tipos mais comuns são a alopecia areata e alopecia androgênica. A médica acrescenta que o aparecimento da alopecia deve levantar o alerta para investigar a presença de outras doenças. Nos casos não cicatriciais, o cabelo cai, mas pode voltar a crescer quando o folículo capilar não foi destruído. A melhora pode ocorrer de forma espontânea ou por tratamentos medicamentosos. Podem ser alopecias não cicatriciais a Alopecia Areata e Alopecia Androgenética (calvície). Nas Cicatriciais, o cabelo cai de forma definitiva e os folículos pilosos são destruídos, dessa forma o cabelo não volta a nascer naquela região.
Em sua prática clínica, Dra. Fernanda relata que em Campos Novos o número de pacientes que apresentam perda de cabelo aumentou significativamente após a Covid-19. Nos últimos meses, alguns estudos médicos apontaram que a Covid-19 tem desencadeado perdas de cabelo que se caracterizam como alopecia. “Tenho recebido muitas pacientes mulheres, entre os 30 a 40 anos, que apresentam grande perda de cabelo. Após terem o Covid-19 alguns estão apresentando uma queda abrupta. Nem toda queda é sinônimo de Alopecia, tudo depende das características e da quantidade de cabelo que cai. É precisa observar e fazer o diagnóstico preciso”, observou a médica.
O tratamento para a Alopecia é feito de acordo com a causa, no entanto, na maior parte dos casos a queda é tratada com o uso de medicamentos que são aplicados diretamente no local afetado e que devem ser recomendados por um dermatologista. Há inúmeros tratamentos disponíveis, mas levam tempo para surtirem os efeitos desejados. A médica diz que alguns pacientes apresentam desconforto, mas leve. Porém, a profissional aponta que a perda do cabelo pode ter reflexos principalmente na saúde emocional e na autoestima do paciente. Sobre isso conversamos com uma psicóloga que tem Alopecia.
O lado emocional
Olhares e julgamentos talvez sejam um dos grandes desconfortos de quem tem a Alopecia. Em mulheres é ainda mais difícil de que lidar com as falhas ou perda total do cabelo. A psicóloga Gleice Santos que também convive com a alopecia diz que foi desafiador quando recebeu o diagnóstico médico. “Foi muito difícil para mim. Eu imaginei que eu iria perder todo o cabelo. É um choque grande.”, relembra ao receber a notícia.
Por que comigo? E se eu perder todo o cabelo? Alguns talvez se perguntem. No início é sempre difícil, mas como psicóloga, Gleice diz que é preciso compreender este processo, vive-lo e aceitá-lo. “É um processo de luto no sentido de entender e se preparar para viver bem com isso”. O que pode ajudar? O fortalecimento pessoal também é uma ferramenta importante, conforme prossegue a psicóloga. “Podemos administrar o impacto. O que é possível fazer diante desta perda capilar? É um momento de auto descoberta e de fortalecimento. É importante seguir as orientações médicas, cuidar do bem-estar, praticar atividades físicas, cuidar da alimentação, e cuidar do emocional. Apesar de o cabelo carregar uma simbologia de poder, autoestima e do feminino, não é a única coisa que a pessoa tem. É possível ser feliz. É possível conviver bem com a alopecia. Haverá momentos bons e ruins. Autoestima não é só o que vemos no espelho, é o que temos dentro de nós”, acrescenta.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1723 de 07 de abril de 2022.







