Setembro Amarelo: Psicóloga faz alerta para sinais em pessoas com risco de suicídio

Mudanças de comportamentos devem ser identificadas por amigos e familiares e conduzidos para uma ajuda profissional.

O “Setembro Amarelo” é uma campanha internacional, mas que no Brasil iniciou há pouco menos de uma década, com o objetivo de criar um mês alusivo à valorização da vida e prevenir o suicídio. A campanha iniciou com a mobilização de entidades da área da psicologia, psiquiatria e da CVV (Centro de Valorização da Vida), como um mês para conscientização sobre o sofrimento que acomete muitas pessoas a ponto delas tirarem suas próprias vidas.

Para entender melhor a relevância que a campanha possui, e o quanto colabora para a sociedade nos dias de hoje, a Reportagem do Jornal O Celeiro entrevistou a Psicóloga Gleice Santos (CRP 12/08466), que fala sobre o suicídio, este problema muitas vezes estrutural, que todos os anos ceifa milhares de vidas no Brasil e no Mundo.

  • Quais são os sinais apresentados por uma pessoa que deseja cometer suicídio?

Os sinais que as pessoas podem expressar são: Pensamentos de menos valia e depreciativo, além de avisos, exemplo: “se eu não existisse, seria melhor”, “queria me sumir”, “já não aguento mais”, “logo deixo de atrapalhar”; Alteração de humor; Se desfazer de bens muito importantes, mas que agora presenteia ou deixa com alguém com falas que é para lembrança; Abandona atividades que sempre gostou de fazer, se fecha, evita contato social.

Estes pontos são importantes observar para poder auxiliar e prevenir, buscando ajuda profissional.

O apoio da rede familiar e afetiva da pessoa também é de muita ajuda. Conversar, escutar com paciência, sem julgamentos, sem expor nenhum sentimento que faça a pessoa se sentir culpada e envergonhada. Seja direto e pergunte se a pessoa está com pensamentos suicidas. Por meio da resposta, você pode obter um forte indício para buscar assistência.

  • Qual público é mais afetado?

De acordo com a ANP, entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a quarta causa de morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal. Trata-se de um fenômeno complexo, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, sexos, culturas, classes sociais e idades.

No Brasil, 12,6% por cada 100 mil homens em comparação com 5,4% por cada 100 mil mulheres, morrem devido ao suicídio. As taxas entre os homens são geralmente mais altas em países de alta renda (16,6% por 100 mil). Para as mulheres, as taxas de suicídio mais altas são encontradas em países de baixa-média renda (7,1% por 100 mil).

Estudos apontam que idosos também são afetados por este comportamento, devido ao sofrimento psicológico que muitas vezes acometem esta fase, tais como: ressignificar o ninho vazio; a perda de companheiro (a) afetivo de longos anos de convivência; ressignificar a própria fase da vida quando se vê diante de restrições referente a sua autonomia; entre outros pontos.

  • Quais são os reflexos da pandemia?

Sem dúvida uma grande preocupação referente à pandemia se concretizou, o número cada vez maior de pessoas que buscam atendimento por sintomatologia referente à ansiedade e depressão aumentou significativamente, seja em consultório particular ou no serviço público. O que acarreta um alerta importante de riscos de suicídio, tendo em vista que o adoecimento psicológico é uma das causas que motiva o indivíduo a buscar a autolesão como uma forma aliviar o sofrimento.

Mas um ponto positivo sem dúvidas referente à pandemia foi a conscientização de que podemos prevenir e também tratar nossas dores, por meio de auxílio especializado, mudanças de hábitos e comportamentos de bem estar.

  • Ao apresentar sinais, o que a pessoa deve fazer?

É sempre importante que quando sentirmos que nossas relações estão difíceis, perceber que situações nos pesam, se estamos deixando de fazer o que gostávamos, se acordar ou dormir é muito difícil. Nestes casos a melhor escolha é buscar auxilio de profissionais, um diagnóstico e tratamento adequado. Tudo fará a diferença no tratamento, como também, na orientação do paciente, familiares e rede de apoio.

  • Como é o tratamento?

Após uma avalição médica e psicológica adequada, estes profissionais orientam o paciente e a família sobre a importância do comprometimento com seu tratamento. Nesta situação especifica, a família e amigos são importantíssimos, para perceber os sinais e também auxiliar o paciente por meio da escuta, apoio, encaminhamento.

As medidas de tratamento são de forma medicamentosa, com sessões psicológicas frequentes, podendo incluir terapias ocupacionais, práticas de bem estar (alimentação, esporte, musicas, danças, práticas de fé do indivíduo) mudanças de hábitos, entre outras atividades que os profissionais que acompanham podem sugerir.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1748 de 29 de Outubro de 2022.

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