Cidasc faz alerta sobre o risco da doença da Raiva em animais e seres humanos.
A Raiva é uma doença fatal que acomete todos os mamíferos, inclusive os humanos. É transmitida por animais domésticos, animais de produção e animais silvestres infectados. O vírus ataca o Sistema Nervoso Central com sinais clínicos iniciais de isolamento e apatia, evoluindo para incoordenação motora (dificuldade para se locomover) e salivação intensa devido à dificuldade para deglutir, hiperexcitabilidade nos herbívoros e agressividade nos carnívoros e quirópteros (morcegos), por fim, o animal perde a capacidade de se locomover e vem a óbito.
O animal doente elimina o vírus rábico pela saliva e o inocula durante a mordedura ou pelo simples contato com a saliva durante a inspeção da boca de animais doentes. Por esse motivo orienta-se não colocar a mão na boca de bovinos e equinos que estejam com dificuldade de locomoção ou salivação intensa.
A médica veterinária, Aracéli Zanandrea, responsável pelo Departamento Regional da Cidasc de Campos Novos, aconselha que jamais deve-se tocar em morcegos que estejam caídos ou moribundos, pois podem morder ao serem tocados.
“Os cães, gatos e animais silvestres transmitem a doença pela mordida ou arranhadura. Em casos de acidentes com um desses animais procure um hospital ou posto de saúde, relate o ocorrido e exija o tratamento adequado. O período de incubação do vírus, tempo entre a sua inoculação até o aparecimento dos primeiros sinais clínicos, é longo e varia de 20 a 180 dias”, explica Aracéli.
O ciclo rural da raiva, dos animais de produção, geralmente ocorre pelo ataque do morcego ‘vampiro’ (Desmodus rotundus) que morde os animais do rebanho para se alimentar, e que se aloja em locais como cavernas, foges e buracos. A mordida causa intenso sangramento no local da ferida, porém, apenas provocará a doença no animal mordido se o morcego estiver doente e eliminando o vírus rábico em sua saliva.
A médica veterinária ressalta ainda que existem muitas espécies de morcegos. Eles são animais silvestres protegidos por lei e realizam importantes funções ecológicas como polinização, dispersão de sementes e redução de pragas e insetos, por isso não devem ser capturados e mortos pela população. Apenas o SVO-Serviço Veterinário Oficial pode realizar o controle populacional dos morcegos hematófagos no ambiente rural/silvestre. A ocorrência de morcegos em áreas urbanas deve ser reportada ao setor de competência da Vigilância Sanitária Municipal.
A raiva dos herbívoros é endêmica em Santa Catarina e é uma doença de notificação obrigatória. Para contribuir no controle da raiva é importante realizar a vacinação dos animais, comunicar a CIDASC sempre que observar animais com sinais clínicos neurológicos ou com marcas de mordidas de morcego “vampiro” e também, caso identificar locais que abrigam essa espécie, como grutas, foges ou bueiros.
O controle da Raiva dos Herbívoros em Santa Catarina é realizado pela CIDASC e tem como estratégias de atuação: o controle da população de transmissores (morcegos hematófagos da espécie Desmodus rotundus); a vacinação sistemática dos rebanhos; a vigilância epidemiológica; o monitoramento sistemático de abrigos de morcegos; e a educação em saúde da população, especialmente dos proprietários de animais, além da permanente capacitação dos profissionais do SVO-Serviço Veterinário Oficial.
O produtor também deve observar se há marcas de mordedura nos animais, que podem indicar que foram espoliados por morcegos. A Cidasc deve ser notificada quanto à existência de animais com possíveis sintomas da doença ou do ataque de morcegos, para que as medidas necessárias para evitar novos casos sejam adotadas.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1781 de 01 de junho de 2023.









